ACOMPANHE-NOS    
MAIO, SEGUNDA  25    CAMPO GRANDE 17º

Capital

Pandemia já transformou a rotina das funerárias para “último adeus”

Até o lanche foi suspenso durante os velórios, além da endumentária que lembra filme de ficção científica

Por Viviane Oliveira | 03/04/2020 13:28
Vestido com roupa anticontágio, agente funerário faz a desenfecção da urna (Foto Paulo Francis)
Vestido com roupa anticontágio, agente funerário faz a desenfecção da urna (Foto Paulo Francis)

Botas de borracha, luvas, macacão com touca e respirador. Esses EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) entram na rotina de agentes funerários  para o translado de casos suspeitos e confirmados de morte pelo novo coronavírus (covid-19) para evitar o contágio.

No dia 31 de março, essa operação de guerra entrou em prática pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, no enterro de Eleuzi Silva Nascimento, 64 anos. Ela morreu em hospital particular de Dourados. O caixão foi levado direto para o cemitério municipal de Batayporã, onde o corpo foi sepultado.

Ontem, a cena se repetiu em Dourados. um jovem de 21 anos foi enterrado com todos os protocolos anti contágio. Depois, o exame descartou a doença, mas antes mesmo a família decidiu que não haveria velório. O caixão foi carregado por funcionários da funerária usando roupa de proteção para evitar contágio. Familiares acompanharam o funeral à distância.

Na Capital, ainda não houve nenhuma morte por causa do vírus, mas as funerárias estão preparadas.

Segundo o dono de uma funerária em Campo Grande, Wilson de Oliveira Júnior, a prefeitura orientou velórios de duas horas e com no máximo dez pessoas na capela, respeitando a distância mínima de, pelo menos 1,5 metro entre elas, para evitar aglomeração. “É uma recomendação. Graças a Deus as famílias estão sendo compreensivas e acatando as orientações”, disse o empresário que já fez cerca de 15 velórios em meio à pandemia.

O sepultamento será direto e urna lacrada em morte suspeita pela doença ou confirmada. Sala de preparação, capela e veículos são higienizados com produtos específicos. Não há mais velório no período da noite. A tanatopraxia (preparação do corpo) não está sendo feita. Coletas de dados são realizadas por e-mail e WhatsAPP.  "A família só vem mesmo para assinar", disse Wilson.

O lanche também foi suspenso nos velórios, mesmo em casos sem relação com a covid-19. Café e água somente em copos descartáveis.

Assista no vídeo quais os procedimentos serão adotados em caso de óbito por coronavírus: