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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

27/04/2015 16:49

Mudança em plantões não põe fim a espera de 4h e caos em postos

Flávia Lima
Pacientes internados em centro regional de saúde (Foto: Direto das Ruas)Pacientes internados em centro regional de saúde (Foto: Direto das Ruas)
Devido a superlotação, pacientes esperam atendimento sentados do lado de fora. (Foto:Colaboração leitor)Devido a superlotação, pacientes esperam atendimento sentados do lado de fora. (Foto:Colaboração leitor)
Do lado de dentro da UBS do Guanandi, pacientes aguardam atendimento por até 4 horas. (Foto:Colaboração leitor)Do lado de dentro da UBS do Guanandi, pacientes aguardam atendimento por até 4 horas. (Foto:Colaboração leitor)

A readequação na escala dos médicos que atendem nas Unidades Básicas de Saúde e nas Unidades de Pronto Atendimento 24 horas da Capital ainda não está surtindo efeito no atendimento da população. Na Centro Regional de Saúde do Bairro Guanandi e na UPA da Vila Almeida, pacientes chegaram a esperar por quatro horas pelo atendimento, conforme constatou a equipe do Campo Grande News, que esteve nos dois locais na manhã desta segunda-feira (27).

As duas unidades são as mais movimentadas da Capital. Na UPA da Vila Almeida passam, em média, 545 pacientes por dia e na CRS do Guanandi o fluxo diário chega a 380 pessoas. E foi justamente nessa unidade que a equipe de reportagem observou a situação mais crítica, denunciada pela família da aposentada Rosana Fernandes Lopes, que está internada na UBS desde a madrugada de domingo, com sintomas de AVC (Acidente Vascular Cerebral), a espera de uma vaga em um hospital público.

Segundo uma das filhas da aposentada, a dona de casa Jenifer Lopes dos Santos, ela levou a mãe até a unidade de saúde por volta das 22 horas de ontem. Porém, ela conseguiu atendimento duas horas depois. “Durante esse período ela ficou sentada em uma cadeira, passando mal, pois não tinha nem maca para ela deitar”, disse.

Ainda conforme Jenifer, a mãe, que sofre de diabetes e hipertensão foi medicada apenas com soro. “Deram um medicamento só quando ela começou a perder a sensibilidade das pernas”, contou. Por volta da meia-noite ela foi levada para um leito na ala masculina, onde passou a noite. Impossibilitada de levantar da cama para ir ao banheiro, Rosana precisava utilizar um utensílio chamado comadre, que é colocado na cama do paciente. “Não tinha nem como ela fazer as necessidades ali porque ficou com vergonha, já que só tinham homens em sua sala”, ressaltou.

Jenifer conta que a lotação do salão de espera na noite de domingo obrigou pacientes a aguardarem o atendimento do lado de fora do posto, por falta de cadeiras, situação que se reptiu nesta segunda-feira.

Na manhã de hoje Rosana continuava aguardando uma vaga no hospital e mesmo a família se prontificando para levá-la a uma unidade hospitalar a fim de esperar a liberação de uma vaga, não havia ambulância para realizar o transporte.

Mas o drama da espera pelo atendimento não foi vivenciado apenas pela família de Rosana. A aposentada Maria das Graças Soares chegou às 8 horas de hoje e só por volta das 11 horas conseguiu o diagnóstico de infecção intestinal. “Cheguei quase desmaiando e não tinha nem cadeira para sentar”, enfatiza.

Com a reformulação na escala de plantão, o previsto era que o posto tivesse seis clínicos das 7 horas da manhã até a meia-noite, mas segundo a família da aposentada Rosana Lopes, havia apenas dois médicos hoje de manhã.

Já na UPA da Vila Almeida, que prevê um novo plantão com seis clínicos gerais, havia agilidade no atendimento apenas de crianças e idosos. A dona-de-casa Marcia Ferreira Lemes disse que observou apenas metade dos médicos previstos enquanto aguardava atendimento para o marido, que estava com uma infecção no braço. Ela havia chegado na unidade por volta das 10 horas, mas até 12h30 o casal não havia sido atendido.

Com fortes dores devido a uma infecção urinária, a diarista Marcia Lima aguardou por quatro horas o atendimento. “O ruim é que tive que trazer minha filha porque não tinha com quem deixar e aqui ela pode ficar doente também”, destacou.

 

A aposentada Maria das Graças Soares conta que chegou no posto do Guanandi passando mal, mas não havia nem cadeira para sentar. (Foto:Alcides Neto)A aposentada Maria das Graças Soares conta que chegou no posto do Guanandi passando mal, mas não havia nem cadeira para sentar. (Foto:Alcides Neto)
Família da aposentada Rosana Lopes não conseguiu nem ambulância para transferí-la a um hospital. (Foto:Alcides Neto).Família da aposentada Rosana Lopes não conseguiu nem ambulância para transferí-la a um hospital. (Foto:Alcides Neto).

Plantões - A nova escala de plantões foi determinada pela Secretaria Municipal de Saúde Pública após resolução publicada na edição da última quinta-feira (24) do Diário Oficial, que promove a readequação da escala de plantão dos médicos nas três UPAS e seis Centros Regionais de Saúde.

Segundo o secretário de Saúde, Jamal Salem, comentou semana passada, o objetivo do novo esquema de plantões é reforçar com mais um clínico geral os horários em que há maior fluxo de pacientes.

Pela nova escala, a UPA Coronel Antonino, por exemplo, que registra a maior média diária de atendimento da rede, com 590 consultas, passará a ter 11 plantonistas (6 clínicos e 5 pediatras), das 19 horas a meia-noite. Pelo sistema anterior, a escala previa 5 clínicos e 4 pediatras. Já durante o turno da madrugada e início da manhã do dia seguinte, o número de clínicos gerais será reduzido a três, sendo mantida a mesma equipe de pediatras.

De acordo com a diretora de Assistência à Saúde da Secretaria, Ana Paula de Lima, a opção por esta estruturação dos plantões levou em conta que mais de 80% do atendimento nas unidades 24 horas é concentrado entre 7 e 9 horas.

Após esse horário, segundo ela, o fluxo cai, situação que se estende ao período vespertino. O movimento só volta aumentar no início do plantão noturno, às 19 horas, se mantendo alto até por volta das 22h30. Deste horário até às 7 horas da manhã do dia seguinte, as unidades ficam praticamente vazias.

“Nunca vi esse posto vazio. Passamos a noite de ontem aqui e voltamos às 7 da manhã e a situação foi a mesma durante toda a manhã”, contestou Marilene Lopes, irmã da aposentada Rosana Lopes, que estava no centro de saúde do Bairro Guanandi.

Segundo declaração do secretário Jamal Salem, dada no dia da alteração dos plantões, as UPAs da Capital estão com estrutura de atendimento maior que a recomendada pelo Ministério da Saúde. A do Coronel Antonino, que é de Porte III, pela portaria 324/2013, para atender média 350 pacientes em 24 horas, precisaria contar com 9 médicos, sendo seis das 7h às 19 horas e três das 19 horas às 7 horas da manhã do dia seguinte, sem exigência do pediatra. Está funcionando com 22 médicos na soma dos turnos.

Nos seis Centros Regionais de Saúde que atendem em média 1.718 pacientes por dia, as escalas também foram reformuladas. No posto do bairro Guanandi, o de maior movimento, no sistema anterior havia cinco clínicos gerais nos três noturnos (além de pediatras à noite). A partir de agora contará com seis clínicos das 7 hora da manhã até a meia-noite. Durante a madrugada ficarão três.

Os outros Centros (Nova Bahia, Aero Rancho, Coophavila, Moreninha III e Tiradentes) passarão a ter seis médicos durante o dia; de quatro a seis médicos das 19 horas à meia-noite, variando conforme o fluxo histórico de cada dia da semana. Durante a madrugada haverá três plantonistas.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, apesar da superlotação nos postos, o número de pacientes atendidos ainda é menor do queo registrado no mesmo período do ano passado. Ainda conforme a explicação da assessoria, o aumento do fluxo de pacientes, estimado em 30% não tem relação com a alteração nos plantões dos médicos, mas sim, com o período do ano, em que aumentam os casos ambulatoriais de menos gravidade, como as gripes.

A assessoria também afirma que houve um número alto de migração de pacientes de planos de saúde da rede privada para o SUS, além do deslocamento de pessoas do interior para a Capital. No entanto, a Secretaria de Saúde estuda os motivos da demora no atendimento e orienta a população em casos de menor gravidade, a procurar as UBSs e que o atendimento segue de acordo com a determinação publicada no Diário Oficial do dia 23 de abril.

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