“Nem 100 anos seriam suficientes”, diz mãe após condenação por morte de menina
Crime ocorreu em 3 de maio de 2024; último acusado no caso passou por júri popular nesta quarta-feira (15)
“Nem 100 anos [de condenação] seriam suficientes”, desabafa a mãe de Aysla Carolina de Oliveira Neitzke, de 13 anos, morta a tiros em 3 de maio de 2024, após o último júri dos acusados pelo crime, realizado nesta quarta-feira (15). Adriana de Oliveira da Silva, de 39 anos, relata viver dias de angústia e luto pela perda da filha, morta por engano enquanto estava sentada com outro adolescente, Silas Ortiz Grizahay, no Jardim das Hortênsias, região sul de Campo Grande.
RESUMO
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João Vitor de Souza Mendes foi condenado a 44 anos, 5 meses e 10 dias de prisão pelo assassinato de Aysla Carolina, de 13 anos, e Silas Ortiz Grizahay, mortos por engano em Campo Grande em maio de 2024. A mãe de Aysla, Adriana, disse não ter sido notificada do julgamento e desabafou: "Nem 100 anos seriam suficientes". Outros três réus foram condenados em novembro de 2025.
Em entrevista ao Campo Grande News, Adriana contou que precisou se mudar após o crime por não suportar ver o quarto da filha vazio, sem a presença da adolescente. A mãe relata que ainda não conseguiu superar a perda e que a rotina passou a ser marcada pela ausência. "É impossível acordar e não lembrar. Ver o quarto dela, tudo, me destruía", detalhou.
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Segundo ela, a dor é constante e está presente em todos os momentos do dia. “Eu trabalho, mas não vivo. Eu sobrevivo. Foi uma perda muito grande, que eu não superei até hoje”, afirmou.
Sobre o julgamento, ela disse que sequer foi notificada de que João seria julgado nesta quarta-feira, e relata que gostaria de ter tido a oportunidade de questionar diretamente um dos acusados. “Ele disse que não vê a mãe há dois anos. E eu? Quando vou ver minha filha de novo? A mãe dele ainda pode abraçar o filho, a minha não pode mais me abraçar”, desabafou.
A mãe ainda afirmou que carrega dúvidas sobre o crime e gostaria de entender o que levou à ação que matou a adolescente. “Queria perguntar por que ele parou de atirar quando viu aquelas crianças ali. Por quê?” questionou.
Nesta quarta-feira (15), João Vitor de Souza Mendes, foi condenado a 44 anos, 5 meses e 10 dias de prisão pelo assassinato dos dois adolescentes mortos por engano, além da tentativa de homicídio de um jovem de 24 anos. Durante o julgamento, João Vitor foi apontado como o autor dos disparos, mas negou diante dos jurados que possuía arma.
O processo havia sido desmembrado após adiamento anterior motivado pela ausência do advogado de defesa, que apresentou atestado médico. No caso da tentativa de homicídio contra o jovem, a Justiça entendeu que ele quis matar, mas não conseguiu. Já nas mortes de Aysla Carolina de Oliveira Neitzke e Silas Ortiz Grizahay, a conclusão foi de que ele realmente causou a morte dos dois, e por isso foi condenado duas vezes por homicídio.

Em novembro de 2025, Rafael Mendes de Souza, Kleverton Bibiano Apolinário da Silva e Nicollas Inácio Souza da Silva sentaram no banco dos réus. De acordo com a investigação, João Vitor foi o atirador; Nicollas, o piloto da moto; Rafael, o responsável por guardar o veículo; e Kleverton, o mandante do ataque. O júri durou mais de 12 horas e levou a condenação de Kleverton a 14 anos de reclusão, Rafael a 12 anos e Nicollas há 43 anos e 20 dias, todos em regime fechado.
Na sentença, o juiz destacou que os réus “agiram com frieza e desprezo pela vida humana” e que os disparos foram feitos “em via pública e contra vítimas inocentes, o que abalou a tranquilidade social”. O texto também reconhece a reincidência de Kleverton e o envolvimento dos condenados “em contexto de grupo armado e previamente organizado”.



