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Capital

“São necessárias, mas nos prejudicam”, dizem comerciantes na periferia

A maioria dos comerciantes temem corte de funcionários e pperda nos lucros com novo decreto

Por Mariana Rodrigues | 11/03/2021 12:05
Pelo decreto publicado ppelo Governo do Estado, o comércio, restaurante, bares e qualquer outra atividade não essencial poderão operar das 5h às 16h aos sábados e também aos domingos. (Fotos: Henrique Kawaminami)
Pelo decreto publicado ppelo Governo do Estado, o comércio, restaurante, bares e qualquer outra atividade não essencial poderão operar das 5h às 16h aos sábados e também aos domingos. (Fotos: Henrique Kawaminami)

Com medo das quedas nas vendas e preocupados com demissões, os pequenos comerciantes ainda estão se adaptando as novas medidas para conter o contágio do coronavírus. Entre as restrições recentes, a que mais preocupa é ampliação do horário do toque de recolher que passa a ser das 20h às 5h. Principalmente quem é do ramo de conveniências acredita que será prejudicado, uma vez que o maior fluxo de vendas é à noite.

No Jardim Tarumã, em Campo Grande, a atendente Maria Elisa Morel Insarrald, 34 anos, diz que uma reunião será feita no comércio em que trabalha. Durante o dia o local funciona como mercearia, mas o lucro maior vem das vendas à noite quando abre a conveniência e também vendem lanches e funcionam durante toda a noite.

“A pior parte é o horário de funcionamento do toque de recolher, se liberasse até as 22h estava bom. Os finais de semana são os que mais dão lucro, mas esse novo horário não nos beneficia”, conta. Ela disse que uma reunião será feita entre os funcionários e a proprietária do comércio para que se chegue a um acordo de como eles se adaptarão as novas medidas.

No Portal Caiobá, a conveniência que possui quatro funcionários também não tomou nenhuma medida ainda, mas a maior preocupação, segundo Terezinha Marques, 37 anos, atendente, é a redução no quadro de funcionários, pois acredita que o lucro vai ser menor no período em que tiverem que fechar mais cedo. “É uma medida necessária [medidas adotadas no novo decreto], mas que irá nos prejudicar e causar transtornos para nós enquanto comércio”.

Proprietária de uma loja de acessórios para celulares, Viviane Concha, 35 anos, vai mudar sua rotina agora atendendo por meio de delivery e WhatsApp. “Não podemos deixar de trabalhar, quando não pudermos abrir, por conta do toque de recolher, vamos nos adaptar para atender ops clientes por telefone, WhatsApp e sistema delivery. É uma situação bem preocupante”, relata.

Viviane Concha, 35 anos, proprietária de uma loja de acessórios para celulares não é a favor das novas medidas. (Foto: Henrique Kawaminami)
Viviane Concha, 35 anos, proprietária de uma loja de acessórios para celulares não é a favor das novas medidas. (Foto: Henrique Kawaminami)

Ela afirma que sempre cumpriu todas as medidas de biossegurança impostas anteriormente, viu as vendas caírem bastante e agora se diz contra essas novas medidas de funcionamento para o comércio. “Tem outras medidas que podem ser tomadas sem prejudicar o comércio, como acelerar as vacinas e o Governo Federal liberar o auxílio emergencial para movimentar as vendas e reforçar a área da saúde”, acredita.

Mas há quem seja totalmente a favor das medidas publicadas ontem (10) pelo Governo do Estado, mesmo que isso reflita na queda das vendas e no fechamento do comércio. Esse é o caso do Adilson Papis, 42 anos, proprietário de uma conveniência na Rua Cachoeira do Campo, Portal Caiobá.

“Sou totalmente a favor do novo decreto, vou adotar todas as medidas impostas, mesmo que isso vá influenciar nas vendas. É melhor que acabe logo com o vírus do que a pandemia se estender mais ainda”, afirma.

Adilson conta que mesmo que perca um pouco das vendas, já que o fluxo é maior durante à noite, ainda assim prefere ficar alguns dias fechando mais cedo do que ver a pandemia se estender por mais um ano.

Adilson Papis, 42 anos, dono de uma conveniência no Portal Caiobá, é a favor das novas medias para conetr a pandemia. (Foto: Henrique Kawaminami)
Adilson Papis, 42 anos, dono de uma conveniência no Portal Caiobá, é a favor das novas medias para conetr a pandemia. (Foto: Henrique Kawaminami)

Decreto – Entra em vigor no próximo domingo (14) e tem validade de 14 dias, ou seja, até dia 27 de março. Dentre as providências definidas em encontro do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) com o secretariado, técnicos da Saúde e representantes da Segurança Pública, está confirmada a ampliação do toque de recolher, que passará a vigorar das 20h às 5h, em todo o Estado.

Pelo decreto publicado no início da tarde dessa quarta-feira (10), o comércio, restaurante, bares e qualquer outra atividade não essencial poderão operar das 5h às 16h aos sábados e também aos domingos.

 Os serviços ofertados exclusivamente por delivery ou drive thru também podem continuar operando, independentemente de horário.

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