MP abre inquérito para cobrar melhorias na Delegacia da Mulher de Campo Grande
Procedimento busca garantir atendimento mais eficiente e humanizado; caso Vanessa Ricarte expôs falhas
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou um inquérito civil para avaliar e propor melhorias no funcionamento da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande. A iniciativa foi formalizada pelo Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), conforme edital publicado nesta sexta-feira (29).
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
De acordo com o documento, o objetivo é adotar providências que promovam maior eficiência nos fluxos de atendimento da delegacia, especialmente na proteção de mulheres em situação de violência. O MP quer garantir que os serviços sigam padrões internacionais de proteção integral, ampliando a produtividade e a qualidade do acolhimento prestado.
- Leia Também
- Ex-companheiro confessa assassinato de paraguaia em MS por suposta traição
- Governo nomeia integrantes de grupo que irá avaliar Casa da Mulher Brasileira
Entre as medidas previstas estão o aprimoramento do registro de boletins de ocorrência, a busca por um atendimento mais humanizado e a adoção de práticas que assegurem maior transparência e responsabilização das instituições envolvidas. O texto menciona ainda a necessidade de investigações eficazes e de um modelo de gestão com governança adequada.
O inquérito foi instaurado a pedido do Ministério Público e tem como órgãos requeridos a 1ª Deam e a Delegacia-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. O promotor de Justiça Douglas Oldegaard Cavalheiro dos Santos, coordenador do Gacep, é o responsável pelo procedimento.
A medida surge em um contexto de crescente preocupação com a violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. Em junho deste ano, a jornalista Vanessa Ricarte foi assassinada a tiros pelo ex-namorado, mesmo após ter procurado ajuda na Delegacia da Mulher. O caso, que gerou comoção em todo o Estado, expôs falhas na rede de proteção e reforçou o debate sobre a necessidade de respostas mais rápidas e eficazes no enfrentamento à violência de gênero.
Até o final de agosto deste ano, o Estado já registra 24 feminicídios consumados, conforme dados consolidados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e pelo Monitor da Violência Contra a Mulher.