PRFs iniciam mobilização por fundo de combate ao crime organizado
Objetivo é destravar proposta já apresentada anteriormente pelo governo, mas que perdeu prioridade
PRFs (policiais rodoviários federais) iniciaram uma série de manifestações em diferentes estados do país para pressionar o governo federal pela criação do FUNCOC (Fundo de Combate ao Crime Organizado). A mobilização ocorre em locais como Mato Grosso do Sul, Goiás e estados do Nordeste.
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Policiais rodoviários federais iniciaram manifestações em diversos estados brasileiros reivindicando a criação do Fundo de Combate ao Crime Organizado (FUNCOC). A proposta visa destinar recursos apreendidos do crime organizado diretamente para o combate às organizações criminosas, evitando a atual burocracia do caixa único da União. A mobilização também expõe problemas estruturais da PRF, como falta de água potável em algumas unidades e efetivo insuficiente. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, são necessários 1.200 agentes, mas existem apenas 600. A situação é especialmente crítica nas regiões de fronteira, onde o tráfico de drogas é intenso.
Segundo Wanderley Alves dos Santos, presidente do sindicato da categoria em Mato Grosso do Sul, o objetivo é destravar uma proposta já apresentada anteriormente pelo governo, mas que perdeu prioridade. “Na verdade é o início de uma semana de manifestações que vai culminar no dia principal, que vai ser na próxima sexta, no dia 27. O objetivo principal é o apoio à criação do FUNCOC”, afirmou.
A principal defesa da categoria é que os recursos apreendidos do crime organizado sejam utilizados diretamente no combate às próprias organizações criminosas. Atualmente, esses valores são destinados ao caixa único da União, o que, segundo os policiais, torna o processo mais lento e burocrático. “A ideia principal é pegar os recursos apreendidos com o crime organizado, colocar nesse fundo para que eles sejam aplicados no combate ao crime de forma direta”, explicou.
A mobilização também expõe problemas estruturais enfrentados pela PRF. De acordo com Wanderley, há unidades com dificuldades básicas de funcionamento. “Em alguns lugares a gente não tem nem água potável para atender o colega. Isso é uma situação preocupante”, disse. Ele aponta que a burocracia nos processos de licitação compromete desde a compra de insumos simples até a aquisição de equipamentos adequados. “Às vezes a licitação pelo menor preço faz com que a gente compre uma viatura que não é adequada para o nosso trabalho”, completou.
Em Mato Grosso do Sul, a situação varia entre as unidades, mas é mais crítica em regiões de fronteira. “A gente tem a região da fronteira com a Bolívia e outras áreas que hoje estão com situação mais precária nas unidades operacionais”, afirmou. O estado possui cerca de 1.500 quilômetros de fronteira seca e enfrenta forte atuação do tráfico.
Mesmo com limitações, a PRF mantém resultados expressivos. “Se você pegar um recorde de 10 anos, o MS é recordista nacional em apreensão de maconha e de cocaína”, destacou Wanderley. Para ele, o fundo permitiria ampliar essa capacidade. “O que a gente quer é que esse tipo de apreensão venha para esse fundo para equipar a polícia no combate ao crime”.
Outro ponto crítico é o efetivo. Atualmente, o estado conta com cerca de 600 policiais rodoviários federais, número considerado insuficiente. “A gente precisaria hoje, pelo menos, 1.200”, afirmou. A demanda tende a crescer com novas atribuições previstas para a corporação, como atuação em hidrovias e ferrovias.
A mobilização também reúne policiais penais federais, que relatam dificuldades semelhantes. Segundo Renan Fonseca, presidente do sindicato dos policiais penais no Estado, a criação do fundo é essencial para melhorar as condições de trabalho. “Seria trazer os bens e direitos apreendidos do crime organizado para investimentos nas três instituições”, disse.
Ele também destacou a importância da união entre as forças de segurança. “A gente acredita que essa integração das corporações é fundamental não só para atingir o objetivo da criação do FUNCOC, como também para ações futuras de integração entre as polícias”, afirmou.
As categorias afirmam que a proposta enfrenta resistência dentro do próprio governo, o que tem impedido o avanço da medida. Enquanto isso, os policiais seguem cobrando mudanças e alertando para os impactos da falta de estrutura. “A gente necessita dessa agilidade na aplicação desses recursos e que eles estejam à disposição das instituições policiais”, concluiu Wanderley.
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