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Capital

Para quem “vive” a morte todos os dias, vacina devolve “fôlego” no trabalho

Cerca de 50 agentes funerários foram vacinados contra a covid hoje; eles se enquadram na categoria “linha de frente”

Anahi Zurutuza e Alana Portela | 01/02/2021 13:07
Agentes funerários fazem fila para receber vacina (Foto: Direto das Ruas) 
Agentes funerários fazem fila para receber vacina (Foto: Direto das Ruas)

A vacina contra covid-19 é o "fôlego" que faltou aos agentes funerários durante todo o ano de 2020. Mesmo quem trabalha com a morte todos os dias, se impressionou   com a quantidade de chamados para ir aos necrotérios de hospitais e de corpos que precisavam ser preparados para os rituais fúnebres, quando as famílias tinham o direito de se despedir.

“2020 foi um ano muito triste, foram muitas mortes. Agora, estou feliz porque é uma esperança”. A frase é de João Lemes, que “vive” há 20 anos, duas das suas 5 décadas desde o seu nascimento. Toda a experiência e frieza necessárias à profissão, não o impediram de se comover quando a disparada no número de famílias arrasadas durante a pandemia.

A chegada da vacina, para ele, representa ainda a segurança de poder trabalhar sem correr o risco de se contaminar e garantir que a própria família não fique doente.

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Nosso trabalho é ir aos hospitais, pegar o corpo, dar banho e fazer a preparação para velório. Só que o paciente de covid já vem lacrado [em saco plástico especial]. Apesar de não termos contato direto com aquele corpo, podemos ter contato com os profissionais do hospital que podem estar transmitindo, ou o ambiente contaminado. Para a gente que trabalha com a morte todos os dias, é importante tomar a dose. É ter  segurança para trabalhar, porque meu maior medo é pegar e levar para minha família”, afirma João Lemes.

O agente funerário é um dos cerca de 50 profissionais da área vacinados nessa segunda-feira (1º), na UBS (Unidade Básica de Saúde) 26 de Agosto. Junto com ele, o colega com bem menos experiência na profissão, Watila Braga Santos, 26 anos, também comemorada a primeiras dose da CoronaVac.

“Eu estava meio receoso porque não conhecia ninguém que tinha tomado a vacina, estava com medo da reação que ela poderia causar. Mas, entendo que, na nossa rotina, a gente precisa ter essa segurança. A gente precisa se resguardar para a nossa família e também para poder trabalhar”, afirma o rapaz, que trabalha em funerária há dois anos.

Os trabalhadores vacinados hoje estão entre os 69 mil profissionais de saúde em Mato Grosso do Sul que têm direito às doses nesta primeira etapa de imunização. O Campo Grande News questionou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) sobre quantos empregados de funerárias seriam vacinados na Capital, mas até o fechamento da matéria não houve retorno.

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