Área de Cerrado quase do tamanho de Vitória vai virar pasto e lavoura em MS
Projeto de R$ 36 milhões prevê converter 8.042 hectares da fazenda em Porto Murtinho

Um projeto de R$ 36,58 milhões prevê a supressão de 8.042,22 hectares de vegetação nativa de Cerrado na Fazenda Baguassu, em Porto Murtinho, para implantação de pastagens, lavouras e do ILP (Sistema Integrado Lavoura-Pecuária).
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Um projeto de R$ 36,58 milhões prevê a supressão de 8.042,22 hectares de Cerrado na Fazenda Baguassu, em Porto Murtinho, para implantação de pastagens, lavouras e do sistema integrado lavoura pecuária. A empresa firmou compensação ambiental de R$ 252,4 mil com o Imasul. Segundo o estudo, a área está fora do Pantanal e o licenciamento seguirá regras do bioma Cerrado.
A área corresponde a 80,42 quilômetros quadrados, o equivalente a cerca de 83% do território de Vitória (ES), que possui 97,12 km².
- Leia Também
- Imasul contrata sistema tecnológico por R$ 9,5 milhões
- MS vai reformular lei ambiental para acelerar licenças e ampliar monitoramento
Nesta terça-feira (28), o Diário Oficial do Estado publicou o Termo de Compromisso de Compensação Ambiental firmado entre a PFF Fazendas Reunidas Ltda. e o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O acordo estabelece compensação ambiental de R$ 252,4 mil, destinada às unidades de conservação estaduais.
O termo tem vigência de 48 meses e foi assinado em 22 de julho pelo diretor-presidente do Imasul, André Borges Barros de Araújo, e pelo representante da empresa, Pedro Favaretto Filho.
Segundo o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental), apresentado durante audiência pública promovida pelo Imasul em outubro de 2024, a Fazenda Baguassu possui 20.045 hectares, dos quais 4.090 hectares correspondem à Reserva Legal, 856,1 hectares são Áreas de Preservação Permanente (APPs) e 13.511 hectares permanecem cobertos por vegetação nativa.
O estudo informa que o empreendimento busca ampliar a produção de grãos e da pecuária de corte em ciclo completo por meio da implantação de um ILP, modelo que integra as atividades agrícolas e pecuárias em uma mesma área de forma planejada. Segundo o documento, o sistema incentiva a diversificação, a rotação, o consórcio e a sucessão das atividades produtivas, com o objetivo de elevar a produtividade da propriedade.
O RIMA informa que estão previstos investimentos de R$ 12,465 milhões para a execução da supressão vegetal e implantação das pastagens. Entre os serviços previstos estão a supressão da vegetação, gradagem leve, gradagem pesada e o plantio ou cobertura da área.
Fora da área da Lei do Pantanal
Embora localizada em Porto Murtinho, município que possui áreas inseridas no Pantanal, a Fazenda Baguassu está fora da AUR Pantanal (Área de Uso Restrito da Planície Pantaneira).
A conclusão resulta da comparação entre os limites da propriedade registrados no CAR (Cadastro Ambiental Rural) e o Mapa do Bioma Pantanal, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), adotado como base da Área de Uso Restrito da Planície Pantaneira pelo decreto que regulamenta a Lei Estadual nº 6.160/2023, conhecida como Lei do Pantanal.
A análise indica que tanto a fazenda quanto a área prevista para supressão estão integralmente inseridas no Bioma Cerrado, sem sobreposição ao Pantanal. Dessa forma, o processo de licenciamento ambiental segue as regras aplicáveis às áreas de Cerrado.
Empresa não comentou
Procurada pelo Campo Grande News, a PFF Fazendas Reunidas informou que não teria disponibilidade para comentar o empreendimento.
"Neste momento, não teremos disponibilidade para contribuir com informações ou entrevistas relacionadas ao tema mencionado. Agradecemos a compreensão e desejamos um bom trabalho."

