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Capital

Policial civil alega inocência e diz que viu Jamil Name "minguando" no presídio

"Sou inocente": Vladenilson Olmedo diz que não tem qualquer participação na morte de Matheus Coutinho

Silvia Frias e Aline dos Santos | 18/07/2023 15:39
O policial civil aposentado Vladenilson Olmedo, o primeiro réu a depor (Foto: Henrique Kawaminami)
O policial civil aposentado Vladenilson Olmedo, o primeiro réu a depor (Foto: Henrique Kawaminami)

O policial aposentado Vladenilson Daniel Olmedo, 64 anos, foi o primeiro réu a prestar depoimento no julgamento do processo da morte do estudante Matheus Coutinho Xavier. Negou qualquer participação no crime e citou sofrimento de ter ficado em presídio e ver amigo, no caso, Jamil Name, minguando, “morrendo devagarzinho”.

Segundo a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Olmedo era gerente da família Name, sendo responsável por receber as ordens de Jamil Name e Jamil Name Filho, o "Jamilzinho", e repassá-las aos demais integrantes da quadrilha. “Era intermediário entre os mandantes e os pistoleiros”, avaliou o MP.

“Não é verdade, eu sou inocente dessa acusação”, afirmou Olmedo, ao responder o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Juri, Aluizio Pereira dos Santos. “Eu não pratiquei, não tive conhecimento, não ajudei em nada e nem tomei conhecimento de nada dos fatos ocorridos”.


Olmedo respondeu às perguntas sobre histórico de vida: tem seis filhos, foi policial durante 20 anos e se aposentou em 2008. Em 2014, trabalhou na Pantanal Cap, empresa que atribuiu sendo de propriedade de Jamil Name. Lá, trabalhou por três anos e meio, parou, mas voltou a exercer função para a família, desta vez, na casa dos Name. “O principal era serviço bancário”.

Diz que não conhecia Juanil Miranda de Lima, acusado de ser um dos pistoleiros que participaram da execução do estudante. José Moreira Freixes, o “Zezinho”, o outro acusado direto da morte do rapaz, conheceu em hospital, quando o homem era porteiro.

Olmedo negou saber da existência do “paiol” ou do arsenal descoberto na casa do Bairro Monte Líbano. “Só soube pela imprensa”, afirmou. Sobre o pai da vítima, Paulo Roberto Teixeira Xavier, diz que o conheceu por ter trabalhado para os Name. Também negou a frenética troca de chips dita pelos delegados.


O advogado Alexandre Padilhas, que faz a defesa de Olmedo, perguntou se ele teve conhecimento de bilhete escrito por preso chamado Kauê, na Penitenciária Federal de Mossoró (RN). Embora não tenha contextualizado, se refere a relato do detento Kauê Vitor Santos da Silva, em que delata plano da milícia de matar autoridades, como promotores e delegado Fábio Peró. “Ouvi falar, mas não conheço o teor, nem o conheço [Kauê]”.

Padilhas perguntou, de maneira direta, se Olmedo descartou a arma usada para matar Matheus, um fuzil 7.62 mm, modelo AK47. “Não, não participei, desconheço”.

O advogado pediu que o cliente aproveitasse o “momento valoroso” para se manifestar para os jurados. “Declaro que sou inocente senhor, eu sou inocente! Nós sofremos aí, sofrimento de passar no presídio federal, sofrimento de ver um amigo nosso morrer lá, minguando, foi morrendo devagarzinho, nós vimos que ele tava morrendo, ele acabou morrendo mesmo no presídio, sem ter oportunidade de se justificar”, disse.

O réu não citou nomes, mas o relato é sobre Jamil Name, considerado o chefe da milícia descoberta na Operação Omerà. Name pegou covid-19 e morreu aos 82 anos, no dia 27 de junho de 2021. Porém, ele morreu em hospital de Mossoró, e não no presídio.

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