A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

23/08/2013 16:55

Novas regras devem encarecer enterro e exigir "fraldão" de defunto

Lidiane Kober
Custo do enterro pode dobrar em Campo Grande (Foto: Pedro Peralta)Custo do enterro pode dobrar em Campo Grande (Foto: Pedro Peralta)

Vencido o contrato de concessão das funerárias na Capital, a prefeitura lançou pré-edital para mudar as regras e a população poderá desembolsar até o dobro do valor pelo sepultamento de parentes ou amigos. Além disso, o campo-grandense será obrigado a comprar “fraldão”, no valor de R$ 86, para cobrir o morto a fim de evitar a contaminação do lençol freático. As mudanças estão em discussão entre entidades e já provocam polêmica.

O encarecimento do serviço é resultado de novas taxas que a prefeitura pretende passar a exigir. Além da outorga de R$ 20 mil para as funerárias participarem da concessão, a administração municipal quer 1% dos lucros das empresas e aumentou para R$ 150 a taxa de sepultamento por corpo.

Diretora-presidente da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo), Ritva Vieira justificou a necessidade da participação dos lucros a oferta de um “serviço com mais qualidade”. Segundo ela, o recurso ficará nos cofres da agência a fim de patrocinar o “acompanhamento e fiscalização do contrato e para receber as reclamações do cidadão”.

Sobre o aumento da taxa de sepultamento por corpo, Ritva explicou que vai de encontro a pleito de empresas menores que se sentiam prejudicadas com a atual cobrança. “Quem enterrava menos pessoas, pagava mais”, disse. O valor, segunda ela, varia de R$ 74 a R$ 120 e, agora, a proposta é unificar para R$ 150. O reajuste é de até 102%. 

Integrante do conselho responsável pela avaliação do pré-edital apresentado pela prefeitura, o coordenador de meio ambiente do Cedampo, Haroldo Borralho, questiona as cobranças. “Vai ficar muito caro para a população”, justificou. Pelos seus cálculos, hoje, o campo-grandense gasta de R$ 1 mil a R$ 2 mil para enterrar um adulto. “Com as novas taxas, o serviço custará no mínimo R$ 2 mil”, estimou. “É um aumento substancial”, concluiu.

No edital, a prefeitura promete que o custo do enterro de um adulto será de R$ 840 a no máximo R$ 2,1 mil, sem contar o gasto com a capela para o velório, que deve variar de R$ 280 a R$ 560. “Na prática isso não é cumprido, ninguém vai conseguir enterrar um adulto por esse preço com essas novas taxas”, comentou Borralho.

Fraldão – Com a justificativa de evitar a contaminação do lençol freático, a prefeitura também propõe a exigência de cada corpo ser enterrado com um “fraldão” para segurar chorume que, com o tempo, sai do cadáver. “Nossa cidade é rica em lençóis freáticos, são 33 córregos e alguns muito próximos dos cemitérios”, frisou Ritva.

Borralho, por sua vez, entende que a maioria da população não tem condições de pagar R$ 86 pelo “fraldão”. “Além disso, só uma empresa no Brasil oferece o serviço, vamos ficar reféns dela”, ponderou. Ele frisou ainda que grande parte dos buracos nos cemitérios da Capital são concretados. “Temos estudos de universidades que informam que, mesmo com o concreto, é possível a contaminação” rebateu Ritva.

Também pode impactar no preço do sepultamento a necessidade de as funerárias abrirem um ponto de incineração dos restos mortais. “Hoje tudo é jogado dentro do cruzeiro, um ossário no centro do cemitério”, contou Borralho. “Vamos propor a criação de um local de incineração para não contaminar o lençol freático”, explicou. “Isso vai acabar encarecendo o custo do fúnebre”, concluiu.

Vencido – Segundo Borralho, há pelo menos 20 anos as regras de sepultamento não passam por mudanças em Campo Grande. “O contrato de concessão venceu em fevereiro, a prefeitura prorrogou por seis meses e, agora, por mais 90 dias para o edital ser construído”, informou.

Ainda de acordo com ele, a administração municipal entregou ontem (22) ao conselho o pré-edital e quer uma resposta até 2 de setembro para lançar, na sequência, a licitação. “Defendo a realização de uma audiência pública para promover uma ampla discussão com a sociedade”, disse o coordenador de meio ambiente.

Da parte da prefeitura, Ritva garante que o pré-edital levou em consideração a “preocupação com o social e o meio ambiente”. “Antes, o enterro social era realizado sem flores, sem coroas, sem a mínima dignidade, agora, eles terão os mesmos diretos de todos”, ressaltou. Ainda de acordo com a proposta, pelo menos 20 empresas serão selecionadas para realizar o serviço na Capital.

O conselho, responsável pela discussão do edital, envolve representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), da Associação Comercial, de conselhos regionais, entre outras entidades.

Licitação de funerárias foi cancelada por causa de cobrança ilegal
Quem teve que pagar pela preparação de corpo de familiar para funeral (tanatopraxia) em Campo Grande pode ser ressarcido, já que vistoria da Agereg (...
Conselho cancela licitação polêmica e "estica" 14 contratos de funerárias
O Conselho Municipal de Regulação de Serviços aprovou, na quinta-feira, o cancelamento da licitação que iria selecionar as 20 empresas que teriam o d...


Caramba! Até para morrer nós pagamos imposto??? Com tanta arrecadação, onde vai nosso dinheiro??? Teremos que voltar para as ruas, será que não???
 
Diego Fremiot em 25/08/2013 18:34:18
Campo Grande precisa urgente de outra alternativa
. A prefeitura e empresários precisam agilizar a construção de um crematório.
 
VERA MARIA MEYER em 24/08/2013 11:19:59
Até quando os interesses "religiosos" leia-se econômicos vão estar em tela? o meio ambiente não tem mais capacidade filtrante e de regeneração com tantos cadáveres sendo postos para decomposição? A cremação com os cuidados específicos (filtros) é a solução para preservação das terras e dos lençóis freáticos além de nos proteger das doenças.
 
CLAUDIO MOREIRA em 24/08/2013 08:28:18
Ta na hora do Sul Matogrossensse ter um crematorio e mais simples e acaba com todos esses problemas
 
Liliany Mendonça em 24/08/2013 08:27:08
aff nao podemos nen morrer mais.......pq não existe crematorio aqui em campo grande,,,não seria mais facil......
 
luiz carlos em 24/08/2013 07:38:27
Até na hora da morte, eles querem arrancar nosso coro!!!!!
Tá caro até pra morrer nesse país, melhor ficar por aqui mesmo. kkkkkk
 
João Silva em 23/08/2013 20:31:08
Essa historia do "fraldão" é sem sentido. Os cemitérios de Campo Grande, MS não são vulneráveis à contaminação do lençol freático.
É um elemento desnecessário e precisa ser discutido.
 
Antonio Carlos Silva Sampaio em 23/08/2013 19:56:16
pelo menos uma coisa boa o prefeito vai fazer em campo grande, os pobres e necessitados não vão poder morrer mais, ou então caso insista em morrer terão que ser jogados para os urubus. parabéns prefeito.
 
odete oliveira lima em 23/08/2013 17:52:36
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions