Frete em MS fica estável, mas metade das principais rotas tem alta em um ano
Levantamento da Conab mostra que custos operacionais e fluxo de cargas sustentam os preços
Apesar do avanço das exportações brasileiras de soja e milho em 2026, os preços do frete rodoviário em Mato Grosso do Sul mantiveram comportamento estável durante junho. Levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgado nesta terça-feira (28) no Boletim Logístico, mostra que metade das principais rotas monitoradas no estado registrou aumento nos valores em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto as demais permaneceram estáveis ou apresentaram pequenas oscilações.
RESUMO
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Levantamento da Conab divulgado nesta terça-feira (28) indica que os fretes rodoviários em Mato Grosso do Sul permaneceram estáveis em junho, sustentados pelos custos operacionais e pelo fluxo agrícola. Fatores climáticos e queda de R$ 0,10 no diesel limitaram pressões. O Brasil exportou 69,5 milhões de toneladas de soja, alta de 7,12%, e 7,9 milhões de milho, crescimento de 22,13% no semestre.
Segundo a Conab, os preços seguiram sustentados principalmente pelos custos operacionais do transporte e pelo fluxo contínuo das cargas agrícolas. Em relação a maio deste ano, foram observadas apenas variações pontuais, sem alterações significativas no mercado.
O cenário nacional também influenciou a movimentação logística. Até junho de 2026, o Brasil exportou 69,5 milhões de toneladas de soja, volume 7,12% superior ao registrado no primeiro semestre de 2025. As exportações de milho também cresceram, alcançando 7,9 milhões de toneladas, alta de 22,13% em comparação com igual período do ano anterior.
Em Mato Grosso do Sul, porém, fatores climáticos ajudaram a conter uma pressão maior sobre os fretes. As temperaturas mais baixas e as chuvas registradas em diversas regiões produtoras reduziram a perda natural de umidade dos grãos, atrasando o ritmo da colheita e da secagem durante junho. Com isso, parte da entrada da produção de inverno foi postergada, reduzindo a necessidade imediata de transporte e mantendo o equilíbrio entre a oferta de caminhões e a demanda por cargas.
Outro fator observado foi a queda de aproximadamente R$ 0,10 por litro no preço médio do óleo diesel ao longo do mês. Apesar da redução, a Conab destaca que o impacto sobre os fretes foi limitado, já que o mercado continuou sendo determinado principalmente pelo equilíbrio entre oferta e demanda de transporte, além da influência da política de pisos mínimos da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), utilizada como referência nas negociações entre transportadores e embarcadores.
Rotas monitoradas
Entre os trechos acompanhados pela Conab, as maiores altas anuais foram registradas nas rotas de Ponta Porã para Maringá (PR), com avanço de 32%, e de Sidrolândia para Maringá, com aumento de 23%.
Também apresentaram crescimento expressivo os trajetos de Ponta Porã para Rio Grande (RS), com alta de 22%, e de Maracaju para Paranaguá (PR), que avançou 20% em relação a junho de 2025.
Outras rotas registraram aumentos entre 11% e 16%, como Chapadão do Sul–Paranaguá (13%), Chapadão do Sul–Guarujá (11%), Dourados–Maringá (11%), São Gabriel do Oeste–Paranaguá (11%) e São Gabriel do Oeste–Santos (13%).
Na comparação com maio deste ano, o comportamento foi misto. Enquanto alguns trechos tiveram redução, como Maracaju–Rio Grande (-13%), Maracaju–Maringá (-5%), Chapadão do Sul–Paranaguá (-3%) e Sidrolândia–Santos (-3%), outros registraram alta, entre eles Ponta Porã–Maringá (30%), Dourados–Maringá (12%), Sidrolândia–Maringá (9%), São Gabriel do Oeste–Paranaguá (8%) e Ponta Porã–Santos (8%).
Exportações
De acordo com a Comex Stat/Secex, Mato Grosso do Sul exportou em junho 926.656 toneladas de soja e apenas 124 toneladas de milho. Mesmo com a redução natural das exportações de milho no período, o mercado interno permaneceu aquecido, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde a queda dos preços do cereal produzido em Mato Grosso do Sul estimulou compras por indústrias de proteína animal, cooperativas e fábricas de ração.
Esse movimento ampliou a demanda por transporte rodoviário para abastecimento do mercado doméstico e compensou parcialmente a diminuição do fluxo de exportações após o pico da safra de soja.
Segundo a Conab, a combinação entre as exportações ainda expressivas da oleaginosa, o início da comercialização da segunda safra de milho e o fortalecimento do mercado consumidor interno manteve a demanda por fretes em níveis equilibrados, sem provocar pressões relevantes sobre os preços no estado.
Considerando o volume conjunto de soja e milho exportado em junho, os principais corredores logísticos de escoamento da produção sul-mato-grossense tiveram como destino, em ordem de movimentação, os portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Santos (SP), Porto Murtinho (MS), Rio Grande (RS) e Vitória (ES), confirmando a predominância dos portos da Região Sul na logística de exportação dos grãos produzidos em Mato Grosso do Sul. Além disso, a participação do estado nas exportações nacionais de soja atingiu 6,39%, enquanto a de milho foi considerada irrelevante no período analisado.


