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Capital

Moradores do Noroeste convivem com enxurrada de esgoto vinda de presídio

Vazamentos perto de complexo prisional causam mau cheiro, atraem bichos e impedem a passagem de veículos

Por Maurício Aguiar e Inez Nazira | 03/09/2026 15:34
Moradores do Noroeste convivem com enxurrada de esgoto vinda de presídio
Extravasamento do esgoto acumula restos de comida, objetos e atrai mosquitos e escorpiões (Foto: Inez Nazira)

O mau cheiro e a água contaminada mudaram a rotina de quem mora na Rua Indianápolis, no bairro Noroeste, em Campo Grande. O esgoto vindo do complexo penitenciário escorre pela via, atrai animais peçonhentos e cria erosão na rua de chão batido, situação presenciada pela equipe do Campo Grande News, que esteve no local e conversou com moradores.

RESUMO

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Moradores da Rua Indianápolis, no bairro Noroeste de Campo Grande, convivem com extravasamento de esgoto proveniente do complexo penitenciário Jair Ferreira de Carvalho. O problema, que ocorre até quatro vezes por semana, causa mau cheiro, erosão na via, proliferação de mosquitos, escorpiões e cobras, além de riscos à saúde. A Águas Guariroba atribui o problema ao descarte irregular de resíduos pelos internos, enquanto a Agepen afirma que medidas corretivas já foram adotadas.

Duas quadras abaixo do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, conhecido como a Máxima de Campo Grande e o maior de MS, moradores da Rua Indianápolis contam que regularmente o esgoto que vem da penitenciária extravasa, causando enxurrada na rua e dificultando o acesso e a passagem de moradores, que precisam fazer desvios para escapar da água suja.

Estela Maria Balbueno mora no local há dois anos e conta que a rotina no local é marcada por forte odor, proliferação de pragas e destruição da via. “Aqui é um caos total. O fedor é insuportável e tem dias que a gente não aguenta. Não é o tempo todo, mas umas três ou quatro vezes por semana desce essa enxurrada. A água vem com tanta força que abriu um buraco na rua”, relata.

Segundo a moradora, o fluxo constante de dejetos afeta diretamente a saúde das crianças e o dia a dia das famílias. Com o esgoto a céu aberto, a vegetação cresce de forma desordenada, atraindo mosquitos, escorpiões e cobras. Além dos custos constantes com dedetização, Estela relembra perdas e o confinamento forçado dos filhos.

“Quando mudamos, perdemos um cachorrinho por infecção causada por algo que comeu aqui. Minhas filhas vivem 24 horas dentro de casa, não têm liberdade para brincar na areia porque tenho medo de contaminação. Se vê as crianças subindo meio-dia para ir à escola, dá uma tristeza. A gente avisa para não pisar, mas criança é inocente”, lamenta Estela, que também critica a ausência de fiscalização no local.

A sensação de abandono e a falta de soluções marcam a rotina da comunidade, segundo a cuidadora de idosos Nicole Ferreira Silva, de 21 anos. Moradora da rua há três anos, ela conta que os próprios residentes do local tentaram resolver o problema por conta própria, mas sem sucesso.

“Em nenhum momento foi solucionado, o cheiro e o vazamento já chegaram até aqui e agora está mais lá embaixo. Alguns moradores até tentaram colocar cimento e tampar por conta própria um tempo atrás, mas não adiantou nada, o vazamento continua”, afirma Nicole.

Para quem mora há mais tempo no bairro, a degradação se tornou crônica. A dona de casa Rosa Aparecida, de 42 anos, reside na região há uma década e relata que o problema se intensifica nos fins de semana e em dias quentes.

“Quando tem visita no presídio, principalmente das mulheres, a situação piora muito. Fica podre. No calor, ninguém consegue ficar na frente de casa, temos que fechar portas e janelas. As crianças que passam nessa água ficam com feridas e 'cobreiro' nas pernas”, relata Rosa.

A moradora aponta ainda prejuízos na mobilidade e lembra que o problema é antigo. “Há uns dez anos a Vigilância Sanitária esteve aqui, colheu a água e disse que a terra estava contaminada e que não podíamos morar assim. Até motorista de aplicativo se recusa a entrar na rua por causa da erosão e da água. Temos que subir até o presídio para conseguir transporte", desabafa.

Moradores do Noroeste convivem com enxurrada de esgoto vinda de presídio
Moradores alegam que quando o esgoto extravasa, a via se torna intransitável (Foto: Inez Nazira)

Procurada pela reportagem, a concessionária Águas Guariroba informou que os extravasamentos de esgoto na região do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho ocorrem, principalmente, devido ao mau uso da rede interna do presídio, provocados pelo descarte irregular de resíduos sólidos dentro da unidade penal.

A concessionária esclareceu que o complexo prisional possui um sistema próprio de coleta de esgoto, encaminhado para uma Estação Elevatória que opera dentro da normalidade, e posteriormente transportado para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Los Angeles.

Além disso, a empresa pontuou que presta apoio na desobstrução da rede interna do presídio sempre que acionada e realiza vistorias preventivas regulares em conjunto com a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), incluindo a instalação de gradil para conter o descarte de resíduos e alimentos no sistema.

Por fim, a Águas Guariroba reforçou que permanece à disposição da comunidade e orienta que registros e solicitações de intervenção sejam feitos pelos canais oficiais de atendimento, pelo telefone e WhatsApp 0800 642 0115 ou pelo site oficial da empresa.

Já a Agepen informou que o complexo penitenciário está totalmente conectado à Rede Coletora de Esgoto da Concessionária e passa regularmente por vistoria por parte de técnicos da empresa. Além disso, informou que as unidades prisionais receberam adequações com instalação de gradil para evitar que objetos e restos de alimentos descartados pelos internos caiam no sistema que capta as águas das chuvas.

O órgão disse também que realiza a limpeza regular desse sistema e que não houve mais registros de extravasamento após as medidas. Por fim, a Agepen acionou a empresa Águas Guariroba para verificar se ocorreu alguma situação pontual, para adoção de medidas conjuntas.

Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem através das redes sociais. Também é possível entrar em contato pelo canal Direto das Ruas.