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Capital

Pedidos ao Papai Noel vão de comida a emprego e emocionam

Por Luciana Brazil | 06/12/2012 14:37
Padrinhos escolhem as cartas. Mãe e filha apadrinham todos os anos. (Fotos:Rodrigo Pazinato)
Padrinhos escolhem as cartas. Mãe e filha apadrinham todos os anos. (Fotos:Rodrigo Pazinato)

Pedir ao Papai Noel um brinquedo, uma bicicleta ou um videogame é simples e mais do que compreensível. Mas pedir comida, emprego para os pais, chocolate ou até mesmo um vestido para passar o Natal revela que, parte das crianças que escreve ao bom velhinho, transforma o que é corriqueiro para alguns em artigo de luxo, digno de presente de Natal.

Nas cartinhas enviadas ao Papai Noel no projeto de fim de ano dos Correios, o desejo vai além do benefício próprio e emociona quem decide adotar as cartinhas.

“Não tem como não se emocionar. Teve uma vez que uma menina pediu um chocolate porque nunca tinha comido um”, conta a administradora de empresa Jacqueline Zarour, 44 anos.

Ela e a filha, Giovanna de 19 anos, há bastante tempo adotam as cartas ao Papai Noel. “A gente sempre adota 10 cartas, cinco são de meninos e cinco de meninas”, explica Giovanna que é empresária.

Há alguns anos atrás, uma das cartas dizia ao Papai Noel que se ele estivesse ocupado, bastaria ler uma história de Natal. “A menina pedia um presente, mas falava que se o Papai Noel estivesse muito ocupado, porque não tinha só Campo Grande, ele poderia ir até lá para ler algumas histórias de Natal. Nossa, chorei muito”, contou Giovanna.

Acostumadas a vir no início do projeto, este ano mãe e filha foram para os Correios uma semana antes de acabar o prazo para adoção. “Desta vez não tem tantos pedidos tristes porque já está no final, mas sempre tem, infelizmente”, comentou Jacqueline.

A coordenadora do ação em Mato Grosso do Sul Olga Martinez Torres explicou que as pessoas se sentem muito sensibilizadas ao lerem esses pedidos. “A gente percebe que o padrinho vem para ajudar. Se ele só quer dar um presente, pega qualquer carta, mas se o objetivo é ajudar alguém, ela escolhe uma carta que tenha esses pedidos”.

Uma carta ainda nos Correios, pede uma casa para a família. Depois de dizer que gostaria de uma bicicleta para ela e os irmãos, Stefany de sete anos, diz que gostaria mesmo é de uma casa própria, para não dormir mais no chão.

No texto, Stefany diz que a família mora de favor na casa de um tio e por isso ela está sem cama. “Queria mesmo uma casa, para não morar mais de favor e não ter mais que dormir no chão”, está escrito na cartinha.

Entre tantos pedidos e esperanças, crianças parecem adultos ao descrever, desde tão cedo, que entendem a situação financeira da mãe ou do pai. “Eu queria uma bicicleta, mas meus pais não têm condições de comprar. Já pedi outras vezes, mas eles não podem comprar”, descreveu Aline de oito anos.

Olga mostra cartas que ainda estão nos Correios à espera de um padrinho.
Olga mostra cartas que ainda estão nos Correios à espera de um padrinho.
Giovanna lembra que ao ler certas cartas é impossível evitar a emoção.
Giovanna lembra que ao ler certas cartas é impossível evitar a emoção.

“Teve uma vez que um menino de seis anos pediu uma bicicleta de adulto porque o pai estava desempregado e poderia usar a bicicleta para procurar um emprego”, informou a assessoria dos Correios.

Jacqueline se coloca no lugar das mães e com uma cartinha na mão diz: “Olha, ele está pedindo um material escolar do Luan Santana. Me diz se não vale a pena ajudar?”, disparou emocionado.

Segundo mãe e filha, alguns pedidos são emocionantes de serem realizados. “Adoro dar piscina”, disse Giovanna.  “Eu adoro dar instrumento musical, fico realizada”, disse Jacqueline.

As crianças costumam pedir muitos presentes para os irmãos, como uma criança que pediu uma chuteira para o irmão que jogava bem futebol. “Ele achava que o irmão era bom jogador e pediu uma chuteira porque achava que ele seria um bom jogador no futuro”, lembrou a empresária.

Pedidos ao Papai Noel vão de comida a emprego e emocionam

Até a manhã de hoje, 4,2 mil cartas já haviam sido entregues em Campo Grande, e no Estado o total era de 8,5 mil, totalizando 12,7 mil cartas. Mas o número de adoção ainda não passou da metade. Já foram 6,2 mil cartas apadrinhadas.
O número de padrinhos é de quase 1,8 mil no Estado, o que segundo Olga, significa que muitos padrinhos são empresas que adotam várias cartas, mas fica registrado como um padrinho.

A adoção das cartinhas teve início no dia 12 de novembro e termina no próximo sábado (8).

O Papai Noel dos Correios começou há mais de 20 anos, com uma iniciativa espontânea, como explica a coordenadora. “Os carteiros recebiam essas cartas e atendiam aos pedidos, na medida do possível”. Entre os anos de 96 e 98 o projeto foi instituído como um plano de responsabilidade da empresa.

Ajudar é fácil - Para adotar uma carta em Campo Grande, o interessado precisa ir até a agência central do Correios e escolher a carta que cabe melhor no bolso, ou aquela que mais lhe chamar atenção. Não é fornecido o endereço da criança ou do adolescente.

Para os que apadrinharem, é importante lembrar que os presentes só podem ser entregues até o dia 14 de dezembro.

Os Correios recomendam que os presentes sejam embalados com material resistente para que não haja problemas com o conteúdo do pacote. Os presentes devem ser entregues na agência onde a cartinha foi retirada, no caso de Campo Grande, na agência central, que fica na avenida Calógeras, n°2309.

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