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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

24/10/2013 18:06

Moradores de rua se espalham e tomam conta da cidade por esmolas

Zana Zaidan

Em uma passagem rápida pelas ruas de Campo Grande, é fácil encontrar um morador de rua, ou grupos deles, dormindo em calçadas ou pedindo dinheiro em semáforos. O problema não é novo, mas o fato de vermos mais mendigos é explicado pelos próprios moradores de rua e confirmado pela SAS (Secretaria de Assistência Social), que fala em 2 mil indigentes espalhados em diferentes pontos da cidade.

A antiga rodoviária, ponto tradicional de concentração de moradores de rua, já não é mais tão lucrativa para aqueles que dependem de esmolas para sobreviver. A solução é ir para ruas próximas e com grande fluxo de pessoas, como a avenida Afonso Pena, Ernesto Geisel e no entorno do Mercado Municipal.

Na rodoviária velha ficam os próprios moradores de ruas, a maior parte deles usuários de drogas e álcool, ou os comerciantes remanescentes do abandono de depois que a rodoviária mudou de lugar. Por lá, existem vários espaços improvisados onde os moradores dormem, mas, durante o dia, se dispersam para conseguir dinheiro.

Mario fica no semáforo da Afonso Pena, esquina com a Ernesto Geisel, e só mudou de lugar porque enquanto falava com a  reportagem outro colega de rua ocupou o ponto (Foto: Marcos Ermínio)Mario fica no semáforo da Afonso Pena, esquina com a Ernesto Geisel, e só mudou de lugar porque enquanto falava com a reportagem outro colega de rua ocupou o ponto (Foto: Marcos Ermínio)

“Fica na rodoviária só quem já conseguiu o dinheiro para passar o dia, e isso você não consegue lá né? Viciado vai pedir dinheiro para outro viciado?”, resume o morador de rua Mário Luiz Lima de Souza, 27 anos, que há oito meses saiu de Araçatuba (SP) e veio parar na Capital, sem endereço fixo.

“Minha localidade atualmente é a avenida Afonso Pena”, conta Mário, que se mantém nas proximidades por não conhecer outros lugares da cidade e só se desloca quando tem que trocar de semáforo, por causa da concorrência com outros pedintes.

Lúcido e receptivo, o jovem deixou a mãe – que, segundo ele, deu “tudo que precisava, estudo, casa e comida” - na cidade do interior de São Paulo há 14 anos e foi viver nas ruas depois que a vontade de beber passou a interferir no convívio familiar.

O dinheiro para comprar “um corotinho”, vem dos próprios motoristas. “Nunca menti não. Não faço malabares, não sou artista. Peço o dinheiro, e pronto, e se me perguntam para quê eu digo que é para comprar bebida”, acrescenta dizendo que lucra pelo menos R$ 70 por dia pedindo no semáforo.

“Dá para viver melhor que no Cetremi, por exemplo. Tiro um pouco para comer, compro minha bebida e ainda pago por um banho nesses pensionatos aqui do centro”, explica a rotina, comparada à do Centro de Triagem e Encaminhamento ao Migrante da prefeitura, que oferece hospedagem provisória para moradores de rua até que eles arrumem um emprego.

“O complicado é que não dá para trabalhar para trabalhar porque tô sem documentos, sei os números de cor, mas perdi e ninguém contrata gente sem documentos”, justifica Mário sobre o fato de não arrumar um meio formal de se sustentar.

Elizabete, que sobrevive com restos de alimentos e esmolas (Foto: Marcos Ermínio)Elizabete, que sobrevive com restos de alimentos e esmolas (Foto: Marcos Ermínio)

Mário consegue abafar as dificuldades de morar na rua, mas não são todos que saem ilesos da mesma forma. Elizabeth, 40 anos, mal conseguia falar, apenas o suficiente para dizer o nome, idade e que sobrevivia de dinheiro pedido na rua, enquanto não pestanejava em comer restos de comida encontrados em um saco de lixo.

Já Ana Paula, 34, é velha conhecida dos comerciantes da rodoviária velha e dos próprios companheiros de rua. “O Cetremi é bom, bom sim. Já fui várias vezes para lá. O problema é que é longe para caramba e quando acaba a bebida, não tem como conseguir. Aí tem que pegar um monte de ônibus e voltar para cá, onde tem quem vende as paradinhas, entende?”.

Ela afirma não sobreviver sem bebida alcoólica ("dói o fígado e saio batendo em quem estiver na minha frente"), mas, enquanto o dinheiro for suficiente para comprar pinga, vai ficar na rua. "Só vou pro Cetremi quando a fome aperta e preciso tomar um banho". 

Não dê esmolas - Hoje, 98 moradores estão abrigados no Cetremi. A maioria deles não são moradores permanentes e passam, em média, três dias no centro. Os que ficam são idosos que não teriam condições de sobreviver nas ruas, o restante, passa um tempo, a fim de obter assistência e, em seguida, volta para o lugar de onde saíram, já que a hospedagem é voluntária.

A recomendação da Secretaria de Assistência Social é para não dar esmolas aos moradores de rua. A prática, ao invés de ajudar, incentiva e possibilita a permanência de pessoas nas ruas.

Ana Paula, que enquanto tiver dinheiro e pinga na garrafa, não abandona as ruas (Marcos Ermínio)Ana Paula, que enquanto tiver dinheiro e pinga na garrafa, não abandona as ruas (Marcos Ermínio)
Albergue alternativopróximo à rodoviária velha, um dos espaços onde moradores de rua dormem (Foto: Marcos Ermínio)Albergue "alternativo"próximo à rodoviária velha, um dos espaços onde moradores de rua dormem (Foto: Marcos Ermínio)


R$70,00 (no minimo) * 20 dias (sem pedir nos finais de semana) = R$ 1.400,00 (limpo sem impostos).
 
Julio Cesar em 25/10/2013 11:18:59
Vem um cidadão falar em dar bolsa família para estas pessoas... são dependentes químicos amigo, o bolsa dilma só vai servir para eles beberem, sem retorno positivo para a sociedade, e quem paga a conta somos nós, infelizmente é uma realidade nua e crua, o que deve feito para melhorar isso: investir em educação, políticas de natalidade. Casais em situação de pobreza, tem em média 4 filhos, como estas crianças serão sustentadas? pelo bolsa família? até quando? Vocês sabiam que em lugares no norte e nordeste do país, existem famílias que estão forçando filhas menores a engravidarem para que tenham continuidade no recebimento dos benefícios sociais? e isso se tornará um problema a ser resolvido no futuro, e vocês acham que o governo se preocupa? Quem pagará esta conta é a sociedade.
 
Odracir Siarom em 25/10/2013 10:48:56
Sr. Juvenil, essa historia de bolsa familia, ja é uma palhaçada, já é desculpa pra não trabalhar, agora vc sugerir, que deem bolsa familia pra morador de rua, pra trocarem tudo por bebida e pinga, e pra acabar. Por pensamentos igual ao seu, é que o Brasil ta desse jeito e cada vez ficando pior, enquanto eu trabalho pra sustentar esses que vivem dessas bolsa tudo, eles tão bebendo e usando drogas. Mudança ja.
 
Liliane Moreira em 25/10/2013 08:43:39
Eu fico dividido toda vez que penso nisto, principalmente com histórias igual a do primeiro entrevistado de falar que teve tudo e foi pra rua por causa da bebida.
Não consigo ter pena de quem desperdiça a própria vida e penso que se a família não ajudou, boa coisa não fez pra merecer.
E ao mesmo tempo fico com pena, porque ninguém merece morar na rua e porque infelizmente não conhecemos as histórias.
Ajuda tem, mas é opcional ficar lá né.
 
Eder Lima em 25/10/2013 08:34:42
Detalhe, fazem campanha para não darmos esmola, só que muitas vezes faço isso para minha segurança, a maioria estão sob efeito de drogas e são agressivos, preciso prezar pela minha segurança e integridade. Lamentável essa realidade...
 
Sandra Maria em 25/10/2013 08:28:47
Bom dia,
Hoje mesmo, pensei em ligar para o Sr Marcos Faria de Manha na Radio para desabafar.Tenho uma loja no centro, Rua Barão do Rio Branco,1769, tem um salão comercial da Salesiana desativado.Não aluga, não fazem nada, fica como uma moradia para morador de rua.Ainda para complicar tem restaurante em volta que fornece alimentação aos mesmos, ficando um nojo do lado de minha loja.Pago imposto, faço tudo que as autoridades pendem, poluição visual.Mas não podemos mexer com estas pessoas, todos os dias ligo no 190 reclamando, eles aborda os meus clientes pedindo dinheiro, cada dia mais eles não querem vir na loja.Não sei o que faço, já fui na Salesiana, pedir para fechar o recuo, até propomos de fechar nós mesmo, mas não autoriza o que eu Faço? Só pago imposto?
 
Adilson R Medina em 25/10/2013 08:14:08
É mto triste ver essas pessoas nessas condições tão humilhantes..... A droga está acabando com a família, com os vínculos afetivos, e vai acabar c a sociedade......
o que fazer, eu me pergunto.........?
 
josé soares em 25/10/2013 05:58:53
fumar droga e sair a cometer delitos pode. Menor de 18 roubar e matar pode. Roubar o hospital do cancer e rejeitar aparelho e doar para particulares, e continuar no mandato, O SIUF pode.
DEPUTADOS ESTADUAIS, VEREADORES apresentadores de tv? Isso é tirar a vaga de pessoas que estudam jornalismo, ou melhor, do seu filho, do meu filho, Isso pode.
Não pode reagir à onda de assaltos, não pode fazer passeata, nada pode ao cidadão alem de pagar impostos e alimentar a essa corja de politicos.
PELO, PARA O POVO NADA. AOS POLÍTICOS TUDO.
 
Natanael d barros em 24/10/2013 22:37:13
Cade o tal de Bolsa Familia, não é para isso que ele serve, tirar os miserareis da pobreza, ou será que para conseguir o bolsa familia o sujeito tem que ter endereço fixo e nome limpo na praça.
 
juvenil marques do vale em 24/10/2013 19:25:21
É uma tristeza mesmo essa doença do vício em álcool e droga, pois se um morador de rua falou que tira em média R$70 reais por dia em doações, em 30 dias são mais de dois mil reais para sobreviver. O salário mínimo é bem menos que isso e muita gente sobrevive com ele. Dois mil reais dá para ter uma qualidade de vida muito melhor. Infelizmente gastam isso apenas em bebida. O poder público é muito ausente nisso, em ajudar de forma eficaz, com tratamento, esses centros de apoio não resolvem, como os próprios usuários disseram.
 
rafael santos em 24/10/2013 18:33:52
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