Penhor não sai de moda, soma 115 milhões em MS e impulsiona leilões milionários
Em maio, peças que não foram recuperadas pelo dono resultaram em R$ 5,4 milhões negociados pela Caixa
“Construí minha casa com correntes”, lembra a aposentada Aparecida Maria de Silva, 71, explicando que o penhor de peças, no valor estimado em R$ 100 mil, há cerca de 30 anos, foi a moeda principal usada para concluir a obra, em Campo Grande. “Era barato, ia comprando e investindo, hoje em dia tá difícil ganhar e até pagar”, diz.
RESUMO
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A carteira de penhor da Caixa Econômica Federal em Mato Grosso do Sul registrou alta de 37 por cento em abril, somando mais de 115 milhões de reais em créditos ativos. O público feminino representa 74 por cento das operações no estado. Itens não resgatados em 30 dias vão a leilão, como ocorreu em Campo Grande, onde a venda de 890 lotes de joias movimentou mais de cinco milhões de reais. O certame apresentou ágio de 35,9 por cento sobre o valor inicial e novas licitações estão previstas.
Aparecida não tem mais correntes para recorrer ao penhor. Para ela, a modalidade deixou de ser atrativa, mas segue como saída recorrente em Mato Grosso do Sul.
Em abril deste ano, segundo a CEF (Caixa Econômica Federal), a carteira de penhor no Estado registrou alta de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando o período de janeiro a abril, houve expansão aproximada de 6% no saldo de crédito concedido, o que corresponde a um crescimento médio da ordem de 2% ao mês.
Atualmente, a carteira ativa em MS supera R$ 115 milhões em crédito concedido, distribuídos em aproximadamente 30 mil contratos ativos. Do total das operações, 74% foram feitas por mulheres.
O receio de Aparecida, de não conseguir pagar e recuperar a joia, ajuda a explicar outra ponta desse mercado: os leilões realizados pela Caixa quando os contratos vencem e não são regularizados dentro do prazo.
Em maio, a Caixa realizou uma licitação em Campo Grande com 1.170 lotes de alianças, pulseiras, brincos, colares, relógios e até escapulário. No cruzamento entre o catálogo atualizado e o relatório de resultados por CPF/CNPJ, 890 lotes aparecem como arrematados.
Os lotes vendidos tinham avaliação inicial somada de R$ 3.774.430,00. Na disputa entre os participantes, saíram por R$ 5.130.384,00 em lances. Com a tarifa de arrematação, o total chegou a R$ 5.438.207,04. A diferença entre o valor de referência e os lances foi de R$ 1.355.954,00, uma alta de aproximadamente 35,9%.
O lote de maior valor no catálogo também foi o maior arremate: um colar de ouro, com peso de 447,70 gramas. No catálogo, ele estava avaliado em R$ 99.928,00. No resultado, foi arrematado por R$ 112.228,00, chegando a R$ 118.961,68 com a tarifa.
Pelos dados cruzados, 280 lotes do catálogo não aparecem na relação final de vencedores, somando R$ 1.669.004,00 em valores de avaliação. O próprio catálogo informa que lotes ausentes da relação de vencedores correspondem a contratos regularizados pelo tomador. Ou seja, são casos em que o dono conseguiu recuperar a joia antes da venda.

Outro leilão está previsto para junho, em Corumbá, mas os lotes ainda não foram divulgados.
Até quem não trabalha com a modalidade é procurado. O proprietário da ótica e relojoaria Seiko, Cezar Nogueira, 58, diz que recebe muita procura todos os dias. “Quando veem, eu redireciono para Caixa”, conta.
Ele afirma que prefere não entrar na negociação de penhor de joias. “Isso aí tem que ser especialista, né? Porque, por exemplo, se você faz um penhor, a pessoa não quer respeitar a praça. Diferentemente com o banco oficial, quando ele faz aquele penhor, não tem choro”, avalia.
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