Médica ligada à família Jafar transfere R$ 4,8 mil após ameaça de morte
Na ligação, homem descreveu características físicas e movimentação da vítima na clínica e exigiu R$ 20 mil

Médica que mantém relacionamento com o empresário Giovanni Paroschi Jafar e é sócia de Olívia Paroschi Jafar na Clínica Ross transferiu R$ 4.853,77 por Pix depois de receber ameaças de morte na noite desta terça-feira (28), em Campo Grande. Giovanni e Olívia estão presos e foram denunciados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na Operação Gutenberg.
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De acordo com o boletim de ocorrência, a ligação foi recebida às 20h09 no telefone pessoal da vítima. Na tela, a chamada apareceu identificada como “torrecv”. O interlocutor se apresentou como Ricardo, afirmou pertencer ao crime organizado e exigiu o pagamento de R$ 20 mil, sob ameaça de morte.
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Durante a conversa, o homem citou os endereços residencial e profissional da médica e descreveu características físicas dela, como a cor dos cabelos, dos olhos e da pele. Também afirmou possuir uma fotografia da vítima, que teria sido compartilhada com outras pessoas, e disse que ela havia sido observada ao deixar a Clínica Ross naquela manhã.
Conforme o registro policial, o autor ainda ameaçou invadir a residência, sequestrar e matar a médica. Ela informou à polícia que possui uma gravação da ligação e se comprometeu a entregar o arquivo na delegacia responsável pela investigação.
A vítima relatou que mantém relacionamento com Giovanni. Ele está preso desde 14 de julho em decorrência da Operação Gutenberg. Na avaliação apresentada por ela à polícia, a ligação com o empresário teria levado os criminosos a acreditar que ela tinha dinheiro, motivando a tentativa de extorsão.
Após as ameaças, a médica realizou duas transferências. A primeira foi de R$ 2.999,77 e a segunda, de R$ 1.854, totalizando R$ 4.853,77. Os valores saíram de uma conta bancária da vítima e foram destinados a contas em nome de terceiros.
Depois da chamada, ela procurou a advogada, que a orientou a registrar o boletim de ocorrência. A médica informou que pretende representar criminalmente contra o responsável pelas ameaças.
Denúncia - Deflagrada pelo Gaeco em 7 de julho, a Operação Gutenberg investiga um suposto esquema de corrupção relacionado à venda de livros paradidáticos para prefeituras de Mato Grosso do Sul e a possíveis interferências na regulação de vagas do SUS. A investigação aponta movimentação superior a R$ 27 milhões em contratos públicos.
A denúncia apresentada pelo Gaeco inclui 17 pessoas, acusadas de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, com pedido de ressarcimento de R$ 27 milhões aos cofres públicos. Giovanni e Olívia, respectivamente, namorado e sócia da vítima, estão entre os denunciados. A Clínica Ross, administrada por Olívia, foi alvo de busca durante a operação, mas não consta relação direta das atividades da clínica no esquema investigado.
Giovanni apresentou-se à polícia em 14 de julho, após permanecer uma semana com mandado de prisão pendente. Olívia havia sido detida no primeiro dia da operação e teve a prisão mantida após audiência de custódia.
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