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Economia

Fim da escala 6x1 pode elevar custos em até 20% dizem comerciantes da Capital

Shopping centers podem "sofrer" com rigidez operacional, mas dizem não ter plano B

Por Izabela Cavalcanti | 31/05/2026 11:44
Fim da escala 6x1 pode elevar custos em até 20% dizem comerciantes da Capital
Funcionária trabalhando em shopping de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

O fim da escala 6x1 deve trazer impactos diretos para o comércio de Campo Grande, principalmente para lojistas que atuam em shopping centers. Na avaliação da CDL-CG (Câmara dos Dirigentes Lojistas), a escala atinge esse setor no ponto mais sensível: a rigidez operacional.

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O fim da escala 6x1, aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, preocupa lojistas de shoppings de Campo Grande, que são obrigados por contrato a manter lojas abertas sete dias por semana. Representantes do setor estimam aumento de até 20% nos custos com mão de obra, possível alta de 8% nos preços, demissões e avanço da informalidade. A proposta ainda será analisada pelo Senado.

"Diferente da rua, o lojista de shopping é obrigado por contrato a abrir 12 horas por dia, 7 dias por semana. Sem a flexibilidade da 6x1, o custo de ocupação dispara porque ele precisará contratar até 20% mais funcionários apenas para cobrir folgas, sem aumentar um centavo nas vendas”, argumenta o presidente da entidade, Adelaido Vila.

A análise é alarmista, ele diz que situação também pode inviabilizar o negócio. “O maior perigo não é a redução da jornada, mas a inviabilidade do negócio. Se o custo fixo sobe e a margem some, veremos o aumento das lojas fechadas, o que prejudica a arrecadação e o emprego que a lei diz querer proteger”, pontuou.

Segundo a presidente da Associação do Lojistas do Shopping Campo Grande, Aline Queiroz, o cenário é de cautela. “O tema gera preocupação tanto entre trabalhadores, que buscam melhor qualidade de vida, quanto entre empresários, que avaliam os impactos econômicos e operacionais de uma possível redução da jornada. A postura predominante é de cautela, já que a proposta ainda depende de aprovação nas instâncias legislativas”, disse.

Apesar de o tema ainda estar em debate, o desafio é encontrar um equilíbrio. “Se houver mudanças, as empresas buscarão se adaptar, mas alguns setores, especialmente pequenas empresas, poderão enfrentar dificuldades. Essa preocupação é comum entre pequenos empresários: o desafio é encontrar um equilíbrio entre a valorização do trabalhador e a sustentabilidade dos negócios”, completou.

Além disso, ela destaca que em alguns casos a contratação será inviável. “No meu caso, administro lojas com estruturas diferentes. Em uma delas, tenho apenas três colaboradores. Dependendo do modelo aprovado, a contratação de novos funcionários poderá tornar a operação inviável”.

Ainda de acordo com ela, atualmente, cada empresa adota o horário que melhor se adapta ao seu negócio; algumas operam com 6h, outras com 8h, e há até quem trabalhe com 12h x 36h.

Fim da escala 6x1 pode elevar custos em até 20% dizem comerciantes da Capital
Trabalhador carregando carga de produtos dentro de shopping de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

O Campo Grande News também entrou em contato com o Shopping Norte Sul Plaza e com o Pátio, o shopping do Centro, mas eles não responderam sobre o assunto até a publicação desta matéria. O Shopping Bosque dos Ipês informou que ainda não vai se manifestar. Nenhum shopping repassou a quantidade de funcionários que atuam nos espaços.

Efeitos – Apesar de previsto período de transição, caso a mudança se concretize, representantes do setor insistem em impactos econômicos relevantes.

O presidente eleito da Fecomércio-MS (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul), Juliano Wertheimer, avalia que a mudança tende a pressionar os custos das empresas.

“Quando se trabalha 6 dias e passa a trabalhar apenas 5, aumenta 20% o custo da mão de obra na folha mensal. Dependendo da mão de obra naquele negócio, o impacto do preço final do produto pode ser de 3% a 8%”, destacou.

Ainda de acordo com ele, na prática, terão que ter mais contratações. “Quando diminuírem um dia, vai ter que contratar mais funcionários por um dia, acaba trazendo as empresas para a informalidade. Depois, os maiores salários, o que as empresas vão fazer? vão demitir e contratar por menores salários. Vão ser substituídos por pessoas que ganham menos”, completou.

Já para os consumidores, o primeiro impacto a ser sentido é na inflação. “Vão trabalhar menos e ganhar igual, mas aquele dinheiro vai perder no aumento da inflação. Isso é o impacto dos primeiros dias”, pontuou.

Entenda - O texto aprovado na Câmara Federal põe fim à escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos com apenas um dia de descanso, e estabelece a adoção da escala 5x2, que dá direito a duas folgas semanais.

As empresas poderão se adaptar num período de 14 meses. No entanto, 2 meses após a promulgação da futura emenda constitucional, trabalhadores contratados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) passarão a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado. A carga horária semanal cairá de 44 para 42 horas.

Depois de 1 ano da primeira redução de jornada, passará definitivamente para 40 horas semanais. Durante o período de adaptação, empresas e sindicatos poderão negociar acordos coletivos para reorganizar horários e escalas, desde que respeitem os limites previstos na nova regra.

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