Salvo “por um dente”, operário vai à obra incrédulo com livramento
Carlos faltou ao trabalho para ir ao dentista e escapou do desabamento que matou dois amigos
Uma dor de dente livrou Carlos Alberto do Albuquerque, de 37 anos, da morte nesta sexta-feira (4). Ainda incrédulo com o livramento, o trabalhador esteve nesta tarde no canteiro de obras do Supermercado Mister Júnior, na Avenida Rachel de Queiroz, no Bairro Aero Rancho, onde dois colegas perderam a vida após o desabamento da estrutura.
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Uma dor de dente salvou a vida de Carlos Alberto do Albuquerque, de 37 anos, que faltou ao trabalho para ir ao dentista na sexta-feira (4) e escapou do desabamento de uma estrutura metálica no canteiro de obras do Supermercado Mister Júnior, em Campo Grande. O acidente matou dois operários, identificados como Willian e Joel, e deixou outros dois em estado grave. O Corpo de Bombeiros, o Samu, a Perícia Criminal e o Crea-MS foram acionados para atender as vítimas e apurar as causas do colapso.
Carlos trabalhava havia dois meses na construção. Nesta sexta, porém, não compareceu ao serviço porque precisou ir ao dentista. “Não vim porque fui arrancar um dente hoje. Não estava aqui, graças a Deus”, contou.
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A estrutura metálica do estabelecimento, com aproximadamente 14 metros de altura, desabou por volta das 14h. Cerca de dez operários trabalhavam no local, iniciada há aproximadamente três meses, segundo moradores da região.
Dois trabalhadores morreram e outros dois foram retirados dos escombros em estado grave. O acidente mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Funerária também foi acionada para a retirada dos corpos dos trabalhadores identificados como Willian e Joel.
Ao chegar ao endereço e encontrar a estrutura no chão, Carlos tentava compreender quem poderia estar entre as vítimas. Ao mesmo tempo em que agradecia por ter escapado, lamentava a morte dos amigos. “Um pouco estou feliz de ter me livrado da morte e um pouco estou triste porque perdi uns amigos meus de trabalho”, afirmou.
Perguntado sobre como lidava com a mistura de alívio e tristeza, o operário não encontrou palavras: “Não tenho nem o que falar, não tenho nada a falar”, disse.
Logo após o desabamento, moradores e pessoas que passavam pela avenida começaram a registrar a movimentação das equipes de resgate. Outros trabalhadores permaneceram próximos à obra e foram vistos abraçados enquanto acompanhavam o atendimento às vítimas.
A área foi isolada porque partes da estrutura ainda apresentavam risco de cair. Representantes do Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul) e da Perícia Criminal foram ao local para iniciar a apuração.
Os levantamentos deverão verificar as condições da obra e buscar possíveis falhas que tenham provocado o colapso da estrutura. Até o momento, a causa do desabamento não foi informada.


