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Dourados decreta emergência de saúde pública após escalada da chikungunya

Decreto foi assinado nesta sexta-feira pelo prefeito Marçal Filho e acelera acesso a recursos

Por Helio de Freitas, de Dourados | 20/03/2026 15:29
Dourados decreta emergência de saúde pública após escalada da chikungunya
Profissional de saúde atende indígena em hospital de campanha montado em escola (Foto: A. Frota)

O prefeito de Dourados, Marçal Filho (PSBD), decretou situação de emergência em saúde pública do município nesta sexta-feira (20) diante do avanço dos casos de chikungunya tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena.

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A Prefeitura de Dourados decretou situação de emergência em saúde pública devido ao avanço da chikungunya. A medida foi tomada após reunião com autoridades de saúde, considerando o registro de quatro mortes e 274 casos confirmados na Reserva Indígena, além da expansão da doença para a área urbana. O decreto, válido por 90 dias, visa viabilizar recursos do Ministério da Saúde para combater a epidemia. A Força Nacional do SUS iniciou trabalhos com sete profissionais e deve ampliar para 21 integrantes. Há suspeita de subnotificação, pois casos inicialmente diagnosticados como dengue podem ser de chikungunya.

De acordo com a assessoria da prefeitura, a decisão foi tomada ainda nesta quinta-feira (19), durante reunião do prefeito com autoridades de saúde, entre as quais o representante da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), Rodrigo Stabeli, a gerente técnica estadual de Vigilância Epidemiológica, Danielle Galindo Martins Tebet, e a conselheira técnica da FNS, a médica Lucia Silveira.

Em entrevista hoje ao Campo Grande News, o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, que também está em Dourados, defendeu a necessidade de decretar emergência na saúde em decorrência da epidemia.

Conforme a prefeitura, o decreto 587, de 20 de março de 2026, publicado em edição suplementar do Diário Oficial do Município, é necessário para viabilizar o acesso a recursos do Ministério da Saúde para combater a epidemia em Dourados.

A Lei Federal nº 13.301, de 27 de junho de 2016, autoriza adoção de medidas de vigilância em saúde quando verificada “situação de iminente perigo à saúde pública pela presença do mosquito transmissor de doenças”.

Além da situação preocupante nas aldeias, onde quatro pessoas morreram, três estão internadas e há 274 casos confirmados, a prefeitura levou em conta o avanço da chikungunya também no perímetro urbano de Dourados, com aumento de infectados, crescimento da demanda por consultas nas unidades de saúde e elevação da pressão sobre a rede assistencial.

Outros motivos para a situação de emergência foram a expansão da transmissão para além do território indígena, crescimento da demanda por atendimento nas unidades de saúde e risco de saturação da capacidade instalada de leitos e demais recursos assistenciais.

Dourados decreta emergência de saúde pública após escalada da chikungunya
Ao lado de secretário de Saúde, Marçal Filho assina decreto de emergência (Foto: A. Frota)

“A situação está muito grave e precisamos adotar medidas enérgicas para conter o avanço da doença, que começou pela Reserva Indígena e está se espalhando pelos bairros vizinhos”, afirmou o prefeito.

A Força Nacional iniciou os trabalhos com sete profissionais na quarta-feira e deve ampliar o efetivo para 21 integrantes a partir de domingo (22). Segundo Rodrigo Stabeli, há indícios de subnotificação, já que muitos casos inicialmente tratados como dengue podem, na verdade, ser chikungunya. A principal diferença entre as doenças está na dor intensa nas articulações.

“Se cada morador dedicar ao menos 10 minutos por semana para eliminar possíveis focos de água parada, será possível reduzir significativamente os casos”, afirmou. Stabeli alertou ainda que a vacina contra dengue não protege contra a chikungunya.

Para a médica Lucia Silveira, especialista na doença, apesar de a rede de saúde ainda suportar a demanda, há risco de agravamento nas próximas semanas, principalmente devido à possibilidade de aumento de casos em municípios vizinhos, já que Dourados é referência para 35 cidades da região.

O secretário de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, informou que o aumento de casos já se espalha por regiões como Jóquei Clube, Jardim dos Estados, Piratininga, Caiuás e Novo Horizonte. A situação de emergência em saúde pública no município de Dourados vale por 90 dias, podendo ser prorrogada mediante avaliação técnica da Secretaria Municipal de Saúde.

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