PM criou falso fugitivo para furtar droga apreendida em galpão, aponta MP
Denúncia traz nomes de 10 acusados de usar viatura oficial do COPE e revela bastidores de esquema
Encenação em abordagem policial para desviar parte de carregamento de drogas. Esse é o ponto central da denúncia oferecida pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) no âmbito da Operação Rota Blindada, decorrente de investigações da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Tráfico de Drogas) que resultaram na prisão de um policial penal e de um policial militar.
RESUMO
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou dez pessoas na Operação Rota Blindada, incluindo um policial militar e um policial penal, por tráfico de drogas. O PM Lucas Villegas simulou a fuga de um suspeito para afastar colegas e furtar entorpecentes de um galpão em Campo Grande. O policial penal Antonio Fernando usou viatura oficial do COPE para transportar drogas de Corumbá, recebendo R$ 50 mil pelo serviço.
A acusação detalha como o policial penal Lucas Villegas Campos simulou uma ocorrência para afastar os próprios colegas e furtar pacotes de entorpecentes que haviam acabado de chegar a um galpão na Vila Entroncamento, em Campo Grande. Ao todo, dez pessoas foram denunciadas por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
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A encenação - Segundo a peça do MPMS, no dia da abordagem ao galpão, o PM Lucas Villegas utilizava um veículo VW Jetta cinza, descaracterizado, para monitorar a chegada da droga trazida de Corumbá.
Durante a intervenção no local, o policial militar criou uma "situação artificial" ao inventar que um suspeito havia fugido pulando o muro. Acreditando no alarme do colega de farda, as demais equipes se afastaram do galpão e realizaram buscas pela região por cerca de 40 minutos.
Aproveitando a ausência dos outros policiais, Lucas carregou parte do entorpecente para o interior do seu próprio veículo. A fraude foi comprovada após a perícia analisar frame a frame um vídeo gravado no interior do galpão momentos antes da chegada da polícia, no qual constavam volumes de droga que "desapareceram" e não foram contabilizados no auto de apreensão oficial da ocorrência.
"Frete Seguro" - A droga havia chegado a Campo Grande sob a garantia do Policial Penal Antonio Fernando Martins da Silva. Em interrogatório, o servidor confessou que utilizou a viatura oficial, uma caminhonete Ford Ranger preta do COPE (Comando de Operações Penitenciárias), para realizar o trajeto de Corumbá até a Capital. Pelo "frete seguro", ele receberia R$ 50.000,00.
O trajeto foi confirmado pelo sistema AB Alerta Brasil, da PRF (Polícia Rodoviária Federal). A viatura oficial cruzou o radar do km 709 da BR-262, em Corumbá, com apenas dois minutos de diferença de um Chevrolet Ônix preto, que atuava como batedor e apoio logístico.
Denunciados - O Ministério Público detalhou a divisão de tarefas dos dez integrantes da organização criminosa, Lucas Villegas Campos (Policial Militar), era responsável pelo monitoramento, simulação de ocorrência ("falso fugitivo") e furto de parte do entorpecente. Já o policial penal Antonio Fernando Martins da Silva, o Barba, era o motorista da viatura oficial do COPE no transporte do "frete seguro".
Diogo da Cruz Alexandre foi apontado como liderança operacional que viajava como passageiro na viatura do COPE. Rodrigo de Brito Osório Moraes, era o coordenador logístico responsável por alugar o galpão na Vila Entroncamento. Diego Henrique de Souza Almeida era o guardião do entreposto; recebia R$ 2.000,00 para abrir e fechar o galpão.
Rodrigo de Souza Mattos Chalega aparece como operador logístico no manuseio e na conferência das drogas. João Victor de Arruda Batista como apoio operacional no manuseio da carga. Mário Sérgio dos Santos Soares era “olheiro"; atuava no descarregamento e em rondas de segurança no bairro.
Por fim, Joel Lopes é mais um “olheiro” e vigilante do entorno do galpão, e Luiz Otávio do Espírito Santo Valentin é apontado como responsável pelo armazenamento prévio das drogas em imóveis em Corumbá.
Fotos em celulares - As análises periciais nos telefones apreendidos reforçam as acusações do MPMS. Em depoimento, João Victor de Arruda Batista afirmou que apenas pegou uma carona até o local, mas laudos em seu celular revelaram imagens dele deitado sobre malas de skunk e portando armas de fogo.
Em outros aparelhos, a polícia encontrou registros do grupo armado cercado de tabletes de cocaína e maconha, além de conversas com geolocalizações exatas dos pontos de carregamento na fronteira.
Relembre o caso - A investigação da Polícia Civil começou em janeiro deste ano, quando a PM apreendeu entorpecentes no galpão da Vila Entroncamento. Em fevereiro, a 1ª fase da Operação Rota Blindada prendeu o policial penal Antônio Fernando por transportar a carga na viatura do COPE.
Em abril, na Operação Rota Blindada II, a Denar cumpriu novo mandado contra o 3º sargento da PM Lucas Villegas Campos, além de apreender um barco avaliado em R$ 400 mil em Corumbá. Na ocasião, Lucas já estava no Presídio Militar por envolvimento em outro desvio de drogas no Bairro Parque dos Girassóis, apurado na Operação Lealdade Corrompida.
Na época da Rota Blindada II, a Polícia Civil destacou que parte da droga do galpão havia desaparecido, mistério que a denúncia do MPMS agora elucida com a revelação do "falso fugitivo" forjado pelo policial militar.
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