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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

03/07/2014 15:19

Mulher morta a facadas demorou para denunciar ex-marido, diz delegada

Renan Nucci
Marcelo é uma pessoa agressiva, afirma delegada. (Foto: Marcos Ermínio)Marcelo é uma pessoa agressiva, afirma delegada. (Foto: Marcos Ermínio)

Denúncia "precoce" poderia ter evitado o crime que resultou na morte de Cristiane Ferreira da Silva, de 31 anos, afirma a delegada de Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher), Rosely Molina. A dona de casa foi assassinada a facadas pelo marido Marcelo Roberto Dias Velasques, 33 anos, na noite de ontem (2), na região da Vila Danúbio Azul.

Vítima e acusado estavam juntos há dois anos. Desde o início, o relacionamento entre ambos era conturbado e as agressões por parte de Marcelo eram comuns. A mulher sofreu calada por um bom tempo, e demorou a fazer denúncia. O primeiro registro ocorreu apenas somente no dia 1° de março deste ano.

Segundo a delegada, a vítima esperou demais para acionar as autoridades. “Casos assim precisam ser denunciados o quanto antes, para que a polícia e a justiça consigam agir com eficácia”, explicou.

Após a denúncia, Marcelo foi preso e condenado. Ele ficou na cadeia por três meses até conseguir progressão na pena, sendo transferido para o regime semiaberto. Neste período, o homicida proferiu diversas ameaças contra a esposa e quando teve oportunidade, a matou.

Molina reforça que, embora não tivesse antecedentes criminais, Marcelo era uma pessoa instável, bastante agressiva e tinha um forte sentimento de posse sobre a família.

“Essa possessão exacerbada é fruto da herança cultural de que o homem é o provedor do sustento da família, e por isso, se sente dono da esposa e dos filhos. Embora os tempos estejam mudando, ainda é comum encontrar pessoas que convivam com esta ideologia”, disse ela, lembrando que na maioria dos casos, os homens que passam um tempo na cadeia por causa de violência doméstica se consecientizam, e não reincidem. "Quase todos esquecem as ex-companheiras e seguem uma nova vida. Este caso foi atípico, difícil de prever".

Marcelo esfaqueou Cristiane em frente a residência do casal, enquanto ela conversava com outro homem. O marido usou uma faca de açougueiro e fugiu para a casa de um amigo depois do crime. Ele foi preso em flagrante, e ainda de acordo com a delegada, vai responder por homicídio qualificado, por motivo fútil, já que teria cometido o crime porque suspeitava que a vítima tivesse um caso com outro homem.

“Foi instaurado inquérito para apurar todas as circunstâncias que envolveram este fato. A conclusão deve sair em dez dias. Neste período vamos conversar com testemunhas e juntar os laudos necessários”, concluiu Rosely, pedindo que as vítimas relatem as agressões, antes que seja tarde.

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Não dá pra entender como a justiça soltou esse elemento se durante o tempo preso ele ainda estava ameaçando a mulher.

A delegada colocar a culpa na vítima foi lamentável realmente.
 
Rafhael Taffarel Calegari em 04/07/2014 07:38:55
Não concordo com a delegada. Esse crime é só mais uma prova de que nosso "pré histórico" código penal precisa de reformas, urgente. A vitima já tinha medida protetiva e o infeliz saiu da cadeia, só pra matar ela. Do jeito que está, a lei Maria da Penha só fica como uma idéia, cheia de boas intenções. Não foi o primeiro, nem será o ultimo caso.
 
Marcos Figueiredo em 03/07/2014 20:14:01
E do modo como está dito, parece que a culpa é da morta. Comentário lamentável, fora de contexto ou inapropriado.
 
Adriano Magalhães em 03/07/2014 15:55:16
Discordo da delegada. Nesse caso específico que foi denunciado só em março, assim que a lei permitiu que ele saísse, matou a mulher. Cade a eficácia? Talvez se ela tivesse denunciado antes, tivesse até morrido antes. O certo é que a lei não protege de verdade em alguns casos, e esse é um deles, pois a ameaça é crime com punição pífia e mesmo a lei maria da penha destinou punição que não impediu o assassino de realizar seu intento, já avisado inclusive.
 
Adriano Magalhães em 03/07/2014 15:53:20
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