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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

26/08/2018 07:43

No aniversário da cidade, você já passeou no quintal da família Pereira?

Fazenda Bálsamo, que virou museu, fica na Avenida Guaicurus, no Bairro Monte Alegre e foi doada pelo fundador José Antônio Pereira ao seu filho Antônio Luiz Pereira

Danielle Valentim
No aniversário da cidade, você já passeou no quintal da família Pereira?
Árvores centenárias dão sombra necessária para uma tarde agradável e de sossego. (Foto: Henrique Kawaminami)Árvores centenárias dão sombra necessária para uma tarde agradável e de sossego. (Foto: Henrique Kawaminami)

Aproveitar um quintal é vida, ainda mais quando se pode reviver a essência do que foi desbravar Campo Grande há mais de um século. O museu José Antônio Pereira – antiga Fazenda Bálsamo - tem espaço de sobra para garantir um dia de lazer às famílias, mas aos 119 anos da cidade, nem todo mundo já aproveitou.

A fazenda, que virou museu, fica na Avenida Guaicurus, no Bairro Monte Alegre e foi doada pelo fundador de Campo Grande José Antônio Pereira ao seu filho Antônio Luiz Pereira, que viveu na área com a esposa Ana Luiza e a filha Carlinda Pereira.

No local, doado à Prefeitura em 1966 e restaurado em 1999 para visitação pública, a pequena casa de pau-a-pique, o engenho e o monjolo, resistem ao tempo em meio a uma grande área verde.

Escultura de Luiz, a esposa e a filha. Ao fundo, a casa de pau-a-pique. (Foto: Henrique Kawaminami)Escultura de Luiz, a esposa e a filha. Ao fundo, a casa de pau-a-pique. (Foto: Henrique Kawaminami)
Monjolo usado para socar grãos. (Foto: Henrique Kawaminami)Monjolo usado para socar grãos. (Foto: Henrique Kawaminami)

Assim que o visitante chega ao local se depara com uma escultura dos antigos moradores, feita do artista plástico Índio, um dos ícones da arte sul-mato-grossense. O museu, administrado pela Prefeitura, mantém várias peças da década de 70, desconhecidas por crianças e adolescentes, que vão ao local na companhia dos pais e escolas.

Mas nem tudo fica ao lado de dentro. No quintal, tem engenho, monjolo, árvores centenárias e muita grama para aproveitar. A área tranquila, perfeita para descansar chega a receber mais de seis pessoas ao ano. Somente de janeiro a junho de 2018, cerca de quatro mil visitantes passaram pelo museu.

Cada um aproveita do jeito que quer, para estudar ou passear, brincar ou descansar, diz Jussilei. (Foto: Henrique Kawaminami)Cada um aproveita do jeito que quer, para estudar ou passear, brincar ou descansar, diz Jussilei. (Foto: Henrique Kawaminami)

Cada um aproveita do jeito que quer, para estudar ou passear, brincar ou descansar. O serviços gerais Jussilei Aparecido Kruki, de 47 anos, está no local todos os dias, há dois anos e já viu um pouco de tudo. Ele conta que o engenho é o mais chama a atenção dos pequenos, mas não tem como deixar de ver famílias se reunirem para piqueniques.

“As crianças ficam doidas quando ligam o engenho, mas esses encontros de famílias com seus filhos são muito importantes. Eles passam a tarde toda comem, brincam, aproveitam o lugar”, conta o servidor.

O cozinheiro Gilmar Lima Gamarra, de 52 anos, é visitante assíduo do “quintal”. Para ele, a oportunidade de usar a área é espetacular. “Eu morava no Nova Lima e há seis meses mudei para cá. Eu vou e levo meu neto para brincar. É espetacular poder aproveitar. Quem não conhece está perdendo”, disse.

Quem não conhece está perdendo”, disse Gilmar.(Foto: Henrique Kawaminami)Quem não conhece está perdendo”, disse Gilmar.(Foto: Henrique Kawaminami)
“Eu vou com meu avô, minha avô e minha tia, diz Artur. (Foto: Henrique Kawaminami)“Eu vou com meu avô, minha avô e minha tia", diz Artur. (Foto: Henrique Kawaminami)

Concordando com o avô, o pequeno Artur Gamara, de 5 anos, ama jogar bola no quintal do museu. “Eu vou com meu avô, minha avô e minha tia. Tem um amiguinho que também vai junto. Lá eu gosto de jogar bola”, disse.

O comerciante Nilton de Lima, de 51 anos, tem um petshop na rua do museu e pontua a importância cultural do local. “Principalmente, para quem tem filho. Aprender sobre o passado, ter um momento de lazer e ensinar as crianças. Lá no museu tem muita coisa que as crianças de hoje em dia nunca saberão o que é, como ferro, as panelas, o pilão. São coisas que só que morou em fazenda sabe. Então, tem que aproveitar, pelo menos de forma cultural”, disse.

O vendedor ambulante André Lucas Barroso, de 17 anos, já foi uma das crianças que soube aproveitar o museu. Não só para brincar, mas para aprender. “Eu moro aqui na região há 11 anos e fui uma criança que frequentava o local. É importante para aprender sobre a cidade”, disse.

Fui uma criança que frequentava o local, diz o vendedor André .(Foto: Henrique Kawaminami)Fui uma criança que frequentava o local, diz o vendedor André .(Foto: Henrique Kawaminami)
Lá no museu tem muita coisa que as crianças de hoje em dia nunca saberão o que é, pontua Nilton.(Foto: Henrique Kawaminami)"Lá no museu tem muita coisa que as crianças de hoje em dia nunca saberão o que é", pontua Nilton.(Foto: Henrique Kawaminami)

Educação patrimonial e valorização do espaço – A Prefeitura quer que o espaço seja utilizado. Segundo a secretária adjunta da Sectur (Secretaria de Cultura e Turismo de Campo Grande), Laura Miranda, o Executivo tem história e espaço, suficiente, para atender a comunidade e o turismo. 

“A gente tem historia para atender o turista e precisamos do despertar da comunidade, reforça Laura. (Foto: Henrique Kawaminami)“A gente tem historia para atender o turista e precisamos do despertar da comunidade", reforça Laura. (Foto: Henrique Kawaminami)

“A gente tem historia para atender o turista e precisamos do despertar da comunidade. Para impulsionar esse trabalho, nada melhor que envolver as crianças. A localização ainda é um empecilho, mas a prefeitura faz parceria com as secretarias de educação e Estado para trazer os pequeninos, para ensiná-los, para valorizar a história e contar quem foi José Antônio Pereira. Para trazer a comunidade também estamos estudando mudança no horário de atendimento, mais alternativo. Mas, tudo isso, necessita do despertar da comunidade”, disse.

Pai e filho - Como conta a história, pai e filho vieram de Minas Gerais em buscas de “ricas terras”, guiados pelo sertanista uberabense Manoel Pinto, que havia participado da Guerra do Paraguai.

Dois ex-escravos reconhecidos, apenas, como João Ribeira e Manoel também vieram nesta primeira viagem, que durou três meses e se encerrou, no dia 21 de Junho de 1872, na confluência de dois córregos, que mais tarde foram chamados de Prosa e Segredo.

Logo após a chegada, José Antônio retornou a Minas Gerais, buscou o restante da família, alguns amigos e voluntários – cerca de 62 pessoas – e retornou em comitiva para se fixar, definitivamente, na região no dia 23 de Junho de 1875.

O museu fica na Avenida Guaicurus, no Jardim Monte Alegre, e funciona de segunda a domingo das 9h às 17h. 

Veja abaixo imagens registradas pelo fotógrafo Henrique Kawaminami:




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