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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

03/10/2011 20:33

Mulher que faz de furto uma profissão mostra que 40% das vítimas são desatentas

Paula Maciulevicius e Nadyenka Castro

“Quando coloca a bolsa e a pessoa reclama, ela não aceitou a minha mula, se aceitar eu vou dar o xeré”, confessa autora de inúmeros furtos na região central

Profissional em furtos, Lucimar escolhe vítimas pela desatenção. Ela puxa papo e às vezes até chega a testar antes de furtar. (Foto: Divulgação)
Profissional em furtos, Lucimar escolhe vítimas pela desatenção. Ela puxa papo e às vezes até chega a testar antes de furtar. (Foto: Divulgação)

Lucimar da Cunha, 42 anos, tem nos furtos que pratica uma profissão. Como uma trabalhadora qualquer ela narra a rotina de quem sai de casa e cumpre o expediente no crime. Atenta e criteriosa, a atividade tem características que até poderiam ser consideradas qualidades, se não fossem usadas para furtar celulares e dinheiro.

O modo de agir mostra o que o mapeamento da Polícia Civil já constata, 40% dos crimes de furtos cometidos na região central acontecem por descuido das próprias vítimas.

“Eu trabalho na Rui Barbosa, onde tem mais movimento e o negócio é bom”, conta. Orgulhosa, ela admite que trabalha nos melhores pontos e que é criteriosa na escolha das vítimas. “Eu só furto mulher e objetos de dentro da bolsa. Não furto homem, nem criança, nem menor de idade”, acrescenta.

Antes de agir Lucimar observa o comportamento das vítimas e chega até a testá-las. A “especialista” encosta a própria bolsa na mulher escolhida para furtar, se ela não reclama, é porque não se importa, então vira alvo fácil para Lucimar.

“Quando coloca a bolsa e a pessoa reclama, ela não aceitou a minha mula, se aceitar eu vou dar o xeré”, confirma como quem vai dar o bote. O comportamento em ligações e como carrega os pertences não passa desapercebido dos olhos de Lucimar. “Tirou três vezes o celular é porque ela está se despedindo dele”, fala.

A tática funciona também pelo tato. Segundo a criminosa quando a bolsa é apertada e está dura é porque tem celular, se está mais macio, é bolsa com dinheiro. Na hora de pegar, ela chega a tossir para que as vítimas não percebam. “Tenho que tossir por causa do zíper, se não faz barulho”.

Em algumas situações, ela puxa assunto com a vítima e segue conversando até sentir o momento certo.

Entre os pontos preferidos de Lucimar estão a rua Rui Barbosa, Dom Aquino e Cândido Mariano, além das avenidas Afonso Pena e Mato Grosso. O Shopping Campo Grande que até pouco tempo entrava na lista de trabalho de Lucimar foi descartado e ela mesma explica o por quê.

“Agora tem várias viaturas lá por isso não fico mais lá não”, admite.

Usuária de maconha e pasta-base ela afirma que não furta homens pela dificuldade e que não tira os pertences do bolso das vítimas e nem de carros, coisa que ela deixa para o marido, que também já foi preso em agosto deste ano por furto, Valdevino Belo Barreto, 47 anos.

Além de celulares e dinheiro, ela aproveita para furtar barras de chocolate nas lojas Americanas, que depois são vendidas a R$ 10 cada três barras. “Se der R$ 50 por dia, para mim está bom”, diz sem remorso nenhum pelo que faz.

Os pontos de ônibus e até mesmo dentro dos coletivos também é foco da mulher. Ela e o marido foram presos em agosto deste ano por essa prática. Conhecida da polícia, o rosto é familiar também para os motoristas, que de cara reconhecem e costumam avisar dentro do ônibus “essa mulher rouba bolsa”, descreve.

Lucimar foi pega pela polícia na tarde desta segunda-feira, quando tentava vender um celular por R$ 150 no camelódromo. Segundo o delegado Wellington de Oliveira, policiais da 1ª Delegacia de Polícia Civil já investigavam crimes cometidos dentro do camelódromo quando viram a mulher oferecendo o celular para as pessoas.

“Quer o celular? E oferecia por R$ 150 ou até mesmo a quantia que a pessoa tivesse”, explica o delegado. A polícia também observou que ao redor, perguntavam à ela se tinha alguma coisa para vender, o que reforça que Lucimar era conhecida na região.

Depois de reconhecê-la, os policiais levaram Lucimar até a delegacia. A confirmação de que ela agia como profissional veio através de um sistema de informática, onde foi possível constatar a autoria de pelo menos 31 furtos, em que Lucimar confessou.

Mas, de acordo com o delegado, o número pode ser bem maior. A média de aparelhos furtados eram quatro por dia. “Eu já saio de casa pensando em roubar. Quando chego em casa durmo e sonho com as vítimas”, conta.

O índice de 40% dos crimes que acontecem por descuido das vítimas veio de um levantamento feito entre os meses de julho e setembro deste ano. Através de um sistema que mapeia como, que horas e onde aconteceram.

O delegado Wellington de Oliveira explica que assim que a pessoa vai e registra o Boletim de Ocorrência, essas informações são colocadas nesse sistema e as características geram um relatório, que agrupa as semelhanças nos crimes, como é caso dos furtos de Lucimar.

O fato da mulher praticar os furtos na região central, sempre de celulares ou quantias em dinheiro levou à polícia a chegar a Lucimar e reunir suas vítimas. Por meio do relatório foi possivel mapear o horário em que ela costumava agir, sempre entre 12h e 15h, em casos esporádicos, ia até mais tarde.

“Se não souber onde está o crime não tem jeito”, fala o delegado sobre a dificuldade em investigar e localizar os autores quando as vítimas não registram boletim de ocorrência.

Conhecidos da polícia - Lucimar da Cunha, 42 anos, e Valdevino Belo Barreto, 47 anos, foram presos em agosto em um hotel da rua Calógeras, área central de Campo Grande, suspeitos de mais de 100 furtos a usuários do transporte coletivo, de acordo com informações da Polícia Civil.

O casal agia em pontos de ônibus, terminais de transbordos e dentro dos coletivos. Eles seguravam uma sacola com a mão esquerda, encostava o corpo na vítima e, discretamente, com a mão direita pegava o objeto que estivesse mais fácil: carteiras, celulares, entre outros.

Lucimar permanece detida e caso as vítimas compareçam à delegacia e a reconheçam ou registrem boletim de ocorrência, a mulher vai ficar presa, ou ainda pode ser solta e um inquérito será instaurado e a autora dos furtos indiciada.



AMANHA TA NA RUA
ISSO E UM ABSURDO
 
jose artigas em 04/10/2011 08:19:50
Enquanto não for revisto o código penal, com penas mais rigorosas a tendência detes tipos de furto é aumentar; porque não aplicar para esses profissionais do crime, para que fiquem profissionais em trabalhos forçados e sem remuneração, para que o fruto do seu trabalho repare o dano causado as vitimas e pague sua estadía prisional.Só assim talvez as intimidaríam
 
porfirio vilela em 03/10/2011 10:47:22
Nossa,eu sempre vi essa mulher na Rui Barbosa e principalmente la no shopping!!! que loucuraa.....
 
Ariane Ribeiro em 03/10/2011 10:41:38
Essa malandra é conhecida no centro da cidade. Já a vi várias vezes nas proximidades do HSBC da rua Dom Aquino. Por duas vezes, ela teve a cara de pau de me pedir "ajuda". Dei-lhe um bom esculacho e mandei ir trabalhar, mas, vi várias pessoas dando dinheiro a ela. Só não entendo porque a polícia demora tanto para descobrir isso.
 
Hilda França em 03/10/2011 09:41:51
Para ajudar a polícia a mapear os pontos de maior ocorrência e, tipos de crimes, é imprescindível que a população registre um B.O.. Porém para a população, também é imprescindível que o sistema de informática da polícia esteja no ar e seja atendido em menos tempo, o que demora muito e acaba fazendo com que o registro do crime não seja feito.
 
Wellington Sampaio em 03/10/2011 09:12:42
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