“Por que não levou preso?”, questiona família de homem morto em ação da PM
Familiares afirmam que Bruno estava rendido e contestam versão de confronto no Bairro Tiradentes
“Por que não levou preso?”. A pergunta da mulher de Bruno Francisco Rodrigues, de 29 anos, resume a cobrança da família por explicações sobre a morte dele durante uma ação da Força Tática da PM (Polícia Militar), na quinta-feira (1º), no Bairro Tiradentes, em Campo Grande. Familiares afirmam que ele estava rendido antes de ser baleado e dizem que pretendem levar o caso à Corregedoria.
RESUMO
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Em entrevista ao Campo Grande News, a mulher, a irmã e a mãe de Bruno, que pediram para ter os nomes preservados, mas aceitaram que a conversa fosse gravada, contestaram a versão de confronto apresentada pela polícia. A ação ocorreu na casa onde ele morava, na Travessa dos Enfermeiros.
Segundo a mulher, vizinhos relataram à família que Bruno foi colocado do lado de fora da residência com as mãos na cabeça e, depois, levado novamente para dentro por um policial. Ela não presenciou essa sequência e diz que a família busca imagens de câmeras de segurança para esclarecer o que aconteceu. “Então assim, por que um homem rendido? Por que que não levou preso?”, questionou.
A mãe também afirma que o filho poderia ter sido preso. “Ele estava rendido”, disse ao cobrar explicações sobre o disparo.
A família sustenta que Bruno foi atingido no peito, perto da porta do banheiro da residência, e questiona a versão de troca de tiros. Segundo os parentes, não havia marcas de disparos nas paredes da residência. “Eu quero saber cadê essas balas, cadê a perfuração? A perfuração só tinha no peito do meu marido”, afirmou a mulher.
A irmã contou que estava fora de casa quando soube do ocorrido. Segundo ela, a advogada da família pediu que ela fosse até o imóvel para acompanhar os trabalhos periciais, mas os policiais impediram sua entrada. Quando conseguiu entrar, depois da saída das equipes, encontrou objetos revirados e danificados.
Os familiares negam que Bruno tivesse arma e contestam que a casa guardasse a quantidade de droga mencionada pela polícia. Também questionam por que não puderam acompanhar a retirada dos materiais apresentados como apreendidos.
A mulher afirmou que Bruno trabalhava em um posto de combustíveis e fazia entregas de moto à noite. Segundo a família, ele deixou uma filha de 9 anos. “Ontem ela chegou aqui desesperada, não deixei ela ver nada disso, ela fala que o pai vai voltar, que é mentira, entendeu?”, relatou a mulher.
A família também questiona as condições do socorro. Os parentes dizem que Bruno foi arrastado até a viatura e relatam ter observado ferimentos no rosto. Cobram a conferência dos horários da ocorrência e da chegada à unidade de saúde para esclarecer como foi feito o atendimento. “A gente quer saber o porquê. E a gente vai até o final”, afirmou a mulher.
Versão policial – Na quinta-feira, o delegado Felipe Rossato, que atendeu a ocorrência, informou que os policiais receberam uma denúncia sobre uma pessoa armada e suspeita de envolvimento com o tráfico. Segundo o relato apresentado pelo delegado, Bruno correu armado ao ser abordado, passou por telhados e voltou ao imóvel onde ocorreram os disparos.
Rossato afirmou que um revólver calibre .357 foi encontrado no endereço, além de uma substância que, inicialmente, seria pasta base. Ainda segundo a polícia, foram apreendidos no local cerca de 30 kg de pasta base, 1 kg de cocaína e 5 kg de maconha, quantidade que indicaria um possível depósito de entorpecentes.
Bruno foi levado em uma viatura ao CRS (Centro Regional de Saúde) do Bairro Tiradentes, onde a morte foi confirmada. Em informe preliminar, a 6ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar) classificou o episódio como confronto e informou que nenhum policial ficou ferido. A residência passou por perícia.
Mato Grosso do Sul contabilizou 145 mortes em decorrência de abordagens policiais de janeiro até esta quinta-feira (1º), conforme levantamento mantido pelo Campo Grande News.


