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Comportamento

Com 11 vacas, produtora transforma leite em doces que cruzam o país

Com fogão a lenha e receita caseira, produção ganha espaço em feiras e novos mercados

Por Clayton Neves | 30/03/2026 06:42

No Assentamento São Pedro do Sul, em Terenos, a rotina começa cedo e gira em torno de um ingrediente principal, o leite. É dele que a produtora rural Sônia Barros tira o sustento da família e transforma, com paciência e dedicação, em uma variedade de doces artesanais que já chegaram a cidades e estados onde ela mesma nunca esteve.

Integrante da agricultura familiar desde 2014, Sônia encontrou no leite produzido na própria propriedade uma forma de agregar valor ao trabalho no campo. Com 11 vacas leiteiras, ela aproveita toda a produção e nada é desperdiçado. O leite vira doce, queijo ou requeijão, sempre com foco no sabor caseiro.

“Eu preciso transformar o leite em algo que tenha mais valor do que vender in natura”, explica.

Foi em 2018 que ela começou a produzir doces de forma mais estruturada. Segundo ela, o início veio de forma inesperada. “Eu digo que foi uma inspiração divina. As coisas foram acontecendo e me levando para esse caminho”, relembra.

Hoje, o carro-chefe da produção é o doce de leite com limão, uma combinação inusitada que conquistou o paladar dos clientes. A receita surgiu durante uma viagem para Goiânia (GO), onde Sônia trocou experiências com outros produtores. “Uma doceira me passou a receita e fui aperfeiçoando. É essa troca que faz a gente crescer”, diz.

Além dele, a banca reúne uma diversidade de sabores. Tem doce de leite puro, com coco, mamão, abóbora, versões cristalizadas e outras combinações que variam conforme as frutas da época. Tudo é feito de maneira artesanal, mantendo viva a tradição.

Com 11 vacas, produtora transforma leite em doces que cruzam o país
Produção familiar envolve o marido, Valdinei, e o filho Viyor, de 11 anos. (Foto: Clayton Neves)

O preparo exige tempo e dedicação. Para fazer um doce de leite em barra, por exemplo, são cerca de quatro horas no fogão a lenha. “É como se fazia no tempo da minha avó. Quem prova sente aquele gosto de infância”, descreve.

A produção envolve toda a família. Ao lado do marido, Valdinei, e do filho, Vítor Hugo, de 11 anos, Sônia divide as tarefas e comemora cada conquista. “Quem vai lá na propriedade vê o quanto a gente ama o que faz. É um trabalho familiar mesmo”, afirma.

Antes dos doces, a renda vinha da plantação de hortaliças como abobrinha, quiabo e melancia. Mas foi com os produtos derivados do leite que ela encontrou mais estabilidade e também reconhecimento.

Participar de feiras e eventos foi essencial para ampliar as vendas e dar visibilidade ao trabalho. “Esses espaços são vitrine para a gente. Vender é a parte mais difícil, então sair com a mala vazia é o objetivo”, comenta.

E foi assim, de feira em feira, que os doces começaram a ganhar o Brasil. Recentemente, uma venda seguiu para a Bahia, mas Sônia já perdeu a conta de quantos destinos diferentes seus produtos alcançaram. “Meu doce já foi para vários lugares do país. Às vezes chega onde eu nunca fui”, conta.

Aos poucos, ela também começa a investir no envio pelos Correios, ampliando ainda mais o alcance da produção.

Para quem compra, além do sabor, fica a experiência. Para Sônia, fica a realização. “Antes, só eu e minha família acreditávamos. Hoje, ver o doce chegando longe dá uma motivação enorme”, resume.

Com preços que começam em R$ 8, os produtos são pensados para atender diferentes públicos, desde porções individuais até quem quer levar uma lembrança maior para casa.

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