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Capital

“O nome dele é Leonel, e não Cruel”, diz mãe de faccionado preso na fronteira

Em entrevista à reportagem, Mirian, mãe de Leonel, disse que é a oportunidade para provar inocência

Por Viviane Oliveira | 26/11/2023 08:51
Mirian falou com a reportagem na manhã de sexta-feira (Foto: Paulo Francis) 
Mirian falou com a reportagem na manhã de sexta-feira (Foto: Paulo Francis)

“O nome dele é Leonel, e não Cruel. Meu filho é promessa de Deus”, disse a serviços gerais Mirian, de 51 anos, mãe de Leonel Ricardo Gonçalves Francisco, de 34 anos, que foi preso na terça-feira (21), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada por uma rua de Ponta Porã, distante 323 quilômetros de Campo Grande.

Conforme a polícia, Leonel ganhou o apelido de “Cruel do PCC”, sigla da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, por agir com extrema violência contra pessoas condenadas no “Tribunal do Crime”, muitas vezes, mutiladas e esquartejadas. Estava foragido desde março de 2021, após participar de assassinato em Campo Grande. Agora, após a prisão, deve ser expulso do Paraguai e entregue à polícia brasileira.

Na sexta-feira (24), no transporte coletivo, a caminho do trabalho, Mirian falou com a reportagem por telefone. Ela havia entrado em contato com o Campo Grande News para saber informações do filho, ao saber pela imprensa que ele tinha sido preso no país vizinho. Segundo a mãe, não falou com ele durante o período em que esteve foragido e só recebia informações, por meio de terceiros, de que ele estava bem. “Ele vivia escondido, com medo. Estou com saudades dele”, disse.

Leonoel preso pela polícia do Paraguai(Foto: Pedro Juan Digital / Rádio Império) 
Leonoel preso pela polícia do Paraguai(Foto: Pedro Juan Digital / Rádio Império)

Segundo Mirian, a polícia paraguaia não comunicou à família sobre a prisão de Leonel, situação que deixou os parentes aflitos. “Estamos aqui sem saber nada dele, sem ter notícias”, lamentou. A última informação era de que o rapaz havia sido levado para Ponta Porã.

Indagada sobre o título que deram a Leonel de “Cruel - bandido perigoso”, a mãe afirmou que é muito doloroso ouvir isso. “Meu filho não é isso que estão falando”, afirmou.

Religiosa, a mãe afirmou já saber que o filho seria preso, porque foi uma revelação de Deus. “Agora, vai ser melhor. Vamos provar a inocência dele. Ele vai voltar a ser um cidadão de bem, como antigamente”, Mirian lembrou que em 2019 o filho foi preso por tráfico de drogas e ficou 30 dias na penitenciária Jair Ferreira de Carvalho, o estabelecimento de Segurança Máxima de Campo Grande. "Não conseguiram provar nada. Ele foi inocentado dessa acusação".

Rapaz mostra a tatuagem em delegacia da Polícia Nacional (Foto: Divulgação) 
Rapaz mostra a tatuagem em delegacia da Polícia Nacional (Foto: Divulgação)

Sobre a imagem que Leonel aparece na delegacia mostrando a tatuagem com a letra P, a mãe afirmou se tratar de uma homenagem ao Palmeiras, time do coração. "Não tem nada de facção, ele tem outras tatuagens, uma que me homenageia e a outra, um crucifixo". Segundo a mãe, Leonel deixou dois filhos pequenos em Campo Grande, de 5 e 6 anos.

Prisão - Leonel foi localizado por equipes da Polícia Nacional do Paraguai no Bairro Obrero, durante abordagens de rotina. Ao ver os policiais, ele tentou fugir, mas foi detido e levado para a 3ª Comissaria. Ele era procurado pelo assassinato do servente Aguinaldo Rodrigues Silva, ocorrido em fevereiro de 2020, na capital sul-mato-grossense. Ele teria matado Aguinaldo a pauladas e ocultado o corpo.

Segundo as investigações da Polícia Civil, a morte foi a sentença imposta a Aguinaldo por ele insistir em perseguir e ameaçar a ex-mulher, Ugnelma Aparecida Britez da Silva. Ela também foi investigada por envolvimento no crime.

Leonel foi detido no início de 2021 por atraso de pensão alimentícia e ouvido sobre a morte de Aguinaldo. Entretanto, negou o crime, falou que não era faccionado e tampouco usava o apelido de “Cruel”. Logo depois, ele foi solto e fugiu para o Paraguai.

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