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Capital

Preso em Campo Grande, acusado de matar Marielle Franco é alvo de operação da PF

O ex-PM Ronnie Lessa está no Presídio Federal desde 2020, transferido do Rio de Janeiro

Silvia Frias | 15/03/2022 07:41
Ronnie Lessa está no Presídio Federal de Campo Grande desde dezembro de 2020. (Foto: Arquivo)
Ronnie Lessa está no Presídio Federal de Campo Grande desde dezembro de 2020. (Foto: Arquivo)

O ex-policial militar Ronnie Lessa é um dos alvos da Operação Heat, deflagrada pela Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e nos Estados Unidos. Lessa está detido no Presídio Federal de Campo Grande e o mandado de prisão foi cumprido esta manhã.

A Operação Heat foi deflagrada pela PF (Polícia Federal) com apoio do MPF (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Ronnie Lessa foi preso em março de 2019 e, desde dezembro de 2020, veio para Campo Grande, transferido do Rio do Janeiro. O ex-PM é acusado de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, juntamente com o também ex-policial Élcio de Queiroz.

Ao todo, 50 agentes federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Federal Criminal do Rio.

Além do Rio e Campo Grande, a PF e o MPE também estão em Miami, nos EUA. A Justiça também determinou o sequestro de bens, avaliados em cerca de R$ 10 milhões.

Material apreendido durante cumprimento de mandado na Vila Isabel, no RJ. (Foto: Divulgação)
Material apreendido durante cumprimento de mandado na Vila Isabel, no RJ. (Foto: Divulgação)

De acordo com as investigações, que já duram cerca de dois anos, o grupo alvo da operação é responsável pela aquisição de armas de fogo, peças, acessórios e munições nos EUA, que em seguida, eram enviados para o Brasil em contêineres. A quadrilha usava rotas marítimas e por encomenda postal por avião para os estados do Amazonas, São Paulo e Santa Catarina, tendo como destino final uma residência em Vila Isabel, no Rio de Janeiro.

Material apreendido na Vila Isabel, no Rio. (Foto: Divulgação)
Material apreendido na Vila Isabel, no Rio. (Foto: Divulgação)

Conforme a PF, na maioria das vezes, o material era acondicionado dentro de equipamentos como máquinas de soldas e impressoras, despachados juntamente a outros itens, como telefones, equipamentos eletrônicos, suplementos alimentares, roupas e calçados.

Desta residência, as peças eram retiradas pelos integrantes da célula no Rio de Janeiro - responsável pela usinagem e montagem do armamento, com auxílio de impressoras 3D (Ghost Gunner) -, que posteriormente eram distribuídos para traficantes, milicianos e assassinos de aluguel.

O dinheiro para a compra do armamento era enviado do Brasil para os EUA através de doleiros. Foi identificado um brasileiro, dono de churrascarias em Boston, que recebia parte desse dinheiro e repassava para os alvos residentes nos EUA.

O bando investia o dinheiro adquirido com o tráfico de armas em imóveis residenciais, criptomoedas, ações, veículos e embarcações de luxo.

Armas - Segundo jornal O Globo, Lessa costumava pedir que a filha, Mohana Lessa, comprasse pequenas peças para ele em Miami, quando ela morava lá por conta de uma bolsa de instrutora de futebol em Atlanta, no estado da Geórgia. As peças menores que ela não conseguia eram criadas com a utilização da impressora 3D, de acordo com investigadores. Lessa estava tentando abrir uma firma na cidade da Flórida para facilitar a entrada desse material, na importação.

Os diálogos entre o sargento reformado e Mohana, por meio de um aplicativo de mensagens, mostram que um dos assuntos tratados era a compra de peças de fuzis.

A Polícia Civil e o Gaeco do MPF-RJ  analisaram o teor das conversas e constataram que Lessa orientava a filha a enviar as peças que ele comprava no Brasil e mandava entregar no endereço dela, em Atlanta. Nas mensagens, Lessa explica, de maneira metódica, como separar o material que ele comprava pela internet de casa, na Barra da Tijuca, no Rio, e mandava entregar na casa dela nos EUA.

Ao longo da investigação, foram apreendidos milhares de armas, peças, acessórios e munições de diversos calibres, tanto no Brasil, quanto nos EUA.


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