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Capital

Reconstituição da morte de empresário será no mesmo horário do crime

Polícia não informa se o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos, irá participar da reconstituição

Por Luana Rodrigues | 10/01/2017 15:40
Perícia quer confirmar laudos produzidos no dia do crime e confrontar depoimentos (Foto: Alcides Neto)
Perícia quer confirmar laudos produzidos no dia do crime e confrontar depoimentos (Foto: Alcides Neto)

Um trecho da Avenida Ernesto Geisel amanhecerá interditado nesta quarta-feira (11). A Polícia Civil informou que fará a reconstituição da morte do empresário Adriano Correia do Nascimento, 33 anos, às 5h40, mesmo horário em que o crime foi cometido no dia 31 de dezembro. A polícia não informa se o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos, que está preso, irá participar da reconstituição.

Segundo a assessoria de imprensa governo do Estado, os trabalhos interditarão apenas alguns trechos da avenida Ernesto Geisel, mas não informa exatamente quais seriam os trechos.

“Vamos tratar do assunto com a maior transparência possível e informar a população do que realmente aconteceu. Tudo vai ser devidamente investigado”, disse a governadora em exercício, Rose Modesto, na manhã de hoje.

Moon está preso em uma cela do Garras (Grupo Armado de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) desde o dia 5 de janeiro. Sua defesa está sob responsabilidade de Renê Siufi, pago por meio de vaquinha entre colegas do PRF. 

Em entrevista ao Campo Grande News nesta terça-feira (10), Siufi reafirmou que ainda não teve acesso ao inquérito sobre o caso, por isso ainda não entrou com nenhum pedido liberdade para seu cliente na Justiça. “Estou esperando ter acesso a detalhes do caso, para depois traçar uma estratégia de defesa”, disse.

O advogado também não soube dizer se o cliente vai à reconstituição, mas disse que ele próprio não estará presente. “Não quero atrapalhar a polícia”, afirma.

A Polícia Civil informou ainda que a delegada responsável pelo caso, Daniella Kades, não irá conceder entrevista durante a reconstituição na quarta-feira.

Uma coletiva de imprensa está marcada para o dia 17 deste mês, às 08h30, no auditório da Academia da Polícia Civil, onde, segundo a assessoria, serão esclarecidos detalhes sobre a investigação.

Crime - Ricardo Hyun Su Moon conduzia sua Mitsubishi Pajero prata naquela manhã em sentido à rodoviária, onde embarcaria para Corumbá (a419km de Campo Grande), seu posto de trabalho na PRF. Após uma suposta briga de trânsito, ele atirou sete vezes contra a Hilux branca do empresário.

Nascimento, dono de dois restaurantes japoneses na cidade, morreu na hora, perdeu o controle do veículo e bateu em um poste. Um jovem de 17 anos que o acompanha foi baleado nas pernas. Outro acompanhante no veículo, um supervisor comercial, de 48, quebrou o braço esquerdo e sofreu escoriações com a batida. Ambos foram socorridos conscientes.

O policial ficou no local do crime e chegou até a discutir com uma das vítimas, mas não foi preso na ocasião, mesmo havendo policiais militares no local. Posteriormente, ele acabou sendo indiciado em flagrante ao comparecer na delegacia com um advogado e representante da PRF. Aacabou solto dias depois.

Em seu depoimento, Moon disse que agiu em legítima defesa. Afirmou que as vítimas não o obedeceram mesmo após ele se identificar como policial, que tentaram lhe atropelar ao fugir dele e que viu um objeto escuro que poderia ser uma arma na mão de uma das vítimas.

A Polícia Civil de Campo Grande investiga o caso como homicídio em inquérito. Ouve testemunhas e as duas vítimas sobreviventes, além de rastrear autores das filmagens e ligações para a Polícia Militar. Desde o dia 3, no entanto, não divulgava informações oficiais sobre o caso nem por meio da Sejusp.

Na nova acusação formalizada, o Ministério Público Estadual pede para que a Polícia Civil investigue também a postura da PM no atendimento da ocorrência. No entendimento dos promotores, houve favorecimento a Moon na forma de atuação. A Corregedoria da Corporação abriu inquérito e a reconstituição servirá também para que os policiais mostrem se agiram de forma ética no dia.

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