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Capital

Polícia faz perícia em casa de personal que morreu 15 dias após suposto ataque

Douglas Lenon foi socorrido no dia 26 de maio em estado grave e acabou vindo a óbito na quarta-feira

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques | 12/06/2026 10:29
Polícia faz perícia em casa de personal que morreu 15 dias após suposto ataque
Seringas e agulhas apreendidas na casa do personal (Foto: Bruna Marques)

Dezessete dias após o suposto ataque sofrido pelo personal trainer Douglas Lenon Gonçalves Martins, de 39 anos, equipes da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) e da Perícia Técnica retornaram à residência da vítima na manhã desta sexta-feira (12). O homem foi socorrido no dia 26 de maio e acabou morrendo na última quarta-feira, dia 10 de junho, após duas semanas internado em estado grave na Santa Casa.

RESUMO

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Perícia realizada na residência de Douglas Lenon Gonçalves Martins, personal trainer de 39 anos morto em Campo Grande após 17 dias internado, não encontrou sinais de invasão, arrombamento ou marcas de sangue. Vizinhos confirmaram não ter percebido movimentação suspeita. A vítima, que vivia isolada e sofria de depressão, afirmou antes de desmaiar que foi espancada e recebeu injeção de insulina. Seringas foram recolhidas para análise.

Conforme apurou o Campo Grande News, não foram encontrados indícios de que o imóvel no Bairro Novos Estados tenha sido invadido, já que não havia sinais de arrombamento nas portas. Também não foram encontradas marcas de sangue na casa ou outro vestígio de um possível espancamento.

A constatação técnica coincide com o relato de vizinhos que moram ao lado e em frente à residência. Eles afirmaram que, apesar de possuírem cães que latem com qualquer movimentação suspeita na rua, nenhum barulho atípico ou sinal de arrombamento foi percebido no período que antecedeu os gritos de socorro da vítima.

Os servidores ficaram no local até por volta das 10h e saíram levando seringas e agulhas que podem ser de Douglas ou da mãe do personal, que, ainda segundo apuração jornalística, sofre de diabetes. Além disso, há a informação de que a vítima estava com depressão e outros problemas de saúde. Tudo será usado para complementar o laudo que será inserido na investigação.

De acordo com uma vizinha idosa, que mora na região há 20 anos, Douglas mantinha uma relação próxima e respeitosa com ela, a quem chamava carinhosamente de "vó". Um dia antes de ser socorrido, o personal chegou a procurá-la para pedir indicação de alguém que pudesse ajudá-lo a preparar alimentos, pois planejava assar e vender costelão.

No dia seguinte, por volta das 10h, o homem começou a gritar por socorro de dentro do imóvel. Outros moradores foram até o local e encontraram o portão aberto. A vítima estava caída no chão da varanda, segurando um aparelho celular. Antes de perder os sentidos e ser levado desacordado pelo Samu, ele apresentava falas confusas, afirmando que pessoas haviam invadido a residência, desferido agressões e injetado insulina em seu corpo.

Outras testemunhas que residem nas proximidades informaram que Douglas vivia de forma isolada, enfrentava um quadro severo de depressão e não recebia visitas. Ele havia apresentado uma perda de peso drástica recentemente e estava careca, com aparência muito diferente da de fotos antigas.

Anteriormente, ele dividia a casa com a mãe, que dependia de cuidados especiais após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral) e passar por uma traqueostomia. A idosa recebia visitas de assistentes sociais devido ao estado de saúde de ambos, mas havia sido transferida do local por familiares para um abrigo algum tempo antes.

Polícia faz perícia em casa de personal que morreu 15 dias após suposto ataque
Policiais e peritos dentro da residência na manhã desta sexta-feira (Foto: Bruna Marques)

Caso 

De acordo com o boletim de ocorrência, PM (Polícia Militar) foi acionada por volta das 13h10 do dia 26 de maio,  por equipe do hospital. O homem havia acabado de dar entrada na unidade de saúde, conduzido por uma viatura do Corpo de Bombeiros, apresentando um corte profundo no lado direito do abdômen, causado por um objeto pontiagudo.

O resgate original ocorreu na Rua Barão de Grajaú, localizada no Bairro Parque dos Novos Estados. No hospital, a médica de plantão confirmou que o quadro do paciente é crítico, com severo risco de morte, e que ele havia sofrido uma parada cardíaca decorrente das agressões.

No entanto, por volta das 16h45, a equipe de plantão da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol recebeu informações telefônicas de que, no período da manhã, um grupo de pessoas teria invadido a casa da vítima e a espancado.

Segundo as testemunhas, além das agressões, o grupo esfaqueou o homem e também aplicou diversas doses de insulina sem o consentimento da vítima. Quando o Corpo de Bombeiros chegou para prestar o atendimento inicial no imóvel, os socorristas foram alertados sobre a substância, que teria sido o estopim para o choque glicêmico e a subsequente parada cardiorrespiratória.

Histórico 

Há cinco anos, a vítima foi baleada no rosto por Tony Emerson Moretto, policial rodoviário federal, ao ser flagrado com a ex-esposa do servidor em um motel de Campo Grande. O homem era personal trainer e, após ser atingido no rosto, conseguiu correr para a Avenida Cônsul Assaf Trad, onde foi socorrido por equipe da PM.

O personal passou dias internado. Tony foi encontrado morto 2 dias depois em uma área de mata próxima à rodovia MS-040, na região das Moreninhas. Em 2023, a investigação da 4ª Delegacia de Polícia Civil concluiu que ele havia tirado a própria vida após tentar matar a ex-esposa e o então companheiro.