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Campo Grande, Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

21/07/2011 18:08

Ritual durou 1h e mesmo com pajés confiantes, menina terá perna amputada

Paula Maciulevicius e Ana Paula Carvalho

Rito ainda segue até sábado, por enquanto médicos não marcaram cirurgia de amputação

Indígenas fazem ritual de cura e retiram o que estaria desequilibrando a menina. (Foto: João Garrigó)Indígenas fazem ritual de cura e retiram o que estaria desequilibrando a menina. (Foto: João Garrigó)

O ritual de cura que os pajés realizaram nesta tarde, na menina indígena Thiely Mendes, de 8 anos, durou cerca de uma hora. Apesar da saída confiante do trio de curandeiros, a menina vai ter a perna esquerda amputada. O Campo Grande News acompanhou parte do rito onde os curandeiros, em volta da cama, estavam com chocalhos na mão e entoando rezas.

A fé dos indígenas de que o ritual pode curar foi demonstrado nesta tarde, pelos curandeiros João Antônio Fernandes, de 84 anos, Vergília Romeiro de 52 e Aldair Romeiro de 22 anos, que colocaram dentro de um vidro um pequeno objeto de cor verde, que segundo eles havia sido retirado da menina.

Na saída, o trio se mostrou confiante e explicou que o rito busca equilibrar o espírito. Para eles, o que os médicos chamam de doença, é na verdade um desequilíbrio espiritual.

O pajé João Antônio acredita que agora, a menina vai ser curada, mas um parecer definitivo deve sair depois do último dia de ritual, no sábado.

Durante o tempo em que o Campo Grande News esteve no quarto, Thiely ficou quietinha, movimentava os braços, mas não falava, nem chorava. A aparência é de uma criança debilitada por uma doença cruel.

Fotomostra o que foi retirado no ritual. os pajés acreditam que doença seja desequilíbrio espiritual. (Foto: João Garrigó) Fotomostra o que foi "retirado" no ritual. os pajés acreditam que doença seja desequilíbrio espiritual. (Foto: João Garrigó)

Quase sem cabelos, Thiely vomitou quando o ritual chegou ao fim.

O avô da criança, Santiago Tapori, de 57 anos, acompanhou toda a movimentação e afirma confiante de que a cura começa agora. “Se Deus quiser, agora ela vai ficar boa”, completa.

Ele ainda disse que acha que a menina deve permanecer no Hospital. Anteriormente a família queria tirar a criança para levar até a aldeia, a 487 quilômetros de Campo Grande, para o ritual.

O médico oncologista Marcelo Souza informou que a criança está fazendo sessões de quimioterapia que devem durar ainda entre duas e três semanas. A cirurgia para amputação da perna esquerda, por conta do tumor no joelho, depende da data a ser acertada com a equipe de cirurgia.

O oncologista foi enfático ao dizer que a menina não tem possibilidade de cura se não ocorrer a amputação e que o tratamento ainda vai seguir por um ano.

Entre enjôos e febres, Thiely está sendo medicada o tempo todo para dor e tomando Morfina.

Segundo o médico, a família já sabe da amputação e a notícia está sendo difícil para todos. Mas ele confirma que os parentes autorizaram a continuidade no tratamento.

Sobre o ritual, o médico admite que por se tratar de uma questão cultural, a prática pode ajudar a menina a ficar mais animada.

O presidente do Conselho da Saúde Indígena, Fernando Souza explica a diferença nas concepções. “Cada um tem sua religiosidade e na questão indígena é um conhecimento tradicional que passa de geração em geração”, ressalta.

Impasse - Familiares de Thiely decidiram interromper o tratamento e levar a menina de volta para Japorã para ser curada por um benzedor. Diagnosticada com um tumor no joelho, a doença foi percebida há dois meses, depois de uma visita dos agentes de saúde à aldeia.

A Casai (Casa de Apoio à Saúde Indígena) e a equipe médica do hospital permitiram que os curandeiros praticassem os métodos de cura durante o tratamento da menina em Campo Grande.

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Cada um na sua lógica de entender os caminhos que levam ao seu Deus! Todo ritual, culto ou cerimonia é valido pra aquele que acredita. E respeitar é fundamental... Parabéns a equipe do Hospital Regional pelo respeito a diversidade cultural!!!

 
Ana Cristina Piccini em 22/07/2011 11:17:04
A media está sendo medicada por medicina tradicional? Sim.
Ela é de cultura diversa da minha? Sim.
As pessoas do grupo dela estão erradas em fazer algum ritual que para eles faz todo sentido? Não, não estão erradas.

Relativismo cultural, pessoas.
 
Daniel Francelino da Silva em 22/07/2011 10:29:00
Confie em DEUS mas amarra seu camelo em uma tempestade.
 
HUMBERTO TADEU em 22/07/2011 10:08:32
QUE LER ESSA MATÉRIA, CUIDADO COM O ENGANADOR, QUE ESTÁ ENGANANDO OS ÍNDIOS, OS CARTOMANTES, OS MACUMBEIROS, E CERTAS CEITAS, QUE NÃO COLOCAM DEUS E JESUS EM PRIMEIRO LUGAR, SOMENTE DEUS E JESUS, PODEM FAZER A CURA, RESTAURAR, O RESTO É DO MAL, SEGUNDO VEM A MEDICINA, QUE É ABENÇOADA POR DEUS, NÃO EXISTE OUTRO DEUS, E SOMENTE NELE VOCÊ COLOCANDO EM PRIMEIRO LUGAR, EM TODOS OS SENTIDOS, ELE RESTAURA, COMO PODE ACREDITAR, EM QUALQUER QUE SEJA, QUE SE ANALISÁRMOS BEM, ESTÃO PIOR, DO QUE NÓS, CUIDADO, DEPOIS DE DEUS E JESUS, OS PADRES, OS PASTORES , ESSES SIM AQUI NA TERRA REPRESENTAM DEUS E JESUS, ENTÃO TERÃO QUE SEREM CONSULTADOS, E SIM ATRAVÉS DESTES, VOCÊ OBTERÁ A CURA, O RESTO É RESTO, SAIAM FORA DOS HOMENS DA TERRA, QUE NÃO ESTÃO NO ALTAR DE DEUS, DIZ A LEI DE DEUS, ¨BÍBLIA¨EM TIAGO CAPÍTULO 5, VERSÍCULOS 13 E 14.
 
PEDRO BRAGA em 22/07/2011 09:08:13
Isto é um exemplo de que todos nós devemos respeitar a crença e a cultura de cada um, Parabéns pelo bom exemplo Dr. Marcelo Souza e que todos sigam o seu exemplo!
 
Ariovaldo Garcia em 22/07/2011 09:01:31
Imagino o quão difícil é para a medicina atual aceitar esse tipo de crença...mas que bom que tiveram sensibilidade para permitir o ritual, excelente exemplo de como as culturas podem conviver e quem sabe se a menina realmente não se cura? Eu não duvido de mais nada. Parabéns a equipe médica pela sensibilidade...todo conhecimento é parcial.
 
Marcos Santos em 21/07/2011 10:02:01
Parabenizo novamente o médico oncologista Marcelo Souza pela sensibilidade humana que demonstra ao permitir os rituais de pajelança em demonstração de respeito a uma cultura diferente da sua.
 
Dirceu Martins de Oliveira em 21/07/2011 06:48:38
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