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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

13/01/2014 16:19

Médica morta pelo marido dedicou-se a pacientes carentes por 34 anos

Zana Zaidan
Médica foi encontrada morta na varanda da casa onde casal vivia, no Monte Líbano (Foto: Marcos Ermínio)Médica foi encontrada morta na varanda da casa onde casal vivia, no Monte Líbano (Foto: Marcos Ermínio)

A médica Maria José de Pauli, 60 anos, foi morta pelo marido prestes a se aposentar, após 34 anos dedicados à medicina de família e da comunidade, inclusive a pacientes carentes da zona rural de Campo Grande. Após 32 anos de casamento, ela foi morta pelo marido, o pecuarista José Mário Ferreira, 58 anos, na noite do último sábado (11), depois de uma tarde de discussões.

Natural do Paraná, Maria José transferiu o registro profissional para Mato Grosso do Sul e, posteriormente, passou a trabalhar na Unidade de Saúde da Família Três Barras. Em dezembro do ano passado, Maria José aposentou-se e passou a atender apenas na unidade de saúde do Tiradentes, onde trabalhava há mais de 15 anos. No final deste ano, ela também encerraria o vínculo empregatício com o posto do bairro.

Um dos colegas de trabalho conta que o profissionalismo falava mais alto e, por isso, nos últimos dias Maria José não demonstrou estar abalada ou com problemas com o marido.

“Só ficamos sabendo das brigas com o marido depois que aconteceu a tragédia, mesmo porque ela era uma pessoa muito reservada em relação à assuntos pessoais. Quase ninguém daqui o conhecia, só sabíamos que ele era fazendeiro e, por isso, quase não ficava muito na cidade”, diz o enfermeiro, que preferiu não se identificar. 

“Era uma pessoa muito, muito amigável, todos gostavam muito dela. Sempre vou me lembrar como uma pessoa que trabalhava bastante, e era muito correta”, acrescenta.

No posto da Três Barras, Maria José construiu vínculo com as famílias e era próxima dos pacientes. “Ela era a única médica e trabalhou por muitos anos e, por ser na zona rural, tinha aquela relação de confiança que os médicos de antigamente tinham com o paciente, de cuidar da criança desde o nascimento até a fase de adulto”, afirma outra companheira de trabalho, que preferiu não se identificar.

Os cuidados da médica eram retribuídos, forma que os pacientes encontravam para demonstrar a gratidão. “Essas coisas que pacientes dão, o que eles podiam, às vezes um doce caseiro, um bolo, uma toalhinha bordada”, diz a colega. Por lá, Maria José também não mencionava a relação que levava em casa com o marido.

Maria José foi casada por 32 anos e deixou três filhos, todos casados, e dois netos.

O caso - Maria José de Pauli, 60 anos, foi morta pelo marido, o pecuarista José Mário Ferreira, 58 anos, na noite do último sábado (11). O crime aconteceu na varanda da casa onde o casal morava, na rua Luis Pereira de Souza, bairro Monte Líbano.

Ela teria descoberto uma traição do marido e, por isso, pedido o divórcio, que era negado por José. Depois de uma tarde de discussões, ele desferiu golpes na cabeça da esposa com uma barra de ferro e, em seguida, suicidou-se.

Um dia antes da tragédia, Maria José procurou a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), onde relatou que estava com dificuldades para conseguir a separação, além de registrar boletim de ocorrência contra o marido por injúria. Uma policial sugeriu que a médica pedisse medida judicial para mantê-lo afastado, e Maria José teria se recusado, alegando acreditar que não era necessário.



Conheci o José Mario Ferreira no interior do Paraná. Convivemos quando crianças e na juventude. Seus pais não aprovaram um casamento com uma moça "pobre". Foram embora para Londrina, onde que provavelmente ele conheceu a médica Maria José. Quase não tivemos mais contatos depois do seu casamento. Nas poucas vezes que tivemos contato, observei que ele era um homem rico e ambicioso. Não era mais o jovem humilde que viveu no interior.
Lamento muito. Afinal perdi um amigo de infância de uma forma muito cruel.Que Deus te perdoe José Mario.
 
Marli Ignacio Almeida em 17/01/2014 15:49:04
isso e um verdadeiro absurdo todos os dias mulheres morrem e a nossa lei continua do mesmo jeito sera que vao mudar a lei maria da penha so depois que matarem todas as mulheres do mundo papel não salva ninguém alguém tem que tomar medidas mais rígidas mais severas porque se não o mundo vai fica mais perdido do que já ta.
 
rose alves em 14/01/2014 10:00:56
Tragédias de todos os tipos, estão acontecendo com muita frequência nos meios familiares de nossa Capital.
São espancamentos, cárceres, apedrejamentos, esfaqueamentos, tiros, enforcamentos, estupros, etc.
Nestas tragédias, estão sendo envolvidas familias de todas as classes sociais, e de todos os poderes financeiros.
O que está colaborando na falta de estrutura das familias ?
Seria problemas financeiros ? Seria a falta de Deus no coração das pessoas ?
Ou seria o uso excessivo dos meios de comunicação como televisão, computador, celular, e.mail, facebook, etc, e que consequentemente afasta o diálogo em família ?

 
VALDIR VILLA NOVA em 14/01/2014 09:13:53
As mulheres não falam de suas vidas e de suas dores no local de trabalho porque a maioria desses locais não são acolhedores com os dramas vividos. A mulher, criada para ficar casada "até que a morte os separe" sente vergonha de falar da violência sofrida. Quando um assassinato deste acontece, deveríamos todos nos perguntar: o que é que aconteceu que ela não contou conosco? O fato de ser médica teria afastado de nós a ideia que também ela poderia ser vítima de violência?
 
Estela Scandola em 14/01/2014 07:03:54
Lamento muito, não precisaria chegar a este extremo; pois sou separado há mais de 7 anos e antes tivemos um diálogo e, se separamos numa boa. Se todos pensassem da forma que eu agi, não existiriam essas desavenças. Obrigado. Boa Noite.
 
Valdir Cândido da Silva em 13/01/2014 22:30:42
que fatalidade o diabo está querendo acabar com as familias que deus tenha misericórdia de todas as familias.
 
ivone maciel em 13/01/2014 20:04:54
Mais uma mulher morta. Muitas tem vergonha de falar da brutalidade que estão passando, porque não confiam na Lei e nem nas pessoas, que sabem viver só de fofocas. A verdade é que uma mulher não ajuda a outra. Tinha filhos não sabiam ou não quiseram ajudá-la? A mãe? A sogra? Não tinha amigas? Vejam quantas pessoas poderiam tê-la salvo e não o fizeram. Que pena!
 
Neuci Augusta Fonseca. em 13/01/2014 18:17:33
rua JOSÉ LUIS PEREIRA! e não Luis Pereira de Souza! Sou vizinha da casa há 17 anos.
 
Déborah Campos em 13/01/2014 17:08:48
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