Estudantes denunciam falta de aulas práticas em curso: "nunca fiz um canal"
Segundo eles, reforma que não termina e junção de turmas afetam mais de 100 matriculados

A falta de estrutura adequada para aulas práticas de odontologia na Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), em Campo Grande, está comprometendo a formação de futuros profissionais na instituição, segundo denúncia recebida pela reportagem nesta terça-feira (31).
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Estudantes do último ano do curso de odontologia da Uniderp, em Campo Grande, denunciam que a falta de estrutura adequada para aulas práticas compromete sua formação. Com mais de 100 alunos no 9º semestre, eles relatam que uma das duas clínicas escola segue fechada para reforma desde julho de 2024, equipamentos apresentam defeitos frequentes e aulas práticas são substituídas por teóricas. A universidade não se manifestou até a publicação da reportagem.
Dois estudantes do último ano que pediram para não ser identificados enviaram um documento que relata a situação e pede providências à universidade. Segundo eles, há mais de 100 acadêmicos planejando procurar órgãos oficiais para denunciar o descaso.
"Somos estudantes do 9º semestre. Nossa turma possui mais de 100 alunos e estamos prestes a concluir a graduação no 10º semestre. No entanto, enfrentamos uma situação extremamente preocupante que tem comprometido diretamente nossa formação profissional e a qualidade do ensino oferecido pela instituição", começa o texto
Um dos estudantes tem 22 anos e afirma que até agora não aprendeu a fazer um dos procedimentos mais comuns na odontologia. "Nunca fiz um canal. Eu faria hoje, estava muito ansioso e na expectativa, mas cancelaram o atendimento por causa de um compressor estragado", conta.

O estudante explica que a disciplina prática mais afetada é a "Clínica integrada de reabilitação oral", que tem carga horária de 70 horas, mas só tem atividades com pacientes a cada 15 dias.
"O que deveria ser aula prática está sendo substituída por aula teórica. Os professores não sabem nem mais o que passar para gente em sala", ele afirma.
Duas clínicas - Isso está ocorrendo apesar da universidade ter duas clínicas-escola onde os alunos praticam o que aprendem sob supervisão de professores e a comunidade pode ser atendida a preços acessíveis. Após mobilização dos estudantes motivada pelas condições ruins, ambas foram fechadas para reforma em julho do ano passado, mas uma segue fechada até hoje.
"Desde então, todos os atendimentos foram concentrados em apenas uma clínica, o que reduziu drasticamente as oportunidades de prática clínica para os alunos", complementa a denúncia.
A previsão de funcionamento da outra clínica é incerta. "Parece que não foi feito nada lá dentro. Colocaram até um papel na porta para não vermos como está", falou a outra estudante.
Reformada, mas com problemas - As aulas práticas quinzenais estão sujeitas ainda ao cancelamento quando equipamentos apresentam defeito, como aconteceu hoje, aumentando a insatisfação dos alunos.
Embora reformada, a primeira clínica já apresenta problemas. "Há cadeiras odontológicas com defeitos, cubas que não funcionam adequadamente, pias com vazamentos e equipamentos frequentemente apresentando falhas. Essas condições prejudicam diretamente o atendimento aos pacientes e dificultam ainda mais o aprendizado prático dos alunos", aponta também a denúncia.
Aula em auditório - Ainda de acordo com quem a reportagem ouviu sob anonimato, a Uniderp optou por unir três turmas matriculadas na disciplina teórica, o que obriga professores a ministrarem aulas no auditório. "Ficam umas 150 pessoas juntas quando isso acontece", afirma um dos estudantes.
A quantidade grande de alunos atrapalha o estágio em postos de saúde. "As sextas-feiras deveriam ser destinadas ao estágio supervisionado em unidades de saúde. No entanto, o que deveria ser um estágio prático tornou-se praticamente inexistente. A universidade reuniu estudantes de três semestres diferentes (8º, 9º e 10º), formando um grupo com aproximadamente 160 alunos, o que torna inviável a ida aos postos de saúde e compromete completamente a proposta do estágio", descreve a denúncia.
Aluguel - Os estudantes sugerem como alternativa a locação de um outro espaço enquanto a clínica em reforma não puder ser usada.
"Diante da gravidade da situação, esperamos que essa denúncia seja investigada e que medidas sejam tomadas para garantir que os estudantes tenham acesso às condições adequadas de ensino, estrutura e prática clínica necessárias para uma formação responsável na área da saúde", finaliza a denúncia.
Posição da Uniderp - O Campo Grande News questionou a assessoria de imprensa da universidade sobre a situação, que afirmou que vai se manifestar por meio de nota. O retorno não foi recebido até a publicação desta matéria.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



