Cadeirante relata dor e pressão após reportagem sobre falta de transporte
Mãe diz tentativas de adaptação, mas aponta limitações no uso diário
Um dia após a repercussão do caso do estudante cadeirante que percorre até 6 quilômetros à noite em Coxim, a família contesta a versão da prefeitura e afirma que o problema vai além do transporte disponível: envolve dor, falta de conforto e pressão para abrir mão da cadeira motorizada.
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Em Coxim, família de estudante cadeirante contesta versão da prefeitura sobre transporte adaptado. Segundo a mãe, Maria Rosa Gomes da Silva, o filho enfrenta dores nas costas ao usar cadeira manual no ônibus noturno, permanecendo sentado por até seis horas consecutivas. A família alega que o jovem sofre pressão para abrir mão da cadeira motorizada, essencial para sua mobilidade. A prefeitura mantém que oferece veículos adaptados, mas admite possíveis dificuldades operacionais com o equipamento motorizado. O caso ganhou repercussão após relatos de que o estudante percorre até 6 quilômetros à noite.
Ao Campo Grande News, nesta sexta-feira (20), a mãe do jovem, Maria Rosa Gomes da Silva, disse que ninguém da administração municipal entrou em contato após a publicação da reportagem. “É sempre assim, eles têm uma desculpa e nada de resolver”, afirmou.
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Segundo ela, o estudante até chegou a usar uma cadeira manual para tentar se adaptar ao ônibus noturno, apontado pela prefeitura como acessível. No entanto, a alternativa trouxe novas dificuldades.
“Ele sente muita dor nas costas. A cadeira é muito reta, não tem conforto. Ele fica das 16h30 até quase 23h sentado. Não tem lógica”, relata.
Maria Rosa afirma ainda que o filho tem problemas na coluna e não possui sensibilidade do joelho para baixo, o que agrava a situação. “Ele é forte, pesa quase 100 quilos. Não dá para ficar tanto tempo numa cadeira assim”, diz.
Outro ponto de conflito é o uso da cadeira motorizada. Enquanto a prefeitura afirma que o impasse está na escolha do equipamento, a família sustenta que ele é essencial no dia a dia.

“É a cadeira que ele mais usa. Querem que eu deixe ela lá, mas como eu vou fazer em casa? Vou carregar ele nas costas?”, questiona.
Maria também reforça que o filho tem sido pressionado a aceitar o uso do ônibus sem a cadeira elétrica. Segundo ela, uma assistente social teria feito visitas e ligações frequentes. “Ela veio várias vezes, liga, fica pressionando. Disse que ele tinha que pensar no coletivo e não só nele. Ele ficou triste”, relata.
A mãe diz que a situação preocupa, principalmente pelo histórico de ansiedade do estudante. “Tenho medo de ele voltar a precisar de remédio”, afirma.
Em nota, a Prefeitura de Coxim mantém a versão de que o estudante é atendido por veículos adaptados e que o transporte universitário é oferecido como cortesia. A administração afirma que o ônibus noturno possui elevador lateral e atende às normas de acessibilidade, mas reconhece que a cadeira motorizada pode dificultar a operação do equipamento.
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