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Ex-prefeito, filha e mais 11 são suspeitos de esquema para fraudar licitações

Ação do Gaeco é desdobramento da Operação Pretense e apura fraudes em contratos públicos

Por Inara Silva e Helio de Freitas, de Dourados | 31/03/2026 18:10
Ex-prefeito, filha e mais 11 são suspeitos de esquema para fraudar licitações
 Ex-prefeito de Cornel Sapucaia, Rudi Paetzold (Foto: Divulgação)

O ex-prefeito de Coronel Sapucaia, Rudi Paetzold (MDB), a filha dele, Adriane Paetzold, e outros 11 investigados foram alvo de operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nesta terça-feira (31). O grupo é suspeito de envolvimento em um esquema de fraude em licitações e contratos públicos.

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Mão Dupla para desarticular um esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos em Coronel Sapucaia. Entre os treze alvos de medidas cautelares estão o ex-prefeito Rudi Paetzold e sua filha. A investigação aponta irregularidades que somam milhões de reais em contratos públicos, envolvendo corrupção e peculato. Foram cumpridos vinte e três mandados de busca, resultando na apreensão de dinheiro em espécie e monitoração eletrônica.

A ação foi realizada no município, a 396 quilômetros de Campo Grande, e resultou no cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão. Também foram impostas 13 medidas cautelares, entre elas a proibição de acesso à administração municipal, o impedimento de contato entre os investigados e o uso de tornozeleira eletrônica.

A Justiça ainda autorizou dois mandados de busca pessoal na casa de envolvidos e determinou a suspensão do exercício de função pública de dois dos investigados.

Batizada de “Mão Dupla”, a operação é a segunda fase da Operação Pretense, conduzida pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), com autorização do Tribunal de Justiça.

Além de Rudi Paetzold e Adriane Paetzold, também foram alvo das medidas as seguintes pessoas:

  • Adriel Celant Espindola (piloto de velocross)

  • José Rosan Espindola de Espindola (empresa Espíndola Transportes)

  • Alan Douglas Maciel (arquiteto e dono de construtora alvo da Pretense)

  • Kariony Celant Espíndola (arquiteta)

  • André de Assis Voginski (pregoeiro oficial do município)

  • Aparecida Janaina Lima Cavalcante (fiscal de contratos da gestão anterior)

  • Celso Ricardo Maciel Ferreira (ex-secretário de Infraestrutura)

  • Gislene Aparecida Micuinha Farias (servidora da prefeitura)

  • Jonathan Cavalheri (assessor especial de Rudi)

  • Karin Zarate Araújo (servidora que era da comissão permanente de licitação)

  • Willian dos Santos Barbosa (engenheiro concursado da prefeitura)

Ex-prefeito, filha e mais 11 são suspeitos de esquema para fraudar licitações
Dinheiro apreendido em operação do Gaeco contra corrupção. (Foto: Divulgação/MPMS)

Desdobramentos - As diligências ocorreram em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó. Em Ponta Porã, equipes do Gaeco e do Batalhão de Operações Policiais Especiais estiveram em um dos endereços alvos. Fotos divulgadas pela investigação mostram pilhas de dinheiro em espécie apreendidas durante a operação.

Segundo o MPMS, a investigação aponta suspeitas de fraude em processos licitatórios, peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários e servidores municipais. O nome “Mão Dupla” faz referência ao bordão que teria sido utilizado nas tratativas ilegais: “Você me ajuda, que eu te ajudo”.

A atual prefeita, Niágara Kraievski, afirmou que a investigação não tem relação com a gestão atual e que os fatos apurados se referem a irregularidades de 2024, período em que a administração municipal era comandada por outro prefeito.

Origem - A primeira fase da Operação Pretense ocorreu em dezembro de 2024, quando foram cumpridos mandados na prefeitura e em empresas ligadas a um grupo familiar do município.

Na época, a investigação apontou que empresas de um mesmo grupo familiar firmaram contratos de R$ 27,6 milhões com a prefeitura entre 2020 e 2024, sendo R$ 20,7 milhões apenas com a A. D. M. Construtora, responsável pela obra hospitalar.

Conforme o MPMS, a empresa não possuía estrutura operacional, apesar de receber valores milionários, e havia indícios de uso de materiais reaproveitados e serviços de baixa qualidade.

Outra empresa ligada à família também faturou R$ 5,7 milhões no período, reforçando a suspeita de esquema para mascarar contratos e desviar recursos públicos.

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