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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

26/02/2016 09:25

Pessoas têm de limpar seus quintais, reforça jovem inventor de larvicida

Fernanda Yafusso
Gabriel, que ganhou vários prêmios científicos e hoje estuda na USP (Foto: Reprodução / Facebook)Gabriel, que ganhou vários prêmios científicos e hoje estuda na USP (Foto: Reprodução / Facebook)

Ganhador de diversos prêmios em programas de iniciação científica, o campo-grandense Gabriel Tiago Galdino, hoje 20 anos, aos 16 inventou um larvicida que, ao entrar em contato com a água, é capaz de em um dia matar as larvas do mosquito Aedes aegypti. A iniciativa ainda rende frutos no mundo acadêmico, mas, enquanto ela não chega ao mercado, o alerta do jovem é que, para combater as doenças transmitidas pelo inseto, as pessoas precisam de bem menos que um gênio da química e muito mais consciência do que devem fazer.

Hoje, Gabriel estuda química na USP (Universidade de São Paulo). No entanto, desde 2012, ainda aos 16 anos, o jovem chamava a atenção pela descoberta, como na época o próprio Campo Grande News mostrou, e até hoje o produto espera algum interessado em viabilizá-lo comercialmente.

"Acho bem legal saber que o meu invento ajudará muitas pessoas. Lembro que meu pai me inscreveu no programa de bolsas da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), na época eu gostava muito de matemática, mas depois que comecei a participar do projeto, fui me interessando pela química e não parei mais. Mas, não adianta nada ter um larvicida ou inseticida se as pessoas não limparem os quintais de suas casas. É preciso uma conscientização da por parte da população", conta Gabriel.

Quem explica em detalhes a invenção do garoto é o orientador dele no projeto, o pesquisador e professor Adilson Beatriz, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Segundo ele, a pesquisa iniciou em 2010 e levou quatro anos para ser concluída.

Adilscon conta que Gabriel chegou até a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) por meio de programa de iniciação científica da Fundect, chamado ICJunior.

"Quando ele chegou no grupo de estudos, nós já trabalhávamos pesquisando o líquido da casca da castanha de caju. Ele então resolveu preparar um larvicida para ver se teria resultados positivos contra as larvas do mosquito, só o óleo da casca da castanha de caju, denominado como LCC - Líquido da Casca da Castanha de Caju -, não seria eficiente para combater as larvas do mosquito Aedes aegypti, pois o óleo não se mistura com a água", explica.

Gabriel aos 16 anos, quando já tinha a receita do larvicida. (Foto: Arquivo)Gabriel aos 16 anos, quando já tinha a "receita" do larvicida. (Foto: Arquivo)
Eu me sentindo um protagonista de filme, escreveu o jovem. (Foto: Reprodução / Facebook) Eu me sentindo um protagonista de filme, escreveu o jovem. (Foto: Reprodução / Facebook)

Foi preciso então misturar a concentração com o óleo da mamona, para que pudesse obter uma espécie de sabão em pó, que seria dissolvido na água e assim obter o resultado esperado. As larvas, após o contato com o produto, em uma concentração de 20 miligramas por litro, morrem no período de 24 horas. Segundo Adilson, uma colher de sopa daria para utilizar em cerca de 300 litros de água.

"Os ingredientes são duas matérias primas abundantes no País, e o sabão produzido a partir dos dois, tem uma atividade larvicida muito forte e importante no combate ao mosquito Aedes aegypti. Atualmente não se cogita a comercialização do produto porque depende do interesse de empresa ou setor público para financiar a produção, bem como realizar testes de toxicidade em humanos, essa seria no futuro, uma outra parte do projeto", diz.

Atualmente, o jovem inventor é acadêmico do curso de Química na USP (Universidade de São Paulo), e o fato de ter sido convidado para participar do programa global, foi uma experiência muito boa. "Gostei bastante de ter sido selecionado. Me avisaram por e-mail durante as minhas nas férias e fizemos as gravações, durante uma semana em Campo Grande no mês passado", conta.

Para o pai de Gabriel, Odenir Galdino, 48 anos, o filho sempre foi muito esforçado e estudioso e a notícia da participação no programa foi surpreendente. "Ligaram para ele do programa do Huck e disseram que foi selecionado para participar do quadro por causa do invento dele. Ficamos emocionados e muito felizes, porque o invento dele é de grande importância. E saber que o nosso filho foi selecionado entre milhares de estudantes de ciência da tecnologia nos deixou felizes", relata.

Odenir conta também, que o filho aprendeu a ler com apenas quatro anos de idade e tinha uma grande facilidade para assimilar os conteúdos que estudava. Além de ser muito focado nos objetivos que tinha. "Ele começou desenvolvendo o projeto quando estudava na escola Consulesa Margarida Maksoud Trad. Depois ele se inscreveu em um projeto de iniciação científica da Fundect e conseguiu uma bolsa para desenvolver os estudos. Valeu a pena todo o esforço, estamos muito felizes", conta.

Agora, Gabriel tem a oportunidade de levar seu invento para o conhecimento de todo o Brasil. O estudante conta que foi convidado para participar do quadro Jovens Inventores, do Caldeirão do Huck, da TV Globo, para divulgar a inovação na área.



SOU MÃE DO GABRIEL E QUERO AGRADECER AO CAMPO GRANDE NEWS E A REPÓRTER FERNANDA YAFUSSO PELA A BELA REPORTAGENS BEM COMPLETA SOBRE O MEU FILHO GABRIEL E DIZER QUE É MUITO IMPORTANTE ESSE GRANDE APOIO DADO POR VOCÊS UM ABRAÇO.
 
Ana Carla H. Tiago em 26/02/2016 18:07:30
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