Polícia nega versão de defesa e investiga feminicídio em morte de fisioterapeuta
Delegado afirma que lesão não condiz com versão apresentada e que caso será apurado sob perspectiva de gênero
RESUMO
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A Polícia Civil de Campo Grande investiga a morte da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, 51 anos, encontrada com um tiro na cabeça em uma chácara na região da Chácara dos Poderes. O marido, o cardiologista João Jazbik Neto, 78 anos, foi autuado por fraude processual e posse irregular de armas. A polícia não descarta a hipótese de feminicídio e apontou inconsistências nas versões apresentadas pelo médico e por testemunhas.
A Polícia Civil afirmou nesta terça-feira (19) que encontrou inconsistências durante as investigações sobre a morte da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, e que não descarta a hipótese de feminicídio. A mulher foi encontrada com um tiro na cabeça dentro da chácara onde vivia com o marido, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
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Em vídeo divulgado nesta manhã, o delegado Leandro Santiago, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), afirmou que as primeiras versões apresentadas pelo médico e por testemunhas divergiram durante os depoimentos prestados ainda no local da ocorrência.
“A equipe dessa delegacia efetuou diligências no local. Ainda em entrevistas prévias, o suspeito e outras testemunhas que se encontravam no local divergiram nas versões apresentadas”, declarou.
Segundo o delegado, a polícia também identificou indícios de fraude processual após constatar que, depois da morte da fisioterapeuta, um armário contendo armas de fogo e munições foi retirado da casa principal e levado para outro casebre dentro da propriedade.
Conforme a investigação, a mudança teria ocorrido por determinação do cardiologista, com ajuda do caseiro e de um ex-funcionário. Os três foram autuados em flagrante por fraude processual.
Além disso, a perícia preliminar teria encontrado inconsistências entre o ferimento na cabeça da vítima e a versão apresentada pelo médico.
“Constatou-se também, através de perícia preliminar, que a lesão que a vítima tinha na região da cabeça não condizia com a versão apresentada pelo suspeito”, afirmou Leandro Santiago.
Durante as buscas na propriedade, policiais apreenderam armas longas, munições e armamentos de uso permitido e restrito. Por isso, João Jazbik Neto também foi autuado por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e de uso restrito.
O delegado afirmou ainda que a Polícia Civil irá instaurar um inquérito complementar “sob uma perspectiva de gênero” para esclarecer se a morte da fisioterapeuta foi suicídio ou feminicídio.
A nova manifestação da Deam ocorre menos de um dia após a defesa do cardiologista afirmar ao Campo Grande News que a hipótese de feminicídio havia sido descartada.

Na noite de segunda-feira (18), o advogado José Belga Trad afirmou que a participação voluntária do médico na realização do exame residuográfico teria afastado “qualquer suspeita da hipótese de feminicídio”.
Segundo ele, o médico responderia apenas pelos crimes relacionados às armas e pela fraude processual.
“Ele foi autuado pelos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso restrito e permitido e fraude processual. Aguarda audiência de custódia, marcada para a manhã de quarta (20)”, afirmou o defensor.
O advogado também declarou que João Jazbik Neto possui registro ativo como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) e negou que o cliente tenha atirado contra a esposa.
“O que eu peço para todos é que a gente dê o benefício da dúvida, que deve ser garantido a toda pessoa investigada ou acusada”, disse.
O caso aconteceu na manhã de segunda-feira (18). Conforme o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o cardiologista relatou que a esposa realizou normalmente a rotina da manhã antes de subir ao quarto do casal, localizado no andar superior da residência.
Segundo o médico, após estranhar a demora da mulher no cômodo, ele bateu na porta e não recebeu resposta. Depois, voltou para a cozinha e tentou ligar para o celular da fisioterapeuta. Pouco tempo depois, teria retornado ao quarto e encontrado Fabiola caída no chão.
Ainda conforme o registro policial, o médico acionou o ex-caseiro da propriedade, que foi quem ligou para a Polícia Militar pelo telefone 190.
Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e perícia estiveram na chácara durante toda a tarde de segunda-feira. O caso segue em investigação pela Deam.
A Central 180 funciona 24 horas, de graça, e a ligação pode ser anônima. Em caso de emergência, procure a polícia pelo 190. Violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciada.
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Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.




