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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

23/08/2013 13:50

Quase inaugurada, reforma da Julio de Castilhos ainda gera reclamações

Elverson Cardozo
Investimento para revitalização da avenida foi de mais de R$ 18 milhões. (Foto: Marcos Ermínio)Investimento para revitalização da avenida foi de mais de R$ 18 milhões. (Foto: Marcos Ermínio)

O investimento é alto. A quantidade de algarismos enche os olhos: R$ 18.364.088,59. São dezoito milhões, trezentos e sessenta e quatro mil, oitenta e oito reais e cinquenta e nove centavos. Noventa e cinco por cento do recurso é do Pró-Transporte, do Ministério das Cidades. Cinco por cento vem do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Tudo isso é destinado às obras de revitalização da Julio de Castilho, uma das avenidas mais movimentadas de Campo Grande.

A ideia, esperavam ou ainda esperam os campo-grandenses, motoristas ou não, é que a via fique, de fato, mais bonita, com melhor ordenamento do trânsito e com soluções de acessibilidade, como prevê o projeto inicial. Mas, a julgar pelas opiniões, erros constantes e pelo andamento da obra, isso não vai acontecer.

Esta na boca do povo e o discurso não é novo: As obras da Julio de Castilho viraram piada. Para quem cruza a avenida todos os dias e vê o problema de perto, dizer isso não é, nem de longe, um exagero. Basta percorrer os 13 quilômetros da avenida.

A equipe de reportagem do Campo Grande News fez isso. Nosso “passeio” começa pelo início da via, no Jardim Sayonara, onde foi implantada uma rotatória. O asfalto, naquela região, é novo, mas já está esfarelando. À frente, perto de outra rotatória, o mesmo problema: a massa asfáltica é recente, mas há remendos.

A situação, no entanto, se mostra mais crítica. Uma equipe trabalha, há dias, para construir, segundo relatos, uma nova ponte, porque, quando chove, a região alaga rapidamente e o asfalto cede.

Com problemas de infiltração e com alagamento na rotatória do Sayonara, prefeitura resolveu construir mais uma ponte. (Foto: Marcos Ermínio)Com problemas de infiltração e com alagamento na rotatória do Sayonara, prefeitura resolveu construir mais uma ponte. (Foto: Marcos Ermínio)

“Transborda”, resumiu a estudante Edvania Santana, de 16 anos. “Dizem que isso aí fica pronto em 40 dias, mas não sei. Já tem uns 20 que estão trabalhando”, acrescentou. “Estava dando problema, entupindo o tubo, que é pequeno”, esclareceu outra moradora, Eliane Daniel, de 37 anos.

Não é preciso caminhar muito para notar que o problema não fica só nas rotatórias, que exige desvio e provoca transtornos. No Parque Residencial Bellinate, próximo do Sayonara, nota-se um problema comum, que se repete por toda a extensão da Júlio de Castilho e que, inclusive, já foi pauta nas reuniões do Conselho da Região Urbana: nas calçadas, até existem pisos táteis, mas em alguns trechos eles estão incompletos.

Em outros, próximos dos pontos de ônibus, a guia foi colocada rente aos bancos de passageiros. Na prática, com espaço tão estreito, um deficiente visual dificilmente conseguiria seguir seu percurso sem dar de cara com o obstáculo.

Piso tátil ficou rente ao ponto o oferece riscos aos deficientes visuais. (Foto: Marcos Ermínio)Piso tátil ficou rente ao ponto o oferece riscos aos deficientes visuais. (Foto: Marcos Ermínio)

Confusão no trânsito - Se a falta de planejamento fosse apenas na calçada ou na instalação dos bueiros, que estão abaixo do nível do asfalto, “afundando”, a situação poderia ser, quem sabe, contornada a tempo, com mais rapidez e eficiência. Mas não.

A prova de que alguma coisa não deu certo está no trânsito, no ordenamento do fluxo, na falta ou ausência de sinalização adequada, que põe em risco a vida da população e gera acidentes com frequência. A prova de quem faltou alguma coisa - pensar, talvez - está nas declarações de muitos motoristas.

No bairro Silvia Regina, há outra evidência. Durante a obra de recapeamento, o desvio para a rua Capibaribe, foi algo necessário, apesar do perigo que o fluxo intenso causaria a pacientes de um posto de saúde, funcionários e estudantes da Escola Municipal Irmã Irma Zorza.

Mas, detalhe: as obras terminaram e o desvio continuou. Por que? A prefeitura resolveu construir, no local onde antes existia uma rotatória, um canteiro bem no meio da Julio de Castilho, no cruzamento com a Capibaribe. Resultado: Quem vinha sentido bairro-centro e precisava continuar na avenida, tinha de contornar as ruas de trás. O fluxo aumentou e houve confusão. A retirada do obstáculo, palco de acidentes, só aconteceu depois de muita reclamação.

Sem sinalização, cruzamento com a Capibaribe é um dos mais perigosos. (Foto: Marcos Ermínio)Sem sinalização, cruzamento com a Capibaribe é um dos mais perigosos. (Foto: Marcos Ermínio)

Falta de sinalização - Retiraram o obstáculo, mas não sinalizaram. No cruzamento não há, sequer, uma placa de “Pare”. Quem trafega pela esquerda, sentido centro-bairro, acaba entrando de uma vez na rua que cruza, a Capibaribe. Por outro lado, quem sai dela e precisa pegar a pista contrária, não sabe se entra ou se fica. Com tanta indecisão, o motorista que vem pela Julio de Castilho, não sabe se vai ou se para. É confusão o dia todo.

“O pessoal está perdido”, resumiu o freteiro José Assis de Oliveira, de 65 anos, que tem um ponto no cruzamento. Para o aposentando José Carlos, 58 anos, “certo está, só falta um semáforo”. “Os ganchos estão todos aí para colocar o sinal e não colocam. Eles não terminam o serviço porque não querem”, protestou. “Antes o pessoal respeitava porque era uma rotatória”, completou José Assis, ao comentar que o obstáculo ordenava o trânsito”

Com toda essa desordem, há outro problema: Os ônibus que foram obrigados a desviar o caminho por conta da obra, “esqueceram” de retornar à Julio de Castilho depois do término dos trabalhos naquele trecho. Praticamente todas as linhas continuam passando pela rua Tordesilhas, onde fica a escola e o posto de saúde.

“Ficou complicado, principalmente para os pacientes. Prejudica a entrada de veículos de emergências. Os ônibus deveriam continuar na avenida porque aqui é uma rua residencial. Os carros param dos lados. Mal cabem”, disse uma funcionária que pediu anonimato.

A revitalização também causou transtorno aos motoristas de ônibus que precisam entrar no Terminal Júlio de Castilho. Com o desvio pela Tordesilhas, eles entram na rua Mangabeira, que dá frente ao espaço de embarque e desembarque.

Motoristas do transporte coletivo precisam sinalizar com a mão para fazer a travessia até o terminal. (Foto: Marcos Ermínio)Motoristas do transporte coletivo precisam sinalizar com a mão para fazer a travessia até o terminal. (Foto: Marcos Ermínio)

A travessia seria tranquila se houvesse, ao menos, um semáforo no cruzamento ou se a rotatória ainda estivesse lá. Sem solução, os condutores precisam acenar com as mãos, contar com a sorte e esperar a compaixão de alguém que decida parar e facilitar o dia.

A cruzamento com a rua Yokoama, no Jardim Palmira, virou um ponto clássico. A Prefeitura decidiu, durante as obras, fechar o canteiro que dava acesso, por um retorno, ao centro.

Houve protesto. Alguns moradores chegaram a dizer que quebraria o concreto para abrir, novamente, o local, mas a solução, depois das ameaças, apareceu. A Yokoama está como antes. É um avanço, se comparado à situação da rua Tupinambás, pertencente ao Jardim Imá, que faz esquina com a via. No local, não há nem sinal de sinalização. Se nesse trecho falta orientação, no seguinte, próximo à rua Brasília, sobra um semáforo, que não foi retirado depois que a prefeitura construiu uma barreira para impedir a conversão à esquerda, na Julio de Castilho.

O equipamento também é motivo de discórdia próximo à rua dos Andradas, porque foi instalado a poucos passos de um ponto de ônibus. A dúvida é a seguinte: o veículo deve parar aonde? Na faixa de retenção ou no espaço destinado ao embarque? “É errado. Ou tira o ponto ou o semáforo para ficar dentro da lógica”, opinou vendedora Cícera dos Santos Silva Miranda.

Pintura em branco libera o estacionamento. (Foto: Marcos Ermínio)Pintura em branco libera o estacionamento. (Foto: Marcos Ermínio)
Com carros nas laterais, a Julio de Castilho não anda, protestou o taxista Paulo Yamada. (Foto: Marcos Ermínio)"Com carros nas laterais, a Julio de Castilho não anda", protestou o taxista Paulo Yamada. (Foto: Marcos Ermínio)

Apesar da inauguração estar próxima, para moradores, pedestres e motoristas, falta muito. Taxista, Paulo Yamada está indignado. Hoje viu funcionários pintando os canteiros de branco.

“Tinha que ser amarelo, para acabar com o estacionamento. Com carros nas laterais, a Julio de Castilho não anda”, disse. Com as obras do jeito que estão e com tantas reclamações, é difícil acreditar que, a essa altura do campeonato, alguma coisa saia do lugar.

Na avaliação do presidente do conselho regional da região urbana do Imbirussu, Elvis Rangel da Silva, não há outra explicação: “A gestão fechou os olhos. A gente fica se perguntando: quem vai pagar essa conta? Porque o que está errado tem que ser desmanchado. Se é um erro de projeto, a empresa que construiu não é errada, mas quem paga a conta? Nós, de novo? É uma obra de R$ 18 milhões”, salientou.



Com essa obra inacabada fica provado a incapacidade da equipe do Bernal para administrar e concluir uma obra, tem trechos da avenida que mesmo sem carros estacionados, se tiver um ônibus parado o outro não passa de tão estreito que ficou e, sem contar tem pontos que os postes de iluminação central ficaram muito perto do meio fio um risco para motociclistas. Resumindo: ficou uma porcaria.
 
Marcos Wild em 23/08/2013 17:10:14
Cadê nossos engenheiros, será que só desfruta do que ganha que não deve ser pouco parece uma piada que vai do centro sentido bairro te que ficar desviando dos meio fio sem continuidade do canteiro central, sou Técnico em informática e acho que projetaria bem melhor sem falar da falta de continuidade dos semáforos.
Precisamos evoluir, sem não tem uma solução própria copie de outros locais que funcionam muito bem em outros estados.
 
Leandro Brito em 23/08/2013 16:26:23
quem planejou a obra da Julio de castilho, acho que não fez engenharia, pois virou uma bagunça, estamos perdidos, as vezes não sei de quem é a preferencia, sem contar que os ônibus param no meio da pista para a população descer ou subir, por falta de espaço para ele encostar nos pontos. No polo da anhanguera, não tem como passar, pois para carros dos dois lados e não tem como passar dois carros... tem que esperar ou seja, virou uma m...............
 
temir camargo em 23/08/2013 15:50:50
Os "engenheiros" que fizeram o novo projeto da Julio de Castilho nunca andaram na avenida, nem antes nem depois da reforma, por que não é possível que alguém que tenha feito uma faculdade e que tenha o minimo de bom senso de engenharia de transito faça um projeto como o que foi feito, pegaram uma via que não era complicado de andar e fizeram uma zona, tem q dar muitas voltas só para simplesmente atravessar para o outro lado da avenida, coisa que era simples antes, isso é um dos vários problemas que eles criaram, um absurdo, deveriam caçar os diplomas dos responsáveis.
 
Djavan Souto Loureiro em 23/08/2013 15:47:03
Tem um mercadinho "COMPER" na Júlio de Castilho que resolveu inventar... Colocou faixa amarela na frente do seu estabelecimento e faixa branca na saída do estacionamento. Será que a Agetran sabe disso? Será que foi para os carros não atrapalharem a visão de sua fachada? ou será que foi puro desconhecimento das leis de trânsito mesmo?
 
Marco Costa em 23/08/2013 15:24:18
olha nota zero pra julio de castilho,pessimo serviço ficou horrivel usar essa via....apertada ficamos refem do transito de onibus e caminhao.....estou usando outras via pq a julio nao da e so pra passar raiva........
 
luiz carlos em 23/08/2013 15:22:44
O mais absurdo de tudo isso foi ter colocado o canteiro na Av. Julio de Castilhos com a Rua Brasília!!! Gente, pelo amor de Deus!
Daí só dá para virar à esquerda na Rua Miranda! Pensa no pesadelo! Um monte de carros/motos querendo retornar e daí fecham toda a pista bairro-centro!
Se você vem do centro da cidade e quer virar para ir ao Jardim Imá, não consegue!
A Prefeitura é culpada por essa obra, sim!!! Até uma criança consegue ver as falhas dessa obra!!

 
Keyla Cáceres em 23/08/2013 15:13:00
Que está ficando outra, não há dúvida. Bonita, asfalto lisinho e semáforos sincronizados, coisa muito importante em avenida de 13 km.
Mas a crítica é importante, ajuda a aperfeiçoar a obra, como já vimos vários exemplos.
O estacionamento tem que ser definido, pois atualmente o que se vê é uma disputa por espaço, ultrapassagens pela direita e os apressados se arriscando (e aos demais) o tempo todo. Com o incremento de veículos ocorrendo diariamente, seria interessante ter toda a pista liberada para o tráfego. Pensem nisto os responsáveis, antes de mandar pintar todo o meio-fio de branco.
 
José Perassolo em 23/08/2013 15:03:27
Uma obra antes de ser iniciada tem que ter todos os pontos avaliados: pontos críticos, benefícios aos lojistas e moradores da avenida e a demanda para a região. Todos os pontos deveriam ter sido vistos juntos, coisa que não aconteceu. A obra foi desordeira, trouxe caos para todas as partes e o que vemos hoje, nada de muito diferente do que era antes. Ficou o feito pelo não feito. Os profissionais que assim são chamados tiveram visões além das condições necessárias para o local. Viram uma coisa que não condizia com a realidade. Enfim, muito se foi gasto e pouco foi feito. Um detalhe que vamos esperar para ver vai ser quando vier o período das fortes chuvas. Esperem e verão!!!
 
Victor Miranda em 23/08/2013 14:47:36
Todos os problemas relatados na matéria são reais e o que me causa grande indignação é o fato de uma via super estreita, onde trafegam veículos de grande porte, tais como: caminhões e ônibus articulados, seja permitido a ocupação de uma das pistas para estacionamento. É uma situação no mínimo descabida... Os motoristas são obrigados a mudar de faixa a todo instante por conta de inúmeros veículos estacionados; e os motoristas de ônibus necessitam fazer um zig-zag por contas desses obstáculos.... Além dos motoristas que param sem sinalizar para estacionar no meio da rua, o que gera perigo, confusão, acidentes e stress. Gostaria que fosse proibido estacionar na Júlio de Castilho e que os carros estacionassem apenas nas ruas laterais. Esta medida mudaria e muito o trânsito local para melhor.
 
Karine Souza em 23/08/2013 14:34:39
Os problemas descrito na reportagem acima, estão corretos, OU MELHOR SÃO OU TEMOS (USUÁRIOS) MUITOS OUTROS PROBLEMAS ESTÁ MUITO PERIGOSO ANDAR OU TRAFEGAR NA AVENIDA, MORO NA REGIÃO A MAIS DE 20 ANOS E FICOU UM LIXO.
como tudo que políticos fazem, o certo é cadeia para todos responsáveis por essa barbaridade que fizeram e FAZEM com os nossos impostos.
 
Maurício L Ferreira em 23/08/2013 14:31:16
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