Calçada de cafeteria ganha cores e a alegria da literatura de cordel
Cordelista usa projeto itinerante para aproximar público da cultura popular
Em plena Rua Dom Aquino, o som dos versos nordestinos rompeu a rotina apressada do Centro. Entre cafés e conversas, a cafeteria Doce Lembrança virou palco, nesta quarta-feira (7), para um sarau de cordel com a proposta de aproximar a cultura popular de quem passa.
RESUMO
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A cafeteria Doce Lembrança, na Rua Dom Aquino, em Campo Grande, recebeu um sarau de cordel nesta quarta-feira (7), reunindo cordelistas, moradores e passantes em torno da cultura popular nordestina. O evento contou com a cordelteca itinerante e a participação de cordelistas como Arineide Alencar. Para Marlei Sigrist, presidente do Conselho Nacional de Folclore, iniciativas assim são essenciais para preservar e divulgar essa tradição cultural brasileira.
O ponto de encontro com os versos começou ainda na entrada do espaço. Com caixa de som e microfone, os cordéis eram anunciados tanto para quem caminhava apressado pela calçada quanto para aqueles que aproveitavam o café da tarde.
A escolha por espaços como o da Rua Dom Aquino é estratégica: tirar o cordel do lugar comum e colocá-lo no fluxo da cidade. Para Marlei Sigrist, presidente do Conselho Nacional de Folclore, iniciativas como essa cumprem papel essencial na preservação cultural. “É uma forma de valorizar essa cultura tradicional e também informar as pessoas de que ela existe e é importante para o país”, afirma.
Embora tenha origem na Europa, o cordel brasileiro ganhou características próprias ao dialogar com a realidade local. “O nosso cordel aborda questões de comunidade, de cidade, de região, muitas vezes com tom humorístico”, explica.
Marlei também destaca a função comunicativa da literatura, especialmente em áreas mais afastadas. “O cordel funciona como meio de comunicação, principalmente entre pessoas da zona rural e de regiões distantes dos grandes centros”, pontua.
Arineide Alencar está entre os cordelistas que participaram do encontro. Ela carrega a literatura como herança de vida. “O meu contato com o cordel começou desde o ventre, porque a minha mãe já recitava cantigas de ninar em forma de cordel. Quando ela cantava, era com cordel”, conta.
Esse ambiente moldou não só a infância, mas também a trajetória profissional. Como professora, Arineide encontrou na musicalidade uma ferramenta de ensino. “Eu pegava o conteúdo, transformava em cordel e levava para a sala de aula. Os alunos gostavam e participavam”, afirma.
Hoje, com a cordelteca itinerante, ela percorre cidades e comunidades levando livros e histórias. É nas crianças que encontra motivação para seguir. “Quando a Kombi chega e vejo aquelas crianças com vontade de entrar, pegar e olhar os livros, vejo a alegria no olhar. Aí eu penso: o mundo tem sentido”, diz.
Proprietária da cafeteria, Leda Ribeiro afirma que a iniciativa dialoga com o perfil do espaço, que busca tornar a arte acessível e parte do cotidiano. “É muito gostoso ver a receptividade dos clientes. Se torna algo diferente, aberto e acessível. As pessoas ficam empolgadas, e isso anima a gente a trazer cada vez mais atrações”, destaca.
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