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Meio Ambiente

Do céu ao mar e à floresta: três espécies explicam por que a COP15 importa

Albatroz, onça e tartaruga conectam países e reforçam urgência de políticas ambientais conjuntas

Por José Cândido | 20/03/2026 15:53
Do céu ao mar e à floresta: três espécies explicam por que a COP15 importa
Albatroz-errante, onça-pintada e tartaruga-verde: espécies que cruzam oceanos, florestas e continentes e estão no centro do debate da COP15, em Campo Grande. (Imagens: Fundação Projeto Tamar e Dimas Gianuca)

Campo Grande se prepara para receber o mundo, mas quem chega primeiro são as histórias que cruzam continentes, oceanos e biomas.

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A cidade de Campo Grande sediará a COP15, Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias, entre 23 e 29 de março. O evento coloca em destaque três espécies emblemáticas que dependem de ações internacionais para sobreviver: o albatroz-errante, a onça-pintada e a tartaruga-verde. Estas espécies enfrentam desafios distintos em seus habitats: o albatroz luta contra a pesca com espinhel, a onça-pintada contra a fragmentação do território, e a tartaruga-verde contra a poluição marinha. A conferência busca promover a cooperação internacional para a preservação desses animais, reconhecendo que a natureza transcende fronteiras políticas.

Entre os dias 23 e 29 de março, a Capital será sede da COP15 — a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias. No centro do debate, não estão apenas diplomatas e especialistas, mas espécies que desafiam fronteiras e conectam países em uma mesma responsabilidade.

Do céu aberto dos oceanos ao coração do Pantanal, passando pelas correntes do Atlântico, três protagonistas ajudam a contar essa história: o albatroz-errante, a onça-pintada e a tartaruga-verde.

São espécies diferentes, em ambientes distintos, mas com algo em comum: dependem de ações conjuntas entre países para sobreviver.

No alto-mar, quase invisível aos olhos humanos, o albatroz-errante atravessa milhares de quilômetros em voo planado, usando o vento como aliado. É uma das aves mais emblemáticas do Hemisfério Sul, capaz de passar anos sem tocar terra firme, retornando apenas a ilhas remotas para se reproduzir.

Durante suas jornadas, alguns indivíduos chegam ao litoral brasileiro, principalmente entre julho e setembro, utilizando a costa como área de alimentação. Mas a travessia não é livre de riscos. A captura incidental na pesca com espinhel é hoje uma das principais ameaças à espécie — um problema que não reconhece fronteiras e exige acordos internacionais para ser combatido.

Se no oceano o desafio é o anzol invisível, em terra firme a luta da onça-pintada é outra: sobreviver em um território cada vez mais fragmentado.

Maior felino das Américas, a espécie ainda resiste com cerca de 50 a 55 mil indivíduos no Brasil, principalmente na Amazônia e no Pantanal. Fora dessas regiões, porém, vive isolada em áreas menores, dependente de corredores ecológicos para manter o fluxo entre populações.

É justamente o Cerrado — bioma que cerca Mato Grosso do Sul — que cumpre esse papel estratégico de conexão. Sem ele, as onças ficam “presas” em ilhas de vegetação, vulneráveis à expansão agropecuária, incêndios e conflitos com a pecuária.

Já no oceano Atlântico, outro viajante silencioso desenha rotas que atravessam países inteiros. A tartaruga-verde percorre mais de dois mil quilômetros entre áreas de alimentação e reprodução, conectando ilhas como Ascension ao litoral brasileiro.

No Brasil, a espécie encontra refúgio em áreas protegidas como Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Ilha da Trindade, onde milhares de ninhos são registrados a cada temporada. Mas mesmo com avanços na conservação, ainda enfrenta ameaças como poluição marinha, ingestão de plástico e captura acidental em redes de pesca.

Conectar é conservar

Apesar de viverem em ambientes completamente diferentes, essas três espécies compartilham um mesmo destino: dependem da cooperação internacional para existir.

A onça precisa de corredores ecológicos que atravessam países. A tartaruga cruza oceanos conectando continentes. O albatroz vive em águas internacionais, onde a fiscalização é mais difícil e a responsabilidade é coletiva.

É exatamente esse o debate que chega a Campo Grande com a COP15.

Mais do que um evento global, a conferência coloca a cidade no centro de uma discussão urgente: proteger espécies migratórias é, acima de tudo, reconhecer que a natureza não tem fronteiras — mas os desafios, sim.

Enquanto autoridades discutem acordos e metas, o voo do albatroz, o passo silencioso da onça e o mergulho da tartaruga seguem acontecendo, todos os dias, ligando lugares distantes em uma mesma história. Uma história que agora passa, também, por Campo Grande.