Neno Razuk chega a presídio da Capital onde vai dividir a cela com o primo
Preso na Bolívia, ex-deputado foi trazido para Campo Grande pelo Gaeco sem passar por audiência de custódia
O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno, acaba de chegar a Campo Grande e já está sob o teto do Centro de Triagem Anísio Lima, no Complexo Penal do Jardim Noroeste, onde vai dividir a cela com o primo, o advogado Rhiad Abdulahad, outro réu da 4ª fase da Operação Successione. Preso na Bolívia na noite deste domingo (2), Neno foi entregue à PF (Polícia Federal) brasileira na fronteira, em Puerto Suárez, nesta madrugada, passou pelos procedimentos de praxe em Corumbá e foi trazido para a Capital.
RESUMO
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O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno, foi preso na Bolívia e transferido para o Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande. Réu na Operação Successione, que investiga organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, ele já foi condenado a 15 anos de prisão em outro processo. A defesa alega que ele pretendia se entregar voluntariamente, mas foi detido pelas autoridades bolivianas antes de retornar ao Brasil.
O ex-parlamentar de 48 anos chegou ao CT cumprimentando com apertos de mão os servidores da carceragem e se despediu da escolta do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) com “joinha” (veja o vídeo). “Obrigado, obrigado!”, afirma Neno, trajando camiseta amarela, calça jeans e tênis claro, antes de desaparecer na imagem.
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Neno deveria participar de uma audiência de custódia marcada para as 15h desta segunda-feira (3), em Corumbá. O procedimento, porém, não ocorreu porque ele foi transferido para Campo Grande antes do horário marcado.
Em documento anexado ao auto de prisão, a PF informou que o ex-deputado já não estava sob a responsabilidade da delegacia de Corumbá. “Dessa forma, não foi possível a participação do custodiado no compromisso agendado para hoje, 03/08/2026, às 15h”, comunicou um agente federal.
A transferência foi feita sob escolta do Gaeco em um SUV Chevrolet Blazer. Já na Capital, Neno foi levado diretamente para o Centro de Triagem, uma vez que já havia passado pelo exame de corpo de delito no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) na cidade a 426 km de Campo Grande.
Pouco antes das 16h, o advogado Ricardo Souza Pereira esteve no Complexo Penal do Jardim Noroeste para tentar conversar com o cliente, mas ele ainda não havia chegado. Segundo ele, a defesa precisava verificar a situação do ex-deputado antes de definir as próximas medidas judiciais.
O advogado afirmou que não houve complicações durante os procedimentos realizados em Corumbá, mas disse que o atendimento no presídio seria retomado na manhã desta terça-feira (4), devido ao encerramento do horário reservado aos advogados.

Defesa fala em entrega voluntária – Em nota divulgada nesta segunda-feira, a defesa afirmou que Neno entrou na Bolívia em 1º de julho, antes da expedição do mandado de prisão, e que soube da ordem judicial por meio da imprensa.
Os advogados alegam que ele não se apresentou imediatamente porque ainda aguardava o julgamento de recursos na Justiça Eleitoral contra a perda do mandato de deputado estadual. Conforme a versão da defesa, uma eventual decisão favorável poderia alterar a situação processual que levou à decretação da prisão.
Após a rejeição dos recursos pelo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) e o indeferimento de uma liminar em habeas corpus, Neno teria decidido cumprir a ordem judicial voluntariamente. A defesa afirma que comunicou a intenção à Justiça e pediu a definição das condições para a apresentação.
A entrega, no entanto, não ocorreu como planejado. Antes de retornar ao território brasileiro, Neno foi abordado por autoridades bolivianas na noite de domingo e entregue à Polícia Federal na fronteira durante a madrugada.
Na Bolívia, a detenção ocorreu por ingresso e permanência irregulares no país. A Justiça brasileira já havia autorizado a inclusão do nome de Neno na Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), mas o procedimento ainda não estava concluído. Com isso, não havia mandado internacional ativo no momento da abordagem.
Os advogados informaram que vão adotar medidas para tentar derrubar a prisão preventiva. A defesa questiona a atualidade dos fundamentos usados na decisão e afirma que buscará o restabelecimento da liberdade do ex-deputado.
Operação Successione – A prisão preventiva foi decretada pelo juiz José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, após Neno perder o mandato na Assembleia Legislativa. Com a saída do cargo, ele também perdeu o foro por prerrogativa de função.
Na decisão, o magistrado considerou que a liberdade do ex-deputado representaria risco à ordem pública. O Gaeco aponta Neno como uma das lideranças de uma organização criminosa que continuaria em atividade.
Neno é réu em uma ação decorrente da Operação Successione, que investiga suspeitas de organização criminosa, roubo, corrupção, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e exploração de jogos de azar.
Em outro processo ligado à operação, ele foi condenado em primeira instância a 15 anos, sete meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Ele recorria da sentença em liberdade.
A atual prisão preventiva foi determinada em uma ação penal diferente daquela que resultou na condenação. O ex-deputado nega envolvimento nos crimes.

