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Capital

“Não conseguimos fazer nada direito" crítica infectologista sobre restrições

Apresentando diversos estudos, médico disse que reduzir a mobilidade é a chave para combater contágio

Por Clayton Neves | 31/03/2021 13:01
Julio Croda apresentando estudo durante debate na manhã desta quarta-feira (Foto: Reprodução)
Julio Croda apresentando estudo durante debate na manhã desta quarta-feira (Foto: Reprodução)

Durante debate com representante do comércio, o médico infectologista Julio Croda criticou falta de empenho no cumprimento de medidas restritivas impostas para frear o avanço da covid-19. Em alerta, o especialista afirmou que, caso as restrições não sejam levadas a sério e a vacinação acelerada, em breve haverá nova necessidade de fechamento do comércio.

“O cenário é de tragédia, de calamidade pública e a gente não consegue fazer nada direito, nem o controle da pandemia, nem a recuperação da economia mais ativa”, disse.

Croda participou de um debate proposto pela Câmara Municipal. Com ele, participou o presidente da Associação Comercial de Campo Grande, Renato Paniago, que em contrapartida, expôs as dificuldades enfrentadas pelos lojistas no período da pandemia.

Apresentando diversos estudos sobre a covid-19, o médico afirmou que “reduzir a mobilidade é a chave para reduzir o contágio”, no entanto, cobrou adesão no cumprimento das medidas. “É preciso fazer bem feito. A população precisa colaborar”, explica.

Para Croda, a preocupação com o agravamento do cenário é que pacientes vítimas da covid-19 possam morrer sem terem acesso a tratamento adequado. “A gente está caminhando para um aumento de óbitos de pacientes que vão morrer sem nenhuma assistência. É a opção que se faz quando reabre sem a contenção adequada de transmissão do vírus”, pontuou.

Já Paniago, questionou determinação de fechamento do comércio e disse acreditar que a medida é ineficiente para a contenção ao contágio. “Adotamos as medidas de biossegurança para poder trabalhar. Essas empresas geram emprego e com a população sem emprego, outras mazelas tão grandes começam a ocorreer”, relata.

O representante do comércio ainda cobrou ainda aporte financeiro às empresas durante o período da pandemia. “Não tem como falar para ficar em casa sem dar suporte social e econômico. Em outros países isso foi pago”, completa.

 No início da sessão, vereadores divulgaram dados atualizados da pandemia em Campo Grande. Pelos números, até o momento a Capital contabilizou 85.062 casos confirmados e 1867 óbitos em decorrência do novo coronavírus. Hoje  a cidade tem 599 internados, sendo que 270 estão em leitos de UTI.

A partir da discussão entre os dois especialistas, representantes da comissão de saúde da Câmara Municipal pretendem levantar discussões para elaboração de propostas de enfrentamento à covid-19 na cidade.

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