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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

19/09/2013 09:35

Pais são contra alimentos gordurosos e defendem Lei da Cantina Saudável

Aliny Mary Dias
Lei estadual foi derrubada por decisão do TJ/Ms publicada ontem (Foto: Marcos Ermínio)Lei estadual foi derrubada por decisão do TJ/Ms publicada ontem (Foto: Marcos Ermínio)

Entre os pais, a opinião contrária a decisão do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), que derrubou a Lei da Cantina Saudável, é unânime, todos são contra a volta de alimentos gordurosos e doces nas cantinas das escolas. A decisão foi publicada no Diário da Justiça ontem (18) após o pedido de liminar feito pela Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

A legislação municipal que proibia a venda de alimentos com alto teor de açúcar ou gordura, como salgados fritos e pirulitos, por exemplo, já havia se tornado rotina nas escolas publicas e privadas há mais de dois anos.

Para os pais, a mudança é ruim e irá contribuir para o aumento de peso e problemas de saúde das crianças e adolescentes. “Eu achei uma péssima decisão, nós fazemos de tudo para dar coisas saudáveis em casa e tínhamos esse respaldo na escola, agora eles poderão voltar a comer as porcarias”, afirma aposentada Lucia Guseling, de 63 anos, responsável por cuidar da neta de 7 anos.

A preocupação da aposentada com o aumento de peso das crianças tem fundamento, já que uma pesquisa divulgada no último mês pelo Ministério da Saúde apontou Campo Grande como a capital com maior número de adultos com sobrepeso em todo o país.

Além da obesidade, a saúde das crianças na idade escolar também é motivo de preocupação dos pais. “Muitas vezes a escola era o único lugar que eles não tinham acesso a esses alimentos, com essa liberação eu fico muito preocupada com a saúde da minha filha”, conta Ade Leite, de 44 anos.

Pais são contra volta de guloseimas nas cantinas (Foto: Marcos Ermínio)Pais são contra volta de guloseimas nas cantinas (Foto: Marcos Ermínio)

Para os alunos, por incrível que pareça, a decisão causou estranheza e dúvidas. Ariadne Rios tem 14 anos e estuda no 9º ano da Escola Municipal Arlindo Lima, no Centro da capital. A adolescente conta que entre alimentos fritos e assados, aqueles preparados sem óleo são a melhor opção.

“Eu prefiro os assados e os sucos, ao invés dos fritos e dos refrigerantes. Eu acho que deveria continuar vendendo só coisas saudáveis na cantina porque faz bem para gente”, explica a aluna.

Outra que recebeu a notícia da volta dos doces e salgados fritos nas cantinas é Taís Evelyn, de 13 anos. A aluna questionou e afirma que os colegas já estavam acostumados. “A gente até mudou as coisas que comia na escola quando pararam de vender. Agora vão voltar? Acho que nossos pais não vão gostar”, brinca a menina.

Entre os itens vetados pela lei que agora não têm mais valor estão balas, pirulitos, gomas de mascar, biscoitos recheados, refrigerantes, sucos artificiais, salgadinhos industrializados, frituras, pipoca industrializada, bebidas alcoólicas, alimentos industrializados cujo percentual de calorias provenientes de gordura saturada ultrapasse 10% (dez por cento) das calorias totais, alimentos em cuja preparação seja utilizada gordura vegetal hidrogenada.

Com todas as guloseimas novamente à disposição das crianças, alguns pais como Keila Rodrigues, de 32 anos, esperam que uma atitude seja tomada para que a lei volta a valer. “Com esses alimentos, até o risco de intoxicação deles é maior. Espero que eles repensem isso e a lei comece a valer mais rápido possível”, completa.

Alunos também são a favor dos alimentos saudáveis (Foto: Marcos Ermínio)Alunos também são a favor dos alimentos saudáveis (Foto: Marcos Ermínio)

Derrubada - A liminar, solicitada em Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) pela Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), foi concedida pelo TJ/MS. Para o tribunal, vários pontos convergem para a inconstitucionalidade da legislação. Como o fato de a lei reordenar as atividades dos órgãos de Vigilância Sanitária do município.

Neste caso, conforme a Justiça, não deveria ter sido feita por vereador, mas somente pelo prefeito. Para o tribunal, o debate sobre a alimentação nas escolas é de grande relevância. No entanto, justifica que os alimentos têm venda liberada fora do ambiente escolar.



Já estou com o saco cheio de políticos dizendo o que eu posso ou não fazer. Não posso comprar alcool decente pois eu sou burro e não sei acender churrasqueira e posso por fogo em mim ou em alguém. Não posso comer isso ou aquilo por que tem gordura. Agora é a vez das crianças. Uma lei querendo bater de frente com bilhões de reais em propaganda na televisão e na internet, vai perder. Faça uma campanha e eduque as crianças, alias a falta de educação alimentar vem de casa, é responsabilidade dos pais.
 
Alex andré de souza em 19/09/2013 14:23:43
Apesar da educação ser obrigação dos pais, eu quero que o ambiente que meu filho frequente seja o melhor possível. Sem bebidas , sem cigarros, com alimentação saudável, com segurança , etc... E o ambiente escolar influencia e muito a educação de uma criança. Por mais que vc eduque uma criança , ela ainda é uma criança e suscetível a fazer (surpresa!) criancices. E mais, muitos pais que tiveram poucos recursos e pouco estudo , precisam da orientação de alguém (nesse caso o governo).
Por isso tantas campanhas públicas : trânsito, fumo, vacinação, obesidade , etc....
Nem todo mundo teve um bom berço (cultural , não financeiro)
 
Gerson Campos em 19/09/2013 13:09:10
Quem educa são os pais! Não é parlamentar ou Entidade, que vai dizer aos meus filhos o que deve ou não consumir esse papel é dos pais! Isso vem de berço, não preciso de ninguém para educá-los, a verdade é que nós temos o mal hábito de transferir a responsabilidade para os outros, ou vamos dizer "comodidade". Eu não quero um filho "Maria vai com as outras"....
 
Cristiane Barbosa em 19/09/2013 11:26:32
Que eu saiba nenhuma escola proíbe o aluno de levar o próprio lanche para a escola. A escola não vende ele sai de lá e compra no mercado. O problema é querer fazer de nós zumbis que são todos iguais. As crianças têm que aprender desde cedo que você faz uma coisa, ou come e o outro não. Assim é o inicio do preconceito contra as diversidades. E se eu quiser mandar algo para o meu filho devo garantir a ele o direito de escolha. Conscientizar é uma coisa e proibir é lenda. Ninguém proíbe nada de ninguém.
 
Jonas filho em 19/09/2013 10:00:10
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