ACOMPANHE-NOS    
JULHO, SÁBADO  31    CAMPO GRANDE 19º

Capital

Promotoria entrega denúncia de homicídio contra 'Coreia' na Justiça

Por Rafael Ribeiro | 23/01/2017 13:00
MPE reiterou acusações feitas pela Polícia Civil a Moon para a Justiça (Foto: Simão Nogueira)
MPE reiterou acusações feitas pela Polícia Civil a Moon para a Justiça (Foto: Simão Nogueira)

O Ministério Público Estadual apresentou à Justiça na manhã desta segunda-feira (23) a denúncia de homicídio doloso qualificado (quando há a intenção de matar) do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos.

Responsável pelo caso, o promotor da 19ª promotoria de Justiça de Campo Grande, Eduardo José Rizkallah, acredita que 'Coreia', como o policial é conhecido, matou sem nenhum motivo aparente o empresário Adriano Correia do Nascimento, 33, em crime ocorrido no último dia 31 de dezembro. Moon também responderá pelas duas tentativas de assassinato dos amigos da vítima fatal, de 48 e 17 anos.

Em entrevista ao Campo Grande News na semana passada, Rizkallah já antecipava sua decisão. “Ele agiu como um esquentadinho no trânsito. Se irritou com uma fechada e a tentativa da vítima, que não estava armada, de fugir dele, foi respondida com um tiro, o que mostra despreparo para a função de policial”, disse.

Apesar do prazo de dez dias que tinha, Rizkallah havia antecipado que dependia apenas da conclusão de alguns laudos, entre eles o da reconstituição feita pela perícia, para concluir a denúncia. 

A assessoria de imprensa do MPE-MS disse que se pronunciará sobre o conteúdo da ação ainda nesta tarde. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul também não se pronunciou.

O advogado de 'Coreia', Renê Siufi, não foi localizado até a conclusão desta reportagem. Ele disse que se manifestaria sobre como atuará no caso somente após a denúncia ser entregue à Justiça. Moon deve agora sofrer processo de expulsão da Polícia Rodoviária Federal, segundo regulamento da Corregedoria-Central do órgão, em Brasília (DF).

Crime - Ricardo Hyun Su Moon conduzia sua Mitsubishi Pajero prata na manhã do dia 1º de janeiro, em sentido à rodoviária, onde embarcaria para Corumbá (a419km de Campo Grande), seu posto de trabalho na PRF. Após uma suposta briga de trânsito, ele atirou sete vezes contra a Hilux branca do empresário.

Nascimento, dono de dois restaurantes japoneses na cidade, morreu na hora, perdeu o controle do veículo e bateu em um poste. Um jovem de 17 anos que o acompanha foi baleado nas pernas. Outro acompanhante no veículo, Agnaldo Espinosa, 48 anos, quebrou o braço esquerdo e sofreu escoriações com a batida. Ambos foram socorridos conscientes.

O policial ficou no local do crime e chegou até a discutir com uma das vítimas, mas não foi preso na ocasião, mesmo havendo policiais militares no local. Posteriormente, ele acabou sendo indiciado em flagrante ao comparecer na delegacia com um advogado e representante da PRF. Aacabou solto dias depois.

Em seu depoimento, Moon disse que agiu em legítima defesa. Afirmou que as vítimas não o obedeceram mesmo após ele se identificar como policial, que tentaram lhe atropelar ao fugir dele e que viu um objeto escuro que poderia ser uma arma na mão de uma das vítimas.

A Polícia Civil de Campo Grande ouviu testemunhas e as duas vítimas sobreviventes, além de rastrear autores das filmagens e ligações para a Polícia Militar. Uma reprodução simulada do crime foi feita no dia 11 de janeiro para apurar as circuntâncias do que ocorreu. Moon acabou indiciado por homicídio doloso.

Moon permanecerá na carceragem na sede do Garras (Delegacia Especializada e Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), onde está preso desde o último dia 5, quando a Justiça voltou a trás de sua própria decisão inicial de conceder liberdade provisória ao acusado no dia ocorrido e acatou o pedido de prisão preventiva feito pelo MPE.

Atendendo pedido também feito pelo MPE, a Corregedoria da Polícia Militar e a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) abriram inquérito para investigar se houve favorecimento a ‘Coreia’ por parte dos PMs que atenderam a ocorrência. A Corporação não se manifesta sobre o assunto.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário