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Capital

Prédios viram quintal e moradores antigos cobram investimentos no São Francisco

Mesmo com crescimento acelerado nos últimos anos, o bairro não tem locais públicos de convivência

Por Inez Nazira | 08/07/2026 08:19
Prédios viram quintal e moradores antigos cobram investimentos no São Francisco
Prédios residenciais dominam bairro em Campo Grande e viram quintal de moradores antigos (Foto:Paulo Francis)

O crescimento do Bairro São Francisco, uma das regiões tradicionais de Campo Grande, trouxe novos edifícios residenciais e mudou a paisagem de áreas antes ocupadas principalmente por casas. Para moradores, a transformação foi positiva, mas a expansão não veio acompanhada de melhorias na infraestrutura, principalmente em relação aos espaços públicos de lazer e convivência.

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O Bairro São Francisco, em Campo Grande, fundado na década de 1940, enfrenta desafios de infraestrutura diante do crescimento acelerado impulsionado por novos edifícios residenciais. Moradores reclamam do abandono da praça local, ocupada por pessoas em situação de rua, da falta de espaços de lazer e de problemas no trânsito. A Prefeitura de Campo Grande foi questionada sobre a revitalização da área, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.

A principal reclamação está na praça do bairro. Segundo moradores, o espaço deixou de ser frequentado por famílias e hoje é ocupado, em grande parte, por pessoas em situação de rua, o que afastou crianças, idosos e moradores que utilizavam o local para caminhadas e atividades físicas.

Moradora do bairro há mais de 30 anos, a aposentada Elenir Neta, de 69 anos, acompanhou as mudanças na região e afirma que o desenvolvimento trouxe novos empreendimentos, mas deixou de lado investimentos em estrutura.

"O bairro cresceu, mas ainda falta muita coisa. A praça acabou sendo ocupada por moradores em situação de rua e usuários de drogas. Sofremos com furtos nas casas, então falta segurança na região também", afirma.

Prédios viram quintal e moradores antigos cobram investimentos no São Francisco
Praça é alvo de reclamações dos moradores (Foto: Paulo Francis)

Para ela, a revitalização do espaço poderia devolver a praça aos moradores. Elenir defende a instalação de equipamentos para exercícios físicos e uma área destinada às crianças. "Tem muitas crianças na região, mas elas não têm um lugar apropriado para brincar", diz.

A falta de opções de lazer também é apontada pelo segurança patrimonial Frederico Vargas, de 30 anos, morador da região há cerca de dois anos. Ele avalia que o crescimento do bairro foi positivo, mas afirma que faltam espaços para convivência.

"O parque mais próximo é o Belmar Fidalgo, e sempre levo minha filha para lá porque aqui não há outra opção", relata.

Quem também sente falta de uma área de convivência é a dona de casa Rosita Lobato, de 70 anos. Moradora da região há mais de três décadas, ela lembra que a praça já teve outra função para a comunidade.

Prédios viram quintal e moradores antigos cobram investimentos no São Francisco
Rosita Lobato conta que sente falta de uma área de convivência na região (Foto: Paulo Francis)

"Antigamente a praça tinha parquinho, bancos e era um lugar onde os moradores passavam as tardes. Hoje ela está abandonada e tomada por vândalos, o que impede que a população utilize o espaço com segurança", afirma.

Rosita acredita que uma revitalização beneficiaria principalmente os idosos. "Se tivesse bancos e aparelhos de ginástica, seria muito importante. Hoje, quando queremos caminhar, precisamos dar voltas pelo quarteirão porque não temos um local adequado", diz.

Além da falta de espaços públicos, moradores também relatam problemas no trânsito. Segundo Elenir, motoristas desrespeitam a sinalização e trafegam na contramão em algumas vias do bairro. "Já pedimos fiscalização, mas a situação continua complicada", afirma.

Em abril deste ano, algumas ruas do Bairro São Francisco passaram por mudanças no sentido de circulação. As ruas Pedro Celestino, Padre João Crippa, José Antônio e 13 de Junho, no trecho entre a Avenida Rachid Neder e a Rua Amazonas, passaram a operar em mão única. A Rua Alegrete, entre a Rua Brasil e a Rua José Antônio, também passou a ter sentido único.

Prédios viram quintal e moradores antigos cobram investimentos no São Francisco
Por falta de espaço de lazer na região, Frederico Vargas revela que leva a filha no Belmar Fidalgo (Foto: Paulo Francis)

Apesar das reclamações, moradores antigos também destacam os pontos positivos da transformação da região. A pensionista Elza Pereira da Fonseca, de 86 anos, vive no bairro há 39 anos e lembra de quando a área era formada por terrenos com capim e poucas construções.

Para ela, o desenvolvimento trouxe praticidade para quem mora no São Francisco. "Hoje temos mercado, farmácia, açougue, tudo perto. A vizinhança é maravilhosa e não tenho do que reclamar", afirma.

A reportagem questionou a Prefeitura de Campo Grande sobre a possibilidade de revitalização da praça e da implantação de novos espaços públicos de lazer no Bairro São Francisco. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

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