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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

24/02/2015 20:45

Moradora do Moreninhas tem casa derrubada por patrola da prefeitura

Daniel Machado
Só se salvaram uma cama de casal e um fogão cinco bocas porque o vizinho tirou-os antes da patrola passar. (Foto: Direto das Ruas)Só se salvaram uma cama de casal e um fogão cinco bocas porque o vizinho tirou-os antes da patrola passar. (Foto: Direto das Ruas)

Uma moradora do bairro Moreninhas, em Campo Grande, teve sua casa completamente destruída na tarde desta terça-feira (24) por uma patrola moto-niveladora da prefeitura.

A manicure e cozinheira Janaína Fonseca de Souza, de 37 anos, estava com os filhos na casa de sua mãe, no bairro Piratininga, quando recebeu a ligação do vizinho, informando que a patrola estava passando por cima de sua casa com todos os bens e pertences dentro.

No interior da residência de Janaína, um fogão, duas geladeiras, uma TV de plasma, um aparelho de som portátil com CD, cafeteira, dois ventiladores de teto, um botijão de gás, duas camas (uma de casal), um guarda-roupa, um armário, duas bicicletas e o patins dos filhos, além de praticamente todas as roupas.

“Só se salvaram uma cama de casal e um fogão cinco bocas porque o vizinho tirou antes da patrola passar. Até meu radinho eles destruíram. Eles alegaram que minhas coisas eram muito velhas e que o (programa) Minha Casa Minha Vida me daria tudo novo”, disse a manicure, que é mãe de quatro filhos (três meninas de 6, 11 e 13 e um adolescente de 15).

“Foram nove anos perdidos, as coisas todas quebradas e destruídas, minhas e dos meus filhos, cheguei a passar mal de tanta tristeza.

Entenda o caso – Janaína está cadastrada em um programa habitacional da EMHA (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande) que prevê a transferência de alguns moradores da Área Verde (abaixo da Alta Tensão), do bairro Moreninhas 2 para a área atrás do parque Jacques da Luz, no Moreninhas 4, no conjunto residencial da prefeitura.

Por já ter sido contemplada certa vez pelo Incra com uma casa em um assentamento – que, segundo ela, nunca usufruiu – Janaína teve de pedir para que o registro no programa da EMHA fosse feito em nome de seu ex-marido, o que atrasou a transferência para a terceira etapa do programa habitacional.

Com isso, os vizinhos (transferidos na primeira e segunda etapa) foram se mudando e ela se viu morando praticamente sozinha na região. “Tenho quatro filhos e a região ficou perigosa, tinha medo de deixar eles lá sozinhos. Por isso me mudei pra casa da minha mãe, no Piratininga, enquanto não saia minha transferência”, explicou.

De acordo com Janaína, ela havia conversado com a assistente social da EMHA e que a mesma ligou ainda hoje garantindo que ninguém derrubaria minha casa enquanto não saísse a documentação e eu fosse transferida com minha família para a nova casa. “Fui na EMHA sexta-feira passada e garantiram que não havia prazo para derrubar a casa e quando fosse derrubar, me avisariam. Aliás, ela ligou hoje dizendo isso, pouco antes de eu encontrar a casa derrubada e destruída”, lamentou.

A residência de Janaína tinha dois quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda. Ela tentou registrar Boletim de Ocorrência na Depac-Piratininga, mas o delegado orientou-a a documentar as fotos e enviar à imprensa, além de fazer a reclamação diretamente na EMHA. “Pediram para eu ir amanhã na EMHA, vou lá mas não me dão prazo de quando vão resolver a situação. Como é que eu e minha família vamos ficar?”

Esta reportagem tentou entrar em contato com a assessoria da Prefeitura de Campo Grande mas não obteve retorno. 



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