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Capital

Pedestre não tem vez em Campo Grande e nos bairros a situação é ainda pior

Mesmo em locais com faixa e radar, moradores relatam que motoristas ignoram a preferência de quem atravessa

Por Viviane Oliveira | 30/06/2026 11:28
Pedestre não tem vez em Campo Grande e nos bairros a situação é ainda pior
Placa no cruzamento das avenidas Costa e Silva e Eduardo Elias Zahran reforça que a prioridade na conversão é do pedestre. (Foto: Juliano Almeida)

Campo Grande tem diversos pontos onde atravessar a rua se tornou um desafio para os pedestres. Em bairros mais afastados da região central, a combinação de sinalização insuficiente, desrespeito às regras de trânsito e falta de fiscalização expõe moradores a situações de risco diariamente.

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Pedestres de Campo Grande enfrentam riscos diários para atravessar ruas devido à sinalização insuficiente, falta de fiscalização e desrespeito de motoristas às faixas de travessia. O problema ocorre tanto em bairros afastados quanto em vias movimentadas, como a Avenida Afonso Pena. A Agetran foi contactada sobre possíveis intervenções, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.

Apesar de o Centro contar com sinalização mais completa e, em alguns trechos, fiscalização constante, a situação é diferente em boa parte dos bairros. Em muitos cruzamentos faltam faixas de pedestres e, mesmo onde elas existem, é comum motoristas desrespeitarem a preferência de quem atravessa.

Mas o problema não se limita às regiões mais afastadas. Na Avenida Afonso Pena, por exemplo, uma das vias mais movimentadas da Capital, pedestres também enfrentam dificuldades para cruzar a pista, principalmente nos horários de pico e em trechos sem semáforo.

Pedestre não tem vez em Campo Grande e nos bairros a situação é ainda pior
Ana Geise tenta atravessar a Avenida Afonso Pena para chegar ao prédio onde trabalha, em frente ao Shopping Campo Grande. (Foto: Juliano Almeida)

Em frente ao Shopping Campo Grande, por exemplo, há faixa de pedestres e lombadas eletrônicas que limitam a velocidade a 50 km/h nos dois sentidos da via. Ainda assim, pedestres afirmam que muitos condutores não param para permitir a passagem.

A empregada doméstica Ana Geise Arruda, de 59 anos, desce todos os dias no ponto de ônibus em frente ao Shopping Campo Grande para seguir até o Condomínio Jatobá, onde trabalha há quatro anos. Apesar de a faixa de pedestres ficar no caminho, ela diz que evita utilizá-la por medo de ser atropelada e prefere caminhar até o semáforo.

Nesta manhã, aceitou passar pela faixa a pedido da reportagem para demonstrar o problema. "Nunca atravesso nessa faixa de pedestre, porque os motoristas não respeitam, não param", relatou. Depois de esperar por alguns minutos e sinalizar a intenção de passagem com o braço, conseguiu cruzar a avenida.

Pedestre não tem vez em Campo Grande e nos bairros a situação é ainda pior
Diarista Juscilene Gill enfrenta dificuldade diária para atravessar a avenida com segurança. (Foto: Juliano Almeida)

Situação semelhante é vivida pela diarista Juscilene Gill, de 51 anos, que cruza a Eduardo Elias Zahran com a Rua Domingos Marques, no Jardim Alegre, região da Vila Boas, entre terça e sexta-feira. Segundo ela, atravessar na faixa nem sempre é garantia de segurança.

"Às vezes um motorista para e o outro não. Eu prefiro olhar para o condutor e fazer sinal antes de atravessar, para ter certeza de que ele está me vendo. Não é só motociclista que não respeita, tem motorista também. Agora mesmo o caminhoneiro estava olhando para o celular enquanto dirigia. Nos horários de pico é pior. Tem gente com tanta pressa que parece que o pedestre não importa." Ela conta que já levou susto ao iniciar a travessia quando motocicleta passou direto, quase provocando um atropelamento.

Pedestre não tem vez em Campo Grande e nos bairros a situação é ainda pior
Nilson do Amaral Romin no cruzamento das ruas da Divisão e Rachel de Queiroz, onde não há faixa de pedestres e motoristas fazem conversões irregulares. (Foto: Juliano Almeida)

Outro ponto crítico fica no cruzamento da Rua da Divisão com a Rua Rachel de Queiroz. Além da ausência de faixa de pedestres, motoristas fazem conversões irregulares à esquerda nos dois sentidos da via, apesar da proibição. Sem fiscalização constante, moradores afirmam que a infração se tornou rotina.

Morador da região há cerca de dez anos, Nilson do Amaral Romin, de 50 anos, enfrenta o problema diariamente. "Faço esse trajeto todos os dias. É muito difícil. Aqui não tem faixa, não tem nada. A rua é muito mal sinalizada. Nos horários de pico fica ainda mais complicado, principalmente quando o movimento aumenta."

Pedestre não tem vez em Campo Grande e nos bairros a situação é ainda pior
Taxista afirma que sempre dá preferência ao pedestre e aciona o pisca-alerta para avisar os motoristas que vêm atrás (Foto: Juliano Almeida)

Outro trecho apontado por moradores é o cruzamento das avenidas Costa e Silva e Eduardo Elias Zahran, na Vila Olinda, onde há conversão livre à direita. Taxista há 35 anos, Hermando José Horácio, de 63 anos, afirma que muitos condutores deixam de respeitar os pedestres. "Eu respeito. Quando vejo um pedestre querendo atravessar, eu paro e seguro o trânsito. Tem gente que até agradece". Para alertar os demais motoristas, ele conta que costuma ligar o pisca-alerta enquanto aguarda a travessia.

De acordo com o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), o pedestre tem prioridade na faixa. Na ausência de semáforo, basta sinalizar a intenção de atravessar para que os veículos reduzam a velocidade e parem, permitindo a passagem.

Pedestre não tem vez em Campo Grande e nos bairros a situação é ainda pior
Trânsito intenso na Avenida Eduardo Elias Zahran por volta das 7h30. (Foto: Juliano Almeida)

A reportagem entrou em contato com a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) para saber se o órgão tem conhecimento das situações relatadas, se há levantamentos técnicos sobre os locais e se existe previsão de intervenções para aumentar a segurança dos pedestres, como implantação de novas faixas, reforço da sinalização e intensificação da fiscalização. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

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