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Capital

População faz fila em lojas e Centro fica "entupido" na véspera do Dia dos Pais

Clientes sabem dos riscos, mas justificam procura pelo presente na última hora por falta de tempo durante a semana

Por Ana Paula Chuva e Ângela Kempfer | 08/08/2020 12:10
Movimentação intensan na Rua 14 de Julho neste sábado. (Foto: Henrique Kawaminami)
Movimentação intensan na Rua 14 de Julho neste sábado. (Foto: Henrique Kawaminami)

Às vésperas do Dia dos Pais, não tem medo de covid-19 que esvazie o Centro de Campo Grande.  Na região da Rua 14 de Julho a realidade assusta quem sabe do contágio crescente de uma doença que já matou 176 pessoas na Capital e contaminou 12.496. Mesmo com as regras de biossegurança dentro das lojas, o cenário nas ruas é de aglomeração e filas sem nenhum outro protocolo além das máscaras.

Segundo a cuidadora de idosos Hevellin Simões, 25 anos, ela sabe dos riscos e tem medo do contágio principalmente pela profissão que exerce, mas pela correria do dia a dia só   pôde ir até o centro na manhã deste sábado (8).

“Eu vim mesmo comprar para mim. Mas vou aproveitar e ver o presente do Dia dos Pais para o meu marido. Todo ano deixo para a última hora, só que esse ano tem a tensão do coronavírus, mesmo com máscara tenho medo. Estou aqui há 20 minutos na fila para entrar na loja e sei dos riscos”, destacou.

Além da loja de departamentos, Hevellin já tinha passado por outras lojas onde também enfrentou fila. “Tá tudo assim hoje, o horário restrito e a mania de deixar para a última hora fez todo mundo correr para o centro, acho”, disse na fila onde mais ao menos 30 pessoas aguardavam.

Não muito longe, também em aguardando em uma fila para entrar em loja, a auxiliar docente Lidiely Lopes, 31 anos, comemorava o aniversário em busca do presente para o pai. “Deixei para a última hora, sempre deixo. Nem sei o que vou comprar ainda, vou ver o que ele vai querer”, disse.

Sobre o medo da pandemia, Lidiely afirmou saber dos riscos e disse ter medo, mas assim como Hevelin, a justificativa foi a correria do dia a dia. “Trabalho a semana inteira, o dia todo, não tinha outro horário para vir. O comércio tá restrito, estou aproveitando meu aniversário na fila da loja”, contou.

Nas lojas, clientes faziam fila para entrar. (Foto: Henrique Kawaminami)
Nas lojas, clientes faziam fila para entrar. (Foto: Henrique Kawaminami)

Aumento nas vendas – para os comerciantes, a aglomeração é sinal de aumento nas vendas. Diferente do cenário na semana anterior, quando as lojas estavam praticamente ‘às moscas’ hoje o dia é de comemoração para quem depende dos clientes.

“Nossa aumentou em pelo menos 20% se a gente comparar com a semana anterior. Ontem o movimento já foi bem intenso, depois das 18h tinha gente na loja, coisa que não tinha antes. Hoje tem bastante movimento, dá para compensar os dias parados”, declarou o gerente de loja Kleverson Yoshimura.

Segundo Kleverson a procura tem sido muito grande pelos relógios e confecção. “Pessoal tem procurado muito relógio, camiseta polo, sapato. O setor de eletrônicos também está movimentado”, disse.

No Centro, a impressão é que as pessoas andam em blocos, superlotados. (Foto: Henrique Kawaminami)
No Centro, a impressão é que as pessoas andam em blocos, superlotados. (Foto: Henrique Kawaminami)

Fora de casa - As taxas de isolamento em Campo Grande seguem muito baixas. Ontem (7), a cidade atingiu o 3º pior lugar no ranking nacional dentre as capitais, com apenas 32,93% das pessoas em casa. Os piores índices observados vieram do bairro Nova Campo Grande, com 18,20% de isolados e Jardim Itamaracá, com 20% .

As melhores situações foram verificadas no Jardim do Córrego e na Cidade Jardim, com 52,20%  e 52% de taxa de isolamento, respectivamente. Mesmo no melhor dos números, o índice é bem inferior ao recomentado contra o coronavírus, que é acima dos 70%

Consequências - No boletim de divulgação dos dados da covid-19 deste sábado, o secretário de Saúde do Estado, Geraldo Resende fez novamente um apelo à população.

"O que acontece hoje e amanhã, terá repercussão daqui  14 dias. Se não quisermos chegar ao ponto de outras capitais que atingiriam o colapso na saúde, temos precisamos de taxa de isolamento melhor. Tenho que chamar atenção, principalmente, a quem tem pais idosos. Aglomeração pode trazer no lugar da homenagem riscos. Pensem em formas mais criativas"

Movimento de carros era grande nas ruas do Centro na manhã deste sábado. (Foto: Henrique Kawaminami)
Movimento de carros era grande nas ruas do Centro na manhã deste sábado. (Foto: Henrique Kawaminami)

Confira imagens do Centro neste sábado: