Federação pede apoio da Câmara contra descontos para o Master
Entidade que representa servidores alega que faltam transparência e explicações sobre consignados

RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Depois de entrar com uma ação na justiça contra o desconto em folha e repasse de valores de consignados de funcionários públicos ao Banco Master S.A., a Feserp/MS (Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais de Mato Grosso do Sul) buscou apoio de vereadores de Campo Grande para obter o mesmo resultado na esfera administrativa. A entidade aponta que recebe queixas constantes sobre empréstimos feitos sem contato presencial e a impossibilidade de apresentar dúvidas ou questionamentos à instituição, envolvida em escândalo de fraude financeira, situação que deixa servidores reféns por conta da retenção compulsória do valor na conta salário.
A presidente da entidade, Lilian Fernandes, ocupou a tribuna na Câmara esta manhã para relatar a dificuldade de funcionários, o superendividamento e defender a suspensão dos descontos para que os empréstimos passem por auditoria. Ela acredita que o apoio dos vereadores possa surtir efeito na esfera administrativa. A dirigente já havia contado à reportagem que foi feito um pedido de suspensão ao Governo e à Prefeitura sem sucesso, o que levou a entidade a ingressar com uma ação civil pública, cujo pedido de liminar ainda não foi analisado, estando na fase de manifestação do poder público. “Nós precisamos de vocês, porque é uma questão dos nossos servidores, para proteção patrimonial”, apelou.
Ela descreveu a situação como um problema nacional. “Isso não é só em Campo Grande, é no Brasil todo. Essas instituições financeiras se aproveitam da folha de pagamento e oferecem crédito ao servidor. Quando ele vai fazer o empréstimo, depois ele não consegue mais sair daquela situação. Não tem telefone, não tem como negociar”, contextualizou, ao apontar que o desconto em folha deixa os servidores mais vulneráveis que outros devedores.
Ela mencionou a incerteza em relação ao futuro do banco e o suposto envolvimento em fraudes, o que é apurado pela Polícia Federal, enquanto o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição. O dono do banco, Daniel Vorcaro, voltou a ser preso nesta quarta-feira e apura-se até a existência de milícia para prejudicar opositores.
“Os juros, a dívida e a situação do banco Master, com a liquidação dos bancos Master, também pesaram nisso. Em alguns casos, os servidores nem receberam o cartão. Essa dificuldade de entrar em contato com o banco também motiva a ação. Não tem telefone, não tem acesso físico, não tem atendimento.”
Há um decreto municipal sobre consignados, citado pela dirigente, que prevê exclusão de entidade em caso de descumprimento das regras. O vereador professor Juari (PSDB) apontou que é preciso checar a legitimidade da Câmara em intervir em relação ao tema. Já o petista Jean Ferreira informou que também foi procurado por servidores e cobrou posicionamento. “Eu acho que quando um banco privado se aproveita da situação que o poder público pode oferecer em relação ao consignado, a gente precisa se posicionar. Aquilo que é público tem que ser feito com muita responsabilidade.”
O colega de partido, Landmark Rios, que levou a presidente da Feserp à sessão, lembrou sobre investimento que o IMPCG (Instituto de Previdência de Campo Grande) fez no Master e o temor de que o valor não seja resgatado para compor o fundo que paga aposentadorias e pensões no serviço público da Capital. Ele apresentou um requerimento à prefeitura para que suspenda os descontos e repasses referentes ao Master e suas instituições, esclareça os servidores que não se trata de perdão a dívidas e que a medida se mantenha até que autoridades sinalizem sobre como proceder.
Ao todo, oito prefeituras no estado fizeram aplicações no Master, assunto que é investigado pelo TCE/MS (Tribunal de Contas do Estado). Luiza Ribeiro (PT) também falou sobre os investimentos do fundo municipal. Ela disse que reiterou pedido de explicações feito em novembro ao IMPCG sobre a decisão de colocar valores no banco.
A Prefeitura foi à Justiça e conseguiu autorização para não pagar valores de consignados até ser restituída dos valores investidos pelo IMPCG, realizando uma compensação. “A gente já fez o requerimento novamente na semana passada e agora estamos aguardando.” A Casa tem uma comissão com nove vereadores para acompanhar tema, criada no final de 2025.
A nova frente de investigações federais contra o Master, com as prisões cumpridas ontem, inclusive de um homem apontado como um sicário de Vorcaro e que tentou suicídio horas depois, em cela da Polícia Federal, foi lembrada por Juari. "Hoje todo mundo está preocupado com o que aconteceu com Luiz Phillipi Moraes. É algo que a gente precisa descobrir melhor com o passar do tempo", analisou. Há informações contraditórias se ele morreu ou ainda está internado com morte cerebral.

