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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

07/02/2012 20:50

O flagelo da droga e a nova vítima: aos 12, ela furta para comprar pasta-base

Paula Maciulevicius

Ano passado a família encontrou maconha no meio das roupas dela. A garota negou, de pé junto. Ali era o início de um vício ainda pior

A cena é desesperadora e a história também. Aos 35 anos, esta mãe vê a filha de 12 na dependência da pasta-base e furtando a própria casa e vizinhança para sustentar a prática. (Foto: Marlon Ganassin)A cena é desesperadora e a história também. Aos 35 anos, esta mãe vê a filha de 12 na dependência da pasta-base e furtando a própria casa e vizinhança para sustentar a prática. (Foto: Marlon Ganassin)

Na cama, deitada, num sono pesado e encolhida no travesseiro. De longe, uma criança magra, pequena, que não aparenta a idade que tem. A menina-mulher deixou a boneca e o aprendizado da idade de lado. O que entrou em cena na vida dela foi a dependência de drogas e, para o sustento, o crime.

A menina tem 12 anos, em dois dias completa 13. No quarto ainda há bichinhos de pelúcia e em uma das paredes o nome dela e das outras duas irmãs, mostrando a união que um dia tiveram.

A história dela veio à tona depois de uma tentativa de furto na mercearia a poucas quadras de casa, na manhã desta terça-feira, no bairro Dom Antônio Barbosa. O dinheiro do caixa só não foi parar na boca-de-fumo porque o dono ouviu o barulho ainda na madrugada e quando abriu às portas, viu no balcão uma sacola com cerca de R$ 170 e mais R$ 100 jogados ao chão. "Ela se escondeu debaixo da prateleira", relata.

O lamentável é que essa não foi a primeira vez e pode não ser a última. Os furtos começaram pelo cofre que a irmã mais velha fez para o filho bebê, de seis meses. Em seguida foram dois celulares da mesma irmã e daí por diante de notebook e roupas à dinheiro da vizinhança.

De um lado vizinhos revoltados, muitos deles vítimas dos furtos da menina. Do outro, uma mãe desesperada, que implora por ajuda para livrar a filha dependente da pasta-base aos 12 anos.

"Eu tenho medo de matarem a minha filha. Tem hora que eu não quero sair de casa. Se pudesse passava 24h do lado dela. Eu não aguento, eu só ouço que vão matar minha filha", desabafa a mãe de 35 anos.

O drama dela e das outras filhas de 17 e 21 anos começou em janeiro, na virada do ano. Segundo o relato da família, a menina tinha um comportamento sem alterações até o meio de 2011. Depois que a irmã mais velha parou de levá-la à escola, porque tinha de trabalhar, ela simplesmente largou os estudos ainda no 4º ano.

Ano passado a mãe e as irmãs encontraram maconha no meio das roupas dela. A garota negou, de pé junto. Ali era o início de um vício ainda pior.

O vício à base da troca - Num terreno além da casa da mãe, a irmã mais velha também mora ali. As casas são simples, construídas com muito esforço. De lá tudo o que podia virar droga já foi para a boca-de-fumo. "As coisas que eu acho que ela não levou é o que ela não aguenta carregar. Fogão, geladeira, porque as coisas miúdas... Celular mesmo não existe em casa. Só me resta esse, mas eu não aguento mais", detalha a mãe.

A tarde, enquanto a família relatava o que vive diariamente, a filha dormia. Era um momento de paz para aquelas três mulheres. "Agora eu fico tranquila. Ela dorme assim até amanhã. Mas depois começa tudo de novo".

A mãe levanta às 4h da manhã para o batente. Trabalha como faqueira num frigorífico. Corpo no trabalho, cabeça em casa. "Eu fico preocupada com o que pode ter acontecido, com o que vai acontecer. Não tenho ânimo para trabalhar, é tempo para ser mandada embora", diz.

O dinheiro suado está indo junto com a força da família. Nesta quarta-feira, a mãe tem que pagar R$ 150 do carregador de um notebook que a filha furtou. Na boca-de-fumo a Polícia conseguiu recuperar o aparelho, mas não os cabos de carregá-lo. Na delegacia quem firmou o compromisso de por em dia aquilo que a filha deve é a mãe. "É tirar da boca para poder pagar". A frase soa em duplo sentido, em uma trama onde o palco é o ponto de venda de droga, a palavra "boca" a que dona Maria se refere é o prato de todo dia.

"Eu vou ter que morar na rua, vender minha própria casa. Só ela que me dá esse trabalho, eu fico me perguntando por que, por que".

Há uma semana, elas pensaram que o drama ia ter fim. Quem levou a menina até as drogas e trocava os objetos furtados por ela, foi presa. Um jovem de 21 anos, pego pela Polícia por conta do envolvimento no furto do celular da irmã da garota saiu em um camburão ameaçando. "Ele disse que vai matar todo mundo. Que não vai perdoar nem o meu bebê", fala a irmã.

Nesta terça-feira a família dormiria tranquila, a menina está em casa. Sob os cuidados da mãe e das irmãs. Mas o problema delas continua. "Por ela eu encaro a boca-de-fumo. Eu vou atrás e eles dizem que ela não está lá, escondem. Meu medo é levar tiro. A gente sai à procura dela, mas não sabe se volta com ela", despeja a irmã.

"Tratamento ou o fim é o caixão. Pela idade dela, a Polícia não tem o que fazer. Eu já pensei em por uma jaula, em acorrentar. Se eu não achar ajuda, vou ter que fazer isso. Porque eu já busquei em tudo quanto foi lugar. E se vierem, que me prendam então. Eu prefiro mil vezes ver a minha filha presa do que ela morta".

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Caro Fernando Silva, os "Direitos Humanos" estão protegendo bandidos, e não pessoas trabalhadoras, aqueles que REALMENTE precisam de um apoio HUMANO. Se esta mãe cometer uma loucura, certamente os ativistas dos "Direitos Humanos" irão agir contra ela. Mas por enquanto, é apenas uma mãe que tenta salvar a filha. LAMENTÁVEL!
 
Renata Santos em 08/02/2012 12:35:42
O que esperar de uma gente que consegue reunir mais de 50 mil pessoas para uma rodada de tereré e não consegue reunir nem 100 pessoas para uma manifestação contra a corrupção nos poderes público. O dia em que o povo entender que a pior desgraça do nosso País é a corrupção, com certeza haverá mais Justiça Social para todos, sobrará dinheiro para investir e de forma honesta na Saúde e na Educação.
 
douglas lincoln em 08/02/2012 11:38:10
Marcelo Max, concordo plenamente com Janio seu comentário foi extramamente infeliz...isto é um problema social grave, as famílias buscam ajuda e encontra uma política ineficiente que nunca tem respostas claras. Sou assistente social e conheço esse problema de perto. Acredito que em nenhum momento estamos totalmente livres...você tem filhos??? reflita melhor....
 
lene ramos em 08/02/2012 11:09:10
Meu Deus!!!!quanta dor dessa família!!!! vem aí mais uma eleição, senhores candidatos sensibilizem com a dor dessa mãe e com as milhares de mães que não conseguem trabalhar tranquilas pensando que poderá chegar em casa e encontrar os filhos mortos pelo trafico. Todos os dias assistimos relatos de famílias desfaceladas pelas drogas. Ajudem-nos por Deus e por um mundo melhor.
 
lene ramos em 08/02/2012 10:59:06
Caro Marcelo Max, seu comentário é extremamente infeliz.A situação dessa mãe está clarissima: procurou ajuda e não obteve.Talvez se vc refletisse melhor sobre a situação não julgaria pessoas tão cruelmente.Lembre-se: amanhã acontecer na SUA familia.....
 
janio Silva em 08/02/2012 10:09:22
discordo de vc marcelo, as vezes a proteção da familia e grande, mas tudo acaba em um pequeno discuido de bobeira, onde sempre tem amiguinhos que dizem que fumar maconha não vicia e logo passa para a pasta base, os traficantes sempre dá a primeira dose e depois cobra a vida dos adolescentes e crianças, explora sexualmente e financeiramente até a morte ou ser apreendido, quem sofre e a familia.
 
pedro ronaldo em 08/02/2012 09:55:01
Quando foi discriminalizado o uso de entorpecentes e os usuarios passaram a ser considerados doentes, a lei diz que o governo é responsavel pelo tratamento desse usuario, o que definitivamente não acontece. O Hospital regional oferece tratamento, mas somente a base de remédios, o que sózinho não resolve o problema. Além do tratamento químico, precisa acompanhamento psicologico, social e outros ma
 
Horlando P. de Mattos em 08/02/2012 09:50:23
nos dias de hoje os pais acabao passando a maioria do tempo trabalhando.mas trabalhão para dar um conforto maior a sua familia,é nessas horas que os traficantes agem induzindo e dando drogas as crianças e aos adolescentes.para que se tornem viciados e bandidos.acho que temos que conversar com nossos filhos e mostrar a realidade das drogas.levalos para ouvir depoimentos de ex-viciados e rezar
 
RAFAEL LOPES em 08/02/2012 09:43:05
triste essa realidade, que alguem usado por Deus ajude essa familia, moçinha com o futuro inteiro na frente o poder publico infelizmente só toma atitude depois que sai uma, desgraça será que vão esperar acontecer isso p/ agirem tomara que não. Deus não permita
 
greissiele g villaba em 08/02/2012 09:31:14
Infelizmente esta é a realidade, o prefeito fica fazendo asfalto que racha, governo que manda fazer barreiras para conter água, e nada disto funciona, porque não pegar o dinheiro gasto e desviado e usa para poder ajudar familias que estão na mesma situação, paga internamento para estas crianças que desde cedo estão no vicio, isto tudo porque a nossa justiça pega uma bandido e solta.
 
francisco carlos em 08/02/2012 09:15:49
ENQUANTO AS LEIS BRASILEIRAS, ESTIVEREM SENDO CONTRÁRIA A PALAVRA DE DEUS BÍBLIA, LEIS DAS LEIS, LEI MAIOR DO MUNDO, EM QUE TODAS AUTORIDADES, LUTAM PARA DESTRUIR FAMÍLIAS, COMO DIVÓRCIO E SEPARAÇÃO, QUANDO APOIAM A DESTRUIÇÃO FAMILIAR, SOFREM OS FRUTOS, ALÉM DA PROBREZA QUE MUITOS SÃO, FICAM MAIS POBRES AINDA, OS FILHOS, TOTALMENTE A DERIVA DAS DROGAS, DEPOIS É DEPOIS, É ISSO QUE SE VÊ.
 
PEDRO BRAGA em 08/02/2012 09:09:00
Concordo com o Douglas Lincoln, o maior flagelo desse país chama-se CORRUPÇÃO. Ela leva todo o dinheiro de nossos impostos para os bolsos dos POLÍTICOS, sem contar o alto custo do excessivo número de municípios, vereadores, prefeitos, deputados e funcionários comissionados em nosso país. Não sobra nada para investir em EDUCAÇÃO, SAÚDE e SEGURANÇA. Por isso vemos notícias assim todo o dia.
 
Adriano Roberto dos Santos em 08/02/2012 01:57:24
Infelizmente minha familia ja sentiu na pele esse drama, e não há atendimento que nos ajude na rede pública, somente descaso e discriminação, vi mães desesperadas pedindo ajuda e foram ignoradas!!! é muito triste!!!
 
daniela rodrigues em 08/02/2012 01:47:12
isto é uma questao de falta de estrutura familiar!nao podemos simplismente culpar somente a mae! onde aparentemente com sua simplicidade e humildade batalha por sua filha!que por sua vez...sem sucesso!pois sabemos que nao ha um clinica publica para tratamento de dependentes!entao? o que fazer? a quem recorrer? entao antes de julga-la, é preciso saber o contexto que levou a acontecer isto!
 
keli regina em 08/02/2012 01:46:59
Esta é uma realidade presente em muitos lares. Chocante.......mas qual o caminho? O vício em crack (a pasta base, como os órgãos de imprensa insistem em definir esta maldita droga) começa já na primeira vez que se usa. A recuperação é praticamente impossível. E aí......o que fazer? Combate ostensivo ao tráfico não há ou não tem eficiência, afinal de contas a droga está aí livre pelas ruas. Estamos diante do caos e sem soluções curto prazo.
 
Antonio L B Neto em 08/02/2012 01:46:04
Sou solidária a você, tenho um caso semelhante na minha familia, a sensação é de bater forte contra a parede e não encontrar socorro, somente Deus, buscamos ajuda no conselho tutelar e na promotoria da infancia e juventude, até na igreja universal, infelizmente, não ajudaram em nada, resultado procuramos medicos psiquiatra particular, no sus não conseguimos, e internamos em uma clinica particular
 
daniela rodrigues em 08/02/2012 01:44:26
Gostaria de poder estar entrando em contato com esta mãe.
Se o Campo Grande News puder me passar um contato com esta mãe, ou informar o meu e-mail para ela, agradeço
 
Pastor Edson em 08/02/2012 01:30:28
Se a mãe procurou todos os locais que podem ajudar cade os assistentes sociais agora?? As autoridades desses órgãos poderiam verificar ao menos o que está ocorrendo.
 
Diego Souza em 08/02/2012 01:27:05
enquanto o governo federal esta preocupado com visita intima de menor infrator, não se preocupa com estrutura familiar.. por que é ai que esta o problema.
 
valdecy Gonçalves em 08/02/2012 01:04:21
Lendo esse artigo, mudo parcialmente meu ponto de vista, registrado no artigo inicial. Ta na hora, e com grande atraso, de o Poder Público entrar em cena e ajudar essa família. Daqui a pouco, por desespero e amor a filha, essa mãe "comete alguma loucura", dai certamente haverão de crucifica-la. Nessas horas também me pergunto: Onde estão os tais direitos humanos?
 
Fernando Silva em 07/02/2012 09:33:20
Se os pais não tem controle sobre os filhos, se os pais não cuidam dos filhos,... os traficantes adotam.
 
Marcelo Max em 07/02/2012 09:24:40
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