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Capital

Moradores se unem contra algazarra, "randandan" e tiros nas ruas de bairro

Cerca de 150 pessoas assinaram um abaixo-assinado em busca de solução para a perturbação do sossego

Por Clara Farias e Gabi Cenciarelli | 31/03/2026 16:57

Cansados do barulho constante de motocicletas, gritaria em frente a tabacarias e até episódios de violência, moradores do Bairro Iracy Coelho, na região sul de Campo Grande, procuraram o Campo Grande News para relatar uma série de problemas causados pelo tumulto. Eles organizaram um abaixo-assinado e cobram providências do poder público.

RESUMO

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Moradores do Bairro Iracy Coelho, na região sul de Campo Grande, relatam perturbação constante causada por barulho de motos, som alto e consumo de álcool em frente a estabelecimentos comerciais. Residents organizam abaixo-assinado e pretendem acionar o Ministério Público, além de cobrar explicações da prefeitura sobre alvarás de funcionamento noturno. A situação piorou após a abertura de uma conveniência na área.

Motorista carreteiro, Sidney de Andrade, de 56 anos, afirma que a situação se tornou insustentável. “Tenho uma mãe de 76 anos, um filho com deficiência e um vizinho com transtorno bipolar. A gente não consegue mais descansar”, relata.

Segundo ele, o barulho ocorre praticamente todos os dias da semana, com motos fazendo “corte de giro”, som alto e consumo de álcool na frente das casas. “Tem gente usando a frente das residências para fazer necessidades. É uma bagunça generalizada, com muita bebedeira”, afirma.

Sidney também relata preocupação com a presença de menores consumindo bebida alcoólica. O impacto é direto na rotina da família, segundo ele. “Meu filho tem microcefalia, uma deficiência neurológica. Ele não dorme direito, fica muito nervoso. Minha mãe também não descansa. Quem não dorme bem não vive bem. Nossa vida social praticamente acabou”, desabafa.

O presidente do bairro, André Luiz, afirma que o problema principal é o desrespeito à lei do silêncio. “A nossa maior dificuldade aqui no bairro tem sido a falta de respeito por parte de alguns estabelecimentos”, diz. Segundo ele, há 2 pontos críticos na região e, por volta de meia-noite, centenas de jovens se reúnem na Rua Santa Quitéria.

Moradores se unem contra algazarra, "randandan" e tiros nas ruas de bairro
Presidente do bairro, André Luiz, segurando abaixo-assinado feito por moradores (Foto: Renan Kubota)

Ainda segundo os moradores, a Polícia Militar é acionada com frequência e já houve reunião da associação de bairro com cerca de 150 participantes. Agora, a comunidade organiza um abaixo-assinado e pretende levar o caso ao Ministério Público.

Eles também cobram esclarecimentos da Secretaria Municipal responsável pela concessão de alvarás sobre o funcionamento dos estabelecimentos durante a madrugada. “Não somos contra os comerciantes, mas queremos o direito ao sossego”, pontua.

A secretária Ana Paula Rocha, de 51 anos, afirma que sofre com a perturbação do sono. “É som alto, motos, carros... está insuportável. Estou há quatro dias de atestado porque não consigo dormir”, relata.

Moradores se unem contra algazarra, "randandan" e tiros nas ruas de bairro
Secretária, Ana Paula durante entrevista ao Campo Grande News (Foto: Renan Kubota)
Moradores se unem contra algazarra, "randandan" e tiros nas ruas de bairro
Vilania Soares em entrevista (Foto: Renan Kubota)

Segundo ela, tentativas de diálogo com o proprietário não tiveram resultado. “Ele diz que não tem culpa, mas o comércio é dele e fica praticamente na porta da minha casa”, afirma.

A aposentada Vilania Soares, de 65 anos, diz que precisou mudar a rotina para evitar o problema. “Minha vida virou um inferno. Não fico mais em casa aos fins de semana, não tem condições”, conta.

Ela relata que frequentadores estacionam em frente à residência com som alto. “Param no meu portão, abrem o vidro e colocam o som no último volume, como se fosse um salão de baile. É uma falta de respeito”, diz.

Vilania afirma ainda que passou a usar medicação para conseguir dormir. “Fico ansiosa, só de chegar a sexta-feira já começo a passar mal”, relata. Segundo os moradores, a situação piorou após a abertura de uma nova conveniência na região, aumentando a concentração de pessoas e o barulho durante a madrugada.

O Campo Grande News tentou contato com a Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável) e aguarda posicionamento.

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